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MAIS RESPEITO PELAS NOSSAS ÁRVORES E JARDINS!

Vêm-se multiplicando no Porto agressões ou projectos de
potenciais agressões que atingiram e poderão vir a atingir de maneira bárbara
os jardins, as árvores e os parques da cidade.

Campo Aberto (Associação de Defesa do Ambiente) julga chegada a hora de dizer BASTA! e
convida todos os habitantes do Porto e Grande Porto a exprimirem junto das
diversas entidades responsáveis a sua indignação perante os atentados cometidos
e o seu desejo de verem respeitados o património arbóreo, os jardins e os
espaços verdes da cidade.

A mais recente agressão decorreu na Avenida Montevideu (Foz/Nevogilde) onde, desrespeitando a
palavra anteriormente dada, se esventraram e descaracterizaram jardins que
pertencem à memória da cidade e se chegaram a danificar raízes de árvores
quase seculares.

Já anteriormente se tinha profundamente descaracterizado o Jardim da Cordoaria, apesar da
manutenção das suas árvores. Não lembraria a ninguém transformar a Torre dos
Clérigos numa moderna torre de cimento armado. Ora um jardim mais que secular
como o da Cordoaria é igualmente um património histórico. Não se negam os
eventuais méritos do actual projecto – mas apenas se implantado em local
compatível. Teria sido possível reabilitar e melhorar a zona da Cordoaria
respeitando ao mesmo tempo a sua memória e o seu jardim. Infelizmente não foi
esse o caminho seguido.

Actos de incultura como esses não dignificam a ideia de “Porto Capital da Cultura”,
antes a ferem e contradizem. Cultura teria sido, isso sim, criar novos jardins
e espaços verdes onde antes não existissem, noutros locais da cidade, em vez de
descaracterizar os que já existem. Infelizmente, nenhum novo jardim ou espaço
verde foi criado para assinalar o “Porto Capital da Cultura”. Além
disso, estamos perante um absurdo desperdício de dinheiros públicos, ao fazer
obra redundante onde existia obra a preservar.

É igualmente com inquietação que soubemos da intenção de ampliar as faixas de rodagem da Avenida
da Boavista. Dificilmente tal poderá ser feito sem arrasar a dupla fileira
central de árvores que a avenida ostenta no seu flanco voltado para o mar. Além
de tal projecto representar uma concepção obsoleta da circulação e da
mobilidade na cidade, além do perigo de atravessamento que essa intervenção irá
representar para os peões e moradores, o abate de árvores, a confirmar-se,
representaria uma triste insistência no erro e na insensibilidade. É por isso
que aguardamos dos responsáveis um esclarecimento cabal que garanta o
compromisso de não arrasar esse património.

É urgente suspender todos os projectos urbanísticos que atingem a integridade dos nossos
jardins e espaços verdes (como também, e ainda, no Parque da Cidade) e dar
corpo aos projectos já há muito prometidos como o Parque Oriental, sem fazer
destes pretexto para deixar agredir os já existentes. Mais ainda, é urgente
repensar no seu conjunto as orientações urbanísticas para o Porto e Grande
Porto que, a continuarem na actual direcção, terão como resultado inevitável
“densificar” o caos, o congestionamento, a agressão ao ambiente. Numa
palavra – empobrecer a qualidade de vida das populações do Porto e Grande
Porto.

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