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Parque_Cidade_do_Porto8O Parque da Cidade não sai da ordem do dia. Actualmente coloca-se uma questão de enorme importância: por onde deverá passar a linha de metro que ligará S. Bento a Matosinhos Sul, admitindo que deverá cruzar o Parque da Cidade? A Campo Aberto já manifestou a sua posição ao Sr. Vereador do Ambiente numa reunião do Conselho Municipal do Ambiente destinada precisamente a debater este assunto. Essa reunião, aliás, foi um excelente exemplo de participação cívica que devia ser seguido mais vezes pelo executivo.

Contudo, cremos que é necessário voltar a salientar os argumentos que fundamental a nossa oposição ao atravessamento do Parque da Cidade à superfície e a pugnar por soluções mais equilibradas.

A opção melhor e mais barata: a passagem pelo actual viaduto

O autor do projecto do actual viaduto rodoviário no Parque da Cidade, o Eng. João Fonseca, foi muito explícito quando asseverou que a sua obra, aliás premiada, tinha sido pensada para comportar a passagem do metro. Em boa verdade, a única coisa que impedirá o metro de passar pelo viaduto é a dificuldade política em se reduzirem as actuais quatro faixas automóveis para apenas duas (uma em cada sentido do tráfego).

Mas o argumento a favor do automóvel, neste caso, não colhe. Trata-se de uma estrada marginal que não deveria, por isso mesmo, ter um tráfego intenso. Para facilitar a ligação Porto-Matosinhos outras ruas poderiam ser reformuladas. E, em todo o caso, existem sempre outras alternativas como o IC1.

Em termos de custos esta é indubitavelmente a solução mais barata. As inserções viaduto-Av. Nun-Álvares, e viaduto-Matosinhos não devem ser problema de maior: tanto a Av. da Boavista como a Circunvalação são largas nesses pontos.

Uma solução aceitável: a passagem em túnel

O atravessamento do Parque da Cidade pelo metro em túnel afigura-se como uma solução aceitável. O metro fica escondido e os utentes podem continuar a circular livremente. Nenhum impacte negativo significativo seria criado. Assim, não havendo vontade de recorrer ao actual viaduto, somos da opinião que o enterramento é a melhor alternativa.

Somos ainda favoráveis à opção recentemente lançada que faria o metro passar, sempre enterrado, a Nascente do parque, atravessando uma zona densamente povoada e alguns equipamentos. Do ponto de vista da mobilidade seria a solução mais inteligente, visto que não traria nenhuma desvantagem relativamente à passagem a Poente do parque e, pelo contrário, conseguiria servir uma população significativamente maior. Mais pormenores em http://www.peticao.com.pt/linha-campo-alegre.

metro parque


Solução inaceitável: passagem à superfície

A principal proposta alternativa que está “em cima da mesa” é a passagem do metro à superfície. Os grandes problemas desta proposta – defendida pelo Arq. Sidónio Pardal – colocam-se ao nível do efeito barreira que criaria, dos impactes visuais, e ao nível da segurança dos utentes do parque.

De facto, esta solução implica uma miríade de muretes, grades e desnivelamentos que, inevitavelmente, constituirão um estorvo para quem se pretende deslocar facilmente dentro do parque. As barreiras serão necessárias, conforme explicou o Arq. Pardal, por razões de segurança. Associada a esta problemática está o impacte visual. Ao contrário do que por vezes se propala, muros, vedações e catenárias tornarão parte do Parque da Cidade num espaço menos acolhedor e cheio de intrusões visuais. Em termos práticos, tal solução faria o parque terminar num varandim ou num gradeamento de protecção. Estes argumentos são perceptíveis através da análise das imagens virtuais disponibilizadas pela CMP. Por fim, a segurança dos utentes. Sabemos que o parque é usado por inúmeras crianças e ciclistas. De modo a permitir um uso tão livre e descontraído quanto possível, a passagem de um veículo como o metro (que se pretende veloz e eficiente) é por isso altamente desaconselhável. Se o metro circular muito devagar trata-se de um verdadeiro contra-senso em termos de mobilidade; se circular mais depressa coloca problemas acrescidos de segurança e níveis superiores de ruído.

Conclusão

O atravessamento do Parque da Cidade pelo metro à superfície é, estamos convictos, uma péssima solução sob vários pontos de vista. É preciso reflectir sobre o que é um parque, e para que serve. Um parque é um espaço de descontracção, de repouso, de actividades ao ar livre, de desporto. Deve ser, tanto quanto possível, um espaço contínuo. Aliás, se assim não fosse, não estaria a AMP a envidar esforços para ligar o Parque da Cidade ao Parque de Real. A continuidade e o efeito de rede são portanto fundamentais.

Por outro lado, os custos de um enterramento têm que ser relativizados. Os custos podem ser superiores relativamente ao atravessamento à superfície (embora ninguém esclareça devidamente quão grande é esse diferencial), mas justificam-se largamente face à importância do Parque da Cidade. Em todo o caso, se o argumento financeiro for assim tão relevante, lembramos que sairia ainda mais barato recorrer ao viaduto existente. O facto de esta opção estar, aparentemente, posta de lado, significa que o argumento financeiro só é usado quando serve uma escolha feita com base em critérios que não esse.

Se, por absurdo, o metro viesse a circular à superfície no Parque da Cidade, assistiríamos a algo verdadeiramente caricato: o metro circularia enterrado na Av. Nun’Alvares, viria respirar ao Parque, e voltaria a mergulhar em Brito Capelo. Teríamos assim a maior área verde de toda a cidade como o único local onde argumentos pouco transparentes ditariam a circulação à superfície.

Cremos que o Parque da Cidade já sofreu quanto baste com a construção do Edifício “Transparente”. Está na altura, pois, de preservar o parque de mais atropelos, tomando decisões responsáveis e que salvaguardem a qualidade de vida das pessoas.

Veja também

  • Notícia no JN
  • Notícia no DN
  • Reportagem do programa Biosfera



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