NOTÍCIAS DO MIA – MOVIMENTO IBÉRICO ANTINUCLEAR
    Colocado em 14 de março de 2021

    Como membro do MIA, a Campo Aberto apoia e divulga este comunicado que reúne o consenso do ramo português e do ramo do Estado espanhol do MIA.

    Fukuxima: Inaceitável plano japonês de despejar água radioativa no mar durante 3 décadas

    Guerra na Ucrânia prova inadequação da energia nuclear

     Onze anos depois do acidente na central nuclear de Fukushima, o núcleo dos reatores mantém temperaturas tão altas que exigem imensas quantidades de água para arrefecê-los. Esta água tem uma alta contaminação radioativa e já acumulou tal quantidade que o governo japonês decidiu começar a despejá-la no Oceano Pacífico a partir do próximo ano, com os efeitos gravíssimos que isso terá na vida e na saúde de todas as populações circundantes e sobre todas as formas de vida no oceano.

    Quando o governo do Japão anunciou em abril de 2021 a sua intenção de descarregar gradualmente mais de 1,4 milhões de metros cúbicos de água radioativa no mar, encontrou o apoio da Organização Internacional de Energia Atómica (AIEA).

    Em fevereiro passado, a AIEA deslocou-se às proximidades da central de Fukushima para examinar de perto o plano japonês de despejar água radioativa no mar. Parece um gesto destinado a criar confiança pública na gestão do Japão ante a oposição de parte da sua população e países vizinhos. Enquanto isso, as vítimas do acidente são negligenciadas pelo desejo de «normalizar» a situação.

    O despejo enfrenta a oposição da indústria pesqueira e de países vizinhos, especialmente da Coreia do Sul e da China.

    A água radioativa tem origem no arrefecimento do combustível nuclear fundido em três dos reatores. Para reduzir a sua radioatividade, passa por um processo de eliminação de materiais radioativos, de modo que restem apenas trítio e carbono-14. Mas em 2018 a imprensa japonesa descobriu que a empresa proprietária da Tokyo Electric Power Company (TEPCO) escondia que aproximadamente 84 por cento dos 890.000 m3 de água tratada em setembro desse ano continham concentrações mais altas de substâncias radioativas do que os níveis permitidos para libertação no oceano. Essas concentrações incluíam níveis de estrôncio-90 mais de 100 vezes acima dos padrões de segurança em cerca de 65.000 m3 de água tratada e ainda césio-137 e iodo-129, com níveis superiores aos limites por um fator de 20.000, em alguns tanques. Segundo dados da TEPCO, em agosto de 2021, 69 por cento da água (o equivalente a 832,9 mil m3) passará por processamento secundário. Espera-se que isso demore vários anos.

    A TEPCO declarou que ficaria sem espaço para armazenar água radioativa ainda em 2022. Como solução, tanto a empresa como o governo japonês querem despejá-la no oceano ao longo de trinta anos, para que os contaminantes sejam diluídos.

    Numa reunião da Organização Marítima Internacional das Nações Unidas, em Outubro de 2021, o governo japonês bloqueou a iniciativa de estabelecer um grupo de trabalho científico para avaliar alternativas para despejar essas águas no Oceano Pacífico. Esta proposta da Greenpeace foi apoiada pela Coreia do Sul, China, Chile, Vanuatu e Palau. Mas a delegação japonesa recebeu o apoio dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França.

    A 27 de janeiro deste ano, um grupo de jovens com cancro da tiroide, com idades entre 6 e 16 anos na altura do acidente nuclear de 2011, apresentou uma ação contra a TEPCO. Eles pedem que se investigue a relação causal entre o acidente nuclear e o cancro da tiroide e esperam conseguir a criação de um sistema de apoio para aqueles que sofrem da mesma doença. No entanto, o Comité de Revisão da Pesquisa de Saúde da Prefeitura de Fukuxima declarou não existir nenhuma relação entre a doença dos jovens e o acidente nuclear.

    A energia nuclear não é, de forma alguma, uma alternativa para a soberania energética da União Europeia. Espanha, por exemplo, importa da Rússia mais da metade do urânio para as suas centrais nucleares.

    O nuclear acarreta sérios riscos para a saúde dos ecossistemas e a saúde humana, que persistem por séculos. Representam um risco para a segurança das populações, como Fukuxima e Chernobil evidenciam. A guerra na Ucrânia prova ainda que as centrais nucleares são um objetivo militar de primeira ordem, agravando a probabilidade e a gravidade de um acidente com libertação de material radioativo.

    Rejeitamos assim a recente decisão da Comissão Europeia, cedendo à pressão do lóbi nuclear e catalogando este tipo de energia como «sustentável» no âmbito da transição ecológica, contrariamente aos relatórios dos grupos de assessoria técnica, diferentes governos europeus, numerosas organizações científicas e sociais e até mesmo contra os objetivos do Acordo de Paris. Continuamos a exigir o encerramento de todas as centrais nucleares, começando pela envelhecida Almaraz, pois, quanto mais anos permanecerem abertas, mais prolongaremos o risco e aumentaremos a quantidade de resíduos nucleares a arrefecer e a armazenar.

    A energia nuclear é poluente, não é segura nem é carbono neutral.

    Quer durante o seu funcionamento quer após o seu encerramento, as necessidades de manutenção durante dezenas, centenas ou milhares de anos, de sistemas de armazenamento e arrefecimento do combustível usado, ou como neste caso de arrefecimento do núcleo dos reatores, implica a emissão de vários tipos de poluição (com destaque para a radioativa) e gases com efeito de estufa – associados  à  construção e manutenção de enormes infraestruturas e à  bombagem de água durante longos períodos.

    Para o Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), a indústria nuclear e os governos que a apoiam têm de assumir as responsabilidades decorrentes de um acidente. Não se pode aceitar que imponham as suas teses e as suas condições à população que mais sofreu com o desastre, nem que neguem proteção contra as doenças causadas. Devemos também exigir os melhores métodos para recuperar o território e evitar mais danos.

    Por último, os custos de uma atividade perigosa, obsoleta e não competitiva não podem ser imputados aos cidadãos e aos contribuintes, que continuam a «assegurar» a exploração nuclear uma vez que não existe nenhuma seguradora no mundo disposta a assumir os seus riscos.
    Lisboa, 11 de Março de 2022

    A Comissão Coordenadora do MIA em Portugal
    _____________________________________________________
    MIA – Movimento Ibérico Antinuclear

    Contacto: 966 395 014 – António Minhoto, 96 020 70 80 – José Janela, 925 266 812 Romão Ramos (Informações e Imprensa)

    O MIA é um movimento composto por colectivos ambientalistas e instituições de Portugal e de todo o Estado Espanhol. Em Portugal integra cerca de 30 colectivos.

    NOTÍCIAS DO MIA – MOVIMENTO IBÉRICO ANTINUCLEAR
    Colocado em 29 de agosto de 2021

    A Campo Aberto, desde sempre oposta à utilização da energia nuclear para fins militares e civis, é mebro integrante do MIA Portugal – Movimento Ibérico Antinuclear (movimentoibericoantinuclear.pt@gmail.com), e acompanha o Observatório Ibérico de Energia, cuja colaboração recíproca defende.

    O MIA é um movimento composto por coletivos ambientalistas e instituições de Portugal e, em Espanha, de todo o Estado Espanhol. Em Portugal integra cerca de 30 colectivos.

    Adiante inserimos três documentos  emitidos pelo MIA em  2021.

     

     

    1  NÃO AO URÂNIO EM RETORTILLO! 

    Conselho de Segurança Nuclear (CSN) espanhol deu parecer negativo à construção de fábrica de concentrados de urânio em Retortillo (Salamanca), a cerca de 50 km de Portugal

    Movimento Ibérico Antinuclear saúda esta posição e considera que o seu anúncio marca o fim da mineração de urânio na Espanha

    O Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) manifesta a sua satisfação  pelo facto de o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) espanhol ter negado a autorização para a construção de uma fábrica de concentrados de urânio em Retortillo (Salamanca), a cerca de 50 km de Portugal, na zona do Parque Natural do Douro Internacional, devido à baixa confiabilidade e grandes incertezas da análise de segurança da instalação radioativa em aspetos geotécnicos e hidrogeológicos, bem como às inúmeras deficiências ao longo da avaliação.

    O MIA considera que esta decisão marca o fim do projeto mineiro da empresa Berkeley Minera España, SL (BME) em Retortillo, Salamanca, a 40 km da fronteira portuguesa, e, com ele, a exploração de urânio em Espanha. O MIA considera também que o CSN deu um grande passo, com esta decisão, colocando como prioridade o ambiente e as populações, em detrimento de projetos especulativos que aumentam a contaminação radioativa.

    O MIA  esteve, ao longo dos últimos anos, envolvido em várias iniciativas contra a abertura das minas de urânio e respetiva fábrica de concentrados na zona de Retortillo, Salamanca, de que destacamos: a 19 de Fevereiro de 2018 a acompanhar a visita da Comissão Parlamentar de Ambiente portuguesa aos terrenos onde a empresa Berkeley pretendia avançar com este projeto; a 24 de Fevereiro de 2018 na manifestação contra a mina de urânio de Retortillo; a 9 de Junho de 2018 num debate e numa marcha em Salamanca; a 5 e 6 de Maio de 2018 na Marcha Ibérica em comboio contra a mina de urânio de Retortillo, entre Pocinho, Régua e Porto, com conferência de imprensa na Régua e debate no Porto; a 10 de Janeiro de 2019 na concentração ibérica antinuclear contra as minas de urânio, na Barragem internacional sobre o rio Douro de Saucelle – Freixo de Espada à Cinta; a 2 de Junho de 2019 no IV Fórum Social Mundial Antinuclear em Madrid; a 5 de Outubro de 2020 na concentração antinuclear, por ocasião da Cimeira Ibérica, na Guarda, e a 10 de Julho de 2021 na apresentação do Manifesto Antinuclear em Cáceres.

    Lisboa, 13 de Julho de 2021
    A Comissão Coordenadora do MIA em Portugal

     

     

    2. APRESENTAÇÃO DO MANIFESTO ANTINUCLEAR
    do MIA – Movimento Ibérico Antinuclear
    em 10 de julho de 2021, em Cáceres, Espanha

    O Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) reúne-se, em Cáceres, para apresentar o seu «Manifesto Antinuclear por uma energia 100% renovável e sem riscos para a vida», um trabalho de reflexão conjunta de todos os territórios da Península Ibérica, uma vez que toda a península é afetada pelo perigo do nuclear, em todas as suas fases, desde a extração do urânio ao uso e ao armazenamento dos resíduos radioativos.

    O MIA escolheu Cáceres para este evento por esta ser uma cidade com acesso mais fácil que outras partes da península, além de estar próxima da Central Nuclear de Almaraz, que deveria ter encerrado em 2020, mas cuja licença de operação foi prorrogada por mais dez anos.

    A extensão do período de vida desta Central, para além de quarenta anos, é um debate que ocorre em quase todos os países onde operam as centrais nucleares, que são trinta e um, com cerca de 450 reatores em funcionamento. Destes reatores, mais de 147 ultrapassaram os quarenta anos com permissão para continuar, mas isso não significa que esta seja a tendência geral. Temos o caso da Alemanha, que em 2022 terá encerrado as suas centrais, antes que qualquer uma delas complete quarenta anos.

    Na apresentação do Manifesto antinuclear do MIA estará a geógrafa da Extremadura, Rosa Mogollón, que foi uma das responsáveis pela coordenação da redação do manifesto, juntamente com Cristina Rois, que é Delegada do Conselho Consultivo do Conselho de Segurança Nuclear pelos Ecologistas en Acción, e co-coordenadora do Movimento Ibérico Antinuclear, juntamente com José Ramón Barrueco, Porta-voz também da Plataforma Stop Uranio de Salamanca.

    Cristina Rois diz-nos que «em Espanha, com centrais nucleares a funcionar há mais de quarenta anos, terão de ser geridas cerca de 6.600 toneladas de resíduos de alta radioatividade, cujo custo total acrescido do desmantelamento das centrais é estimado em cerca de 14.000 milhões de euros até 2060. Mas, de acordo com o Tribunal de Contas, estas receitas não serão suficientes e será gerado um défice de cerca de 1.300 milhões de euros».

    Rosa Mogollón avisa-nos: «como em todos os países, é o Estado que no final se responsabiliza pelos resíduos e pelos custos».

    A apresentação do manifesto será pelas 20:00 (19:00 de Portugal) na Livraria Psicopompo Café Wine Bar, na Praça Marrón de Cáceres.

    Confirmaram sua presença no evento Javier Andaluz, coordenador das Áreas de Energia e Clima de Ecologistas en Acción. Soledad Montero, da área de energia de Ecologistas en Acción e membro da Plataforma para um Novo Modelo de Energia. José Carlos García, ativista do Movimento Ibérico Antinuclear, de Energía Ecologistas en Acción e PX1NME, Paca Blanco, co-coordenadora do MIA, membro da EeA Madrid e PX1NME, José Janela, da Quercus e da Comissão Coordenadora do MIA em Portugal e o ex-mineiro António Minhoto que é Presidente da Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio (ATMU) de Portugal.

    O evento será moderado pela escritora Carmen Ibarlucea, atual presidente da FEAN – Federación Española Antinuclear e ativista do MIA desde a sua criação.

    Resumo do manifesto a ser apresentado pelo MIA

    O texto foi preparado para que o leitor possa compreender de forma visualmente intuitiva quais são os pontos-chave do ciclo completo do combustível nuclear, desde sua extração até seu armazenamento depois de usado. Sem esse processo, não seria possível gerar eletricidade em nenhuma central nuclear. O manifesto mostra as GRANDES MENTIRAS derramadas por grupos empresariais de energia, como a de que a energia nuclear não emite CO2, apoia as energias renováveis, é segura (milhares de pessoas já morreram e ecossistemas foram brutalmente agredidos) e limpa. Que é barata (de acordo com o presidente da Iberdrola há vários anos que operam com prejuízo) ou que gera emprego e riqueza nas regiões (na verdade só aumenta o rendimento de algumas famílias e cria dependência por impedirem a diversidade economia e empresarial, aumentando a vulnerabilidade dessas regiões).

    Por fim, o Movimento Antinuclear Ibérico conclui, após todo um processo argumentativo, que as centrais nucleares são tão perigosas que requerem regulação e vigilância contínuas como nenhuma outra indústria, sendo uma atividade poluidora pelas suas emissões e resíduos, cuja gestão deve ser participada, envolver os cidadãos para priorizar a vida e o bem-estar das pessoas e dos ecossistemas, tanto espanhóis como portugueses, acima de outros interesses. A energia nuclear é cara, não apoia as renováveis, portanto a transição energética é urgente e essa transição deve ser NÃO NUCLEAR.

    Lisboa, 9 de Julho de 2021
    A Comissão Coordenadora do MIA em Portugal

     

     

    3. ALMARAZ E GESTÃO DE RESÍDUOS RADIOACTIVOS
    Uma questão de segurança nacional

    COMUNICADO DE IMPRENSA
    24 de Maio de 2021

    A Central de Almaraz já ultrapassou o seu tempo de vida, mas o governo espanhol comunicou ao MIA em Portugal que pretende que continue em funcionamento. A somar a isto é possível que Almaraz se transforme num local de armazenamento temporário centralizado (ATC) de todos ou de uma parte substancial dos resíduos altamente radioativos de Espanha, tendo em conta que o governo de Espanha não avançou para a construção de um ATC em Cuenca.

    Urge que os dois reatores da central nuclear de Almaraz sejam encerrados, por questões de segurança relacionadas com as fragilidades e os riscos crescentes, associadas quer ao seu funcionamento quer ao aumento do volume de resíduos altamente radioativos provenientes do combustível usado.

    Urge que as centrais nucleares espanholas (e todas as outras) fechem

    Urge que os dois governos ibéricos defendam as suas populações de um leque de riscos que aumenta a cada momento quer em número quer em complexidade. Veja-se por exemplo os perigos relacionados com a exposição a ataques terroristas (cibernéticos, drones…), que vai para além do fecho das centrais uma vez que a lei obriga cada central a incluir nas suas instalações soluções de armazenamento temporário dos seus resíduos que se podem prolongar até 80 ou 90 anos para lá do fecho.

    Urge ser consciente e enfrentar a realidade. Não é apenas a região envolvente de Almaraz que enfrentará, em caso de acidente grave ou de ataque terrorista, uma situação catastrófica, toda a Península Ibérica será rudemente afetada. No nosso país não serão somente os distritos fronteiriços a sofrer o impacto da nuvem radioativa, mas todo o território nacional será afetado de maneira mais ou menos intensa, dependendo da distância e das condições climáticas. Atente-se no exemplo da Bielorrússia que não possuindo centrais nucleares foi duramente atingida pelo acidente de Chernobyl.

    Urge compreender que a vetustez dos reatores das centrais espanholas aumenta desmesuradamente o perigo

    Qualquer central nuclear constitui um perigo desmesurado quando comparado com os seus anunciados benefícios, mas o envelhecimento dos reatores faz com que o risco de acidentes graves aumente de forma inquietante. É o caso flagrante dos dois reatores da central de Almaraz que irão brevemente ultrapassar os quarenta anos de vida que lhe haviam sido vaticinados (os reatores daquela central entraram em funcionamento, um em 1981 e o outro em 1983).

    Como é expectável, ao envelhecer, certos componentes da estrutura das centrais degradam-se o que nos conduz a assinalar vários pontos nevrálgicos, entre muitos outros. Alguns representam um marco temporal que vai muitas décadas para além da decisão de fechar uma central e que são tanto ou mais inquietantes:

    – Degradação da parede em betão que protege o reator em caso de acidente.

    – Cuba em aço constantemente bombardeada pelas reações nucleares, levando, com o tempo, à sua destabilização.

    – Circuito primário fragilizado pelos choques térmicos. Este circuito é constituído pelos tubos que conduzem a água que modera a reação.

    – Recetáculo inexistente e incapaz de deter o material radioativo, caso este entre em fusão. Foi o que se verificou em Chernobyl e em Fukushima.

    – Armazenamento, nas próprias centrais, dos resíduos altamente radioativos, provenientes do combustível usado, primeiro em piscinas de arrefecimento cuja precariedade é bem conhecida, e depois, a seco em ATI (Armazém Temporário Individualizado) onde o combustível é introduzido em contentores metálicos ou de betão que vão sendo entrepostos ao nível do solo para serem arrefecidos pelo ar. A vulnerabilidade desta solução devido à exposição aos elementos e a inúmeros outros riscos é evidente.

    – O rascunho do novo Plano de Gestão de Resíduos Radioativos espanhol (7º PGRR) prevê que o ATI de Almaraz, que entrou em funcionamento em 2018, funcionaria até 2040, altura em que todos os contentores nele guardados estariam transferidos para um ATC (Armazém Temporário Centralizado).

    – O processo de construção deste ATC continua a ser indicado neste rascunho como previsto para Valle de Cañas em Cuenca apesar de o governo espanhol ter declarado o cancelamento do concurso para a sua construção (após protestos da população, ações interpostas por organizações ecologistas e controvérsias de vária ordem).

    – Este 7.º PGRR prevê a entrada em funcionamento deste ATC em 2028 e indica o ano de 2087 como aquele a partir do qual os resíduos radioativos seriam transferidos para aquilo a que chamam a solução de armazenamento definitivo, um Armazém Geológico Profundo (AGP), que acolheria, em local a designar, os resíduos dos ATCs de todas as centrais nucleares.

    – A gestão destes resíduos será confiada a um número incalculável de gerações e isto é inevitável, já que o período destes resíduos é da ordem de milhões de anos.

    – As questões de segurança que se levantam à gestão de resíduos radioativos produzidos no território espanhol ultrapassam as fronteiras deste estado uma vez que não é possível garantir formas de armazenamento destes materiais, nem temporárias (em ATIs e ATC) nem definitivas (em AGP) que não estejam acompanhadas de enormes riscos de contaminação dos solos, da água e do ar. Desastres naturais, mudanças climáticas, ataques terroristas, conflitos armados, mudanças de regime, protestos da população…..corrosão, fissuras… falha humana – a lista das possíveis causas é longa e o ser humano está longe de as poder prever e controlar todas.

    Embora existam mais de uma centena de centrais em funcionamento na Europa, uma maior proliferação foi impedida pelos catastróficos acontecimentos de Chernobyl e Fukushima e pela oposição dos povos. Mas os promotores do electronuclear inventaram uma nova forma de rentabilizar o «negócio», contra tudo o que havia sido anunciado: prolongar a vida das velhas centrais.

    Sabemos que a espécie de loucura que tem conduzido o incremento do número de centrais nucleares e que também está ligada à «bomba nuclear» que delas depende, será um encargo pesadíssimo para muitas e muitas gerações futuras, com custos ecológicos, sociais e económicos que ninguém consegue calcular. Sem falar do desconhecimento atual sobre os problemas do desmantelamento e do armazenamento dos resíduos contaminados. Todas as questões que envolvem o nuclear são duma imensa complexidade e dimensão.

    Urge, portanto, informar os cidadãos, alargar o debate, mas sobretudo
    parar os reatores. Muito a fazer restará ainda

    Há ainda outro perigo que é o da exploração mineira que se pretende exercer em Retortilho, Salamanca, que para além da poluição do ar e dos solos coloca em perigo a água e a bacia do Douro. Os autarcas das zonas fronteiriças não foram ouvidos, pelo que deve ser impedida a abertura da mina de Retortilho.

    A exploração mineira em Portugal, que durou mais de 50 anos, deixou um passivo ambiental que está longe de estar totalmente remediado.

    O governo português deve ser mais exigente e interventivo junto do governo espanhol pois as questões do nuclear são também uma questão de segurança nacional.

    Urgeiriça, 26 de Abril de 2021
    A Comissão Coordenadora do MIA em Portugal

     

     

     

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    Categorias: Destaques

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