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    ÁRVORES DESFIGURADAS EM MATOSINHOS

    ÍNDICE

    Colocado em 9 de março de 2021 (3)
    Resposta da Câmara Municipal de Matosinhos

    Colocado no mesmo dia (2)
    Réplica à resposta

    Colocado em 22 de março de 2021 (1)
    Arvores desfiguradas em Matosinhos

    3

    RESPOSTA DA CÂMARA MUNICIPAL DE MATOSINHOS SOBRE PODA DE ÁRVORES

    Ofício recebido em 31 de março de 2021

    Assunto:
    Esclarecimento sobre poda de árvores na rua Brito Capelo – União das Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira.

    Sobre o assunto em epígrafe e no seguimento da exposição apresentada por V. Exas., somos desde já a apresentar a nossa compreensão e respeito pela indignação demonstrada, saudando-vos por toda a intervenção que a Associação Campo Aberto faz em prol do ambiente e, em particular, na defesa do arvoredo e boas práticas de gestão associadas à arboricultura urbana.

    Nesse mesmo contexto partilha-se a preocupação e dedicação do município, sempre orientada não só para uma gestão de arvoredo urbano capaz de conduzir ao melhor compromisso entre o bem-estar e a segurança da população, mas também, de suma importância, ao respeito da «árvore», como elemento vivo e essencial à saúde e vida na Cidade.

    Como certamente será de Vosso conhecimento, a essencialidade de um bom processo de planeamento, gestão e manutenção da floresta urbana é muito mais do que um chavão ambiental idílico, deparando-se com constantes desafios, que precisamos analisar e tentar resolver, muitas vezes na apenas possível aproximação ao desejável.

    Também no que ao arvoredo diz respeito, a Cidade é um espaço repleto de locais, gentes e histórias cujo tempo nem sempre se compatibiliza com o perfeito. Na consciência do necessário, na vontade do adequado, mas na vivência diária dos desafios, o município vai desenvolvendo todos os esforços possíveis para que, com o tempo que aí se impõe, se aproxime ao máximo a nossa floresta urbana da tão desejada adequação, segurança, função e longevidade. Apesar dos desafios desse caminho, continuamos a dedicar esforços diários para a soma de positivos contributos e aproximações ao realmente adequado.

    Recordando um pouco o histórico do local:

    Pelas vicissitudes do espaço em si, foi desde cedo enfrentada a dificuldade na eleição da espécie arbórea a usar na Rua Brito Capelo. Apesar de conscientes dos portes adultos expectáveis para o género Metrosideros, a sua reconhecida resistência, plasticidade e possibilidade de condução em formas mais geométricas e contidas (espécie adequada também para sebes) fundamentou a decisão da sua implementação no local.

    Pelo decorrer dos anos e face alguma resistência sentida sobre o modelo de condução desejado, foram-se realizando leves podas nos exemplares ainda jovens, tentando melhorar a coexistência das árvores com as estruturas e vivências do espaço (por exemplo, facilitação de passagem de transportes públicos e redução de conflitos com as fachadas adjacentes). O tempo foi passando e destacando a inadequação do então modelo de condução das árvores. Surgia cada vez mais reforçada a necessidade de repensar os portes livres dos exemplares, entretanto cada vez mais conflituosos e de difícil coabitação.

    Perante tal conflito e correspondente necessidade de resolução, optou-se por redefinir o modelo de manutenção do alinhamento, entretanto em formas mais condicionadas e próximas do conceito de «topiária», também em plena consciência da sua potencial falha, por efetivamente tardia. Apesar de tudo, havia que enfrentar o problema, assumindo a opção que nos pareceu tornar possível a manutenção das árvores no local.

    Desde então são já alguns os momentos de poda deste arvoredo, orientado para o modelo acima referido e, após o qual, se vai mostrando possível aproximar a estrutura das árvores ao desejável. Apesar de reconhecido o impacto visual destas intervenções que, uma vez mais, se assumem como intermédias e de compromisso, acreditamos que a médio prazo se mostrará possível trabalhar na manutenção da forma definitiva, entretanto com cortes muito menos volumosos, expressivos e danosos. Recorde-se que este tipo de manutenção é usado com bastante frequência e bons resultados, também em vários espaços do concelho de Matosinhos.

    Relativamente ao facto de a mais recente intervenção dos serviços coincidir, de algum modo, com a época de nidificação de aves, informamos que o agendamento dos trabalhos se orientava para execução nas primeiras semanas do ano. Não obstante, por razões maioritariamente relacionadas com as condições climatéricas sentidas nos últimos meses e situação pandémica que todos enfrentamos, apenas agora se mostrou possível dar seguimento à intervenção.

    Apesar dos factos e uma vez mais tentando minimizar o «erro» do caso,

    – Antes da intervenção, foi efetuada uma verificação no local, em busca de ninhos;

    – Foram reforçadas as atenções e cuidados das equipas de trabalho, essas já sensíveis e formadas para agir em conformidade, caso necessário;

    – Não foram detetados quaisquer ninhos, pelo que se rejeita por completo acusações de má atuação nesse âmbito.

    Pela consciência do caráter imperfeito da situação, segue também o compromisso de empenho diário dos serviços, capaz de ir construindo uma floresta urbana em Matosinhos, cada vez mais adequada, saudável e funcional.

    Com os melhores cumprimentos.
    O Diretor Municipal de Obras, Ambiente e Conservação, (*)
    SB/AL

    José Manuel Pires

    (*) Por delegação de competências nos termos da alínea a), do n.o 1, do despacho n.o 28/2019, de 16 de maio.

    2

    RÉPLICA DA CAMPO ABERTO À RESPOSTA DA CÂMARA MUNICIPAL DE MATOSINHOS
    Datada de 7 de abril de 2021

    Exmo Senhor Diretor Municipal José Manuel Pires,

    Em primeiro lugar, apreciamos ter a Câmara Municipal de Matosinhos respondido à nossa comunicação de 13 de março de 2021, feita por email e dirigida à Exma Senhora Presidente da CMM, Luísa Salgueiro, o que é de assinalar positivamente numa época em que a ausência de resposta é frequente e considerada «normal» em não poucos setores da administração central e local.

    Agradecemos também as considerações feitas ao trabalho da associação Campo Aberto neste domínio, o que apreciamos como sinal de compreensão do papel cívico das associações de cidadãos e mais ainda dos próprios cidadãos por iniciativa individual, já que foram alguns deles que nos alertaram para a ocorrência a que aludimos na nossa comunicação.

    Também registámos com agrado o esforço de uma explicação circunstanciada e laboriosa de vossa parte, baseada em intenções afirmadas de «respeito à árvore como elemento vivo e essencial à saúde e vida na Cidade».

    A apenas possível aproximação ao desejável

    A nossa intervenção apontava efetivamente para o caráter de desrespeito e ignorância da árvore, a nosso ver bem patente nas imagens que nos chegaram e nas informações que nos foram dadas por cidadãos que sabemos serem sérios, ponderados e honestos.

    Consideramos compreensíveis alguns dos obstáculos e dificuldades que aponta no seu ofício e acreditamos que a CMM tenha o desejo que o município «aproxime ao máxima a [nossa] floresta urbana da tão desejada adequação, segurança, função e longevidade].

    Uma boa parte do vosso ofício, porém, afigura-se algo enigmática, com alusões vagas a conflitualidades e resistências, a podas leves e talvez outras pesadas, sobre coexistência entre as árvores e o espaço  — e sem dúvida também com os moradores. Sabemos que existem pressões de pessoas que não compreendem o papel da árvore em meio urbano e admitimos que não seja fácil lidar com elas. Mas um município tem também um papel pedagógico a exercer junto da população neste domínio e não deve cometer agressões ao seu arvoredo para satisfazer ou atenuar tais pressões que, embora se entendam como expressão de incultura por parte de alguns, não podem ser atendidas no essencial. Nisso, o município deverá contar também com aqueles cidadãos, e vão sendo mais numerosos, que apoiarão os passos dados na direção certa.

    Podemos aqui sublinhar que existe hoje informação abundante sobre os cuidados a ter com as árvores, nomeadamente no que se refere à escolha das espécies vegetais mais adequadas a cada situação concreta. É de facto essencial termos árvores saudáveis em meio urbano, que além da sua beleza inspirem confiança e não medo quando comecem a atingir o estado adulto.

    Em tudo isso, as próprias autarquias podem e talvez devam ter a iniciativa permanente de um papel educativo dos munícipes nestes assuntos. A participação do cidadão é crucial para alcançar corresponsabilidade dos moradores na gestão dos espaços públicos. Experiências na vizinha Corunha, além de muitas outras, mostram que a concertação entre os cidadãos e os executivos municipais, em franca liberdade de expressão, são o melhor meio pedagógico para alcançar esse resultado, capaz de superar crispações e malentendidos.

    Evoluir para uma cidade acolhedora para as árvores e para os cidadãos

    Hoje, ninguém ignora já a necessidade de cumprir metas no sentido da neutralidade carbónica tal como preconizado no Acordo de Paris e no Roteiro para a Neutralidade Carbónica do governo português. As árvores em contexto urbano são essenciais tendo em conta, entre outros fatores, a necessidade de mitigar o «efeito de ilha de calor» observado nas cidades.

    Mais ainda, não podemos ver a árvore e a floresta urbana e sua relação com a cidade como algo de estático e parado no momento presente, em que se verificam tensões derivadas de opções menos felizes no passado e de pressões excessivas arrastadas pelas urgências, por vezes frenéticas, da atualidade. Uma cidade mais acolhedora e mais respeitadora da beleza e da dignidade da árvore será igualmente uma cidade mais acolhedora para os seus residentes. Por isso, aparentes incómodos atuais supostamente causados aos moradores ou aos poderes autárquicos devem evoluir para uma maior harmonia. Deveria ser obrigatório pensar três vezes ou mais antes de decidir abates ou podas problemáticas, sendo as decisões a tomar em cooperação com o público, a sociedade civil e os moradores, de modo transparente e participado.

    Impossível chegar à meta às arrecuas

    O que não nos parece aceitável é que «uma floresta urbana, saudável e funcional»  —  e por mais explicações circunstanciais que existam  — possa caminhar na direção certa quando se procura justificar o ocorrido para o qual alertámos como um passo no caminho que pretendem alcançar. Não por terem sido feitas podas   —  nada temos contra podas feitas corretamente, como se exprime nesta citação de Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Teles: «O maior elogio que se pode fazer a um podador de árvores ornamentais é que não se perceba que a árvore foi podada.» — mas pelo tipo de podas reais que constatámos, que não se vê como se possam justificar em termos de aproximação a uma meta desejada, sequer como intermédias.

    O caminho só pode ser numa direção oposta, pois só essa inversão de marcha poderá exprimir autêntico respeito pelas árvores como seres vivos. Esperamos de vossa parte abertura para podermos dialogar mais aprofundadamente sobre esta questão, e ficamos a aguardar essa oportunidade.

    Campo Aberto – associação de defesa do ambiente

    [….]

    1

    PODAS DRÁSTICAS DESFIGURAM ÁRVORES EM MATOSINHOS
    – CARTA À PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, LUÍSA SALGUEIRO
    Colocado em 22 de março de 2021

    Enviada em 15 de março por email, sem ter sido ainda assinalada a sua receção nem respondida uma semana depois, será agora enviada em carta em papel à boa maneira antiga. Havia um dito: toda a carta tem resposta. Esperemos que a Presidente Luísa Salgueiro faça parte dos raros que ainda o cumprem.

    Eis o texto:

    Exma Senhora
    Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos,
    Luísa Salgueiro

    Em nome da Campo Aberto – associação de defesa do ambiente, e depois de ter tentado mas não conseguido preencher o formulário de contacto na página digital do município, do que apresento desculpas, venho exprimir a nossa preocupação perante alertas que nos chegaram, provenientes de moradores de Matosinhos, acerca de podas agressivas de árvores, há poucos dias, operadas na Rua Brito Capelo. As imagens em anexo documentam essas podas.

    Queremos crer que essas podas não terão cumprido as orientações do município nessa matéria, tendo talvez sido realizadas de modo contrário a essas orientações. De facto, essas podas, designadas comummente como drásticas, «de rolão» ou «de bengaleiro», são consideradas por botânicos e especialistas em arboricultura como agressivas e violentas para a fisiologia da árvore, devendo ser proscritas das boas práticas, sobretudo ou em especial em árvores ornamentais, como é o caso documentado nas imagens anexas (note-se que algumas das imagens permitem comparar o que era a árvore antes e como ficou depois da poda). Além, obviamente, do triste resultado estético obtido.

    Acresce ainda que a época que atravessamos, pré-primaveril, é desaconselhada para operações desse tipo (mesmo de podas corretamente realizadas de outros pontos de vista), devido ser o início da época de reprodução das aves. O alerta que recebemos dá conta de numerosos ninhos que teriam sido destruídos nessas árvores.

    Senhora Presidente: ficamos gratos por um esclarecimento de sua parte, já que a generalização destas práticas, a não serem contrariadas, dará uma imagem lamentável do município nesse domínio, que prejudicará acentuadamente a imagem geral positiva que certamente este procura transmitir e decerto merece. Como sabe, os cidadãos são hoje muito mais sensíveis a essas matérias, e ainda bem.

    Grato pela atenção, saúda com os melhores cumprimentos
    José Carlos Costa Marques
    presidente da direção
    918527653
    contacto@campoaberto.pt

    Insere-se a seguir um pequeno extrato do livro A ÁRVORE EM PORTUGAL, de Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Telles, citado com a devida vénia da segunda edição (1999), tendo a primeira edição sido publicada nos anos 1960 (1966?):

    COMO SE DEVE PODAR

    Qualquer supressão de que resulta um aspecto definitivamente mutilado da árvore, deve considerar-se inadmissível visto comprometer definitivamente a finalidade estética da planta ornamental. É preferível nesse caso a supressão pura e simples do indivíduo. Apenas se exceptuarão os casos raros de indivíduos vegetais ligados a factos históricos ou quando se pense que seja possível uma reconstituição aceitável da planta.

    Normalmente os cortes devem fazer-se de modo a não se notarem. O maior elogio que se pode fazer a um podador de árvores ornamentais é que não se perceba que a árvore foi podada. A forma natural da árvore é perfeita e portanto não é necessário corrigi-la no sentido estético nem no sentido fisiológico.

    Os cortes a fazer deverão ser normalmente atarraques sobrelaterais  — ver figura — que embora reduzam a ramagem não desfiguram a árvore. Mostrámos atrás, em desenhos e fotografias, quais as formas normais das nossas árvores.

    Pensemos que uma árvore que foi rolada nunca mais terá um desenho aceitável das suas pernadas e além disso ficará gravemente prejudicada na sua saúde, visto as superfícies de corte dificilmente poderem cicatrizar.»

     

    Dizemos nós, comentando esse livro: todo o último capítulo da obra, intitulado «Cultura», e em especial o seu n.º 3, «Poda», devia ser leitura obrigatória para qualquer vereador de um município, fosse qual fosse o pelouro, incluindo a presidência, e para os presidentes de todas as juntas de freguesia do país. No caso dos municípios, nenhum vereador deveria ser empossado se não passasse num pequeno exame que revelasse que ele está ciente pelo menos dos parágrafos acima citados. Abstruso? Talvez fosse uma solução.

    Para qualquer cidadão ativo e esclarecido, este livro é de um grande auxílio.

    Gonçalo Ribeiro Telles foi um pioneiro do pensamento e da ação pela ecologia em Portugal.

    ISBN 972-37-0538-9  edição de 1999, Assírio & Alvim

     

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    2 comentários até agora.

    1. António d'Alte da Veiga diz:

      Muito obrigado por esta lição.
      Embora já não possa aplicar estes conhecimentos, posso – e vou fazê-lo – encaminhá-lo.

    2. Carlos Alberto Coutinho diz:

      E a política do ódio à árvore, que continua bem viva em Portugal. Em Valongo é a mesma miséria, por mais que se insista para abandonarem este péssimo costume.

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