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    GONÇALO RIBEIRO TELLES
    Colocado em 23 de março de 2021

    Falecido recentemente, em 11 de novembro de 2020, o governo decretou em sua homenagem um dia de luto nacional. Figuras governamentais, o próprio primeiro-ministro, fizeram grandes elogios, merecidíssimos, à sua obra, pensamento e inspiração. Todos os dias, governos e dirigentes da administração central e local multiplicam os atentados à sua memória, reincidindo em decisões que são exatamente o contrário do que Gonçalo Ribeiro Teles propugnou e defendeu. Mais uma razão para lembrar o seu pensamento. Como contributo, reproduzimos um curto texto seu, que, julgamos, não foi ainda recolhido em nenhuma obra sua ou antologia de textos seus.

     

    Prefácio ao livro
    O que é a ecologia? de Dominique Simonnet, 1979 Hatier Paris
    Editorial Notícias para a edição portuguesa, sem data [Este livro foi oferecido em 2020 à Biblioteca da Campo Aberto e aguarda catalogação.]

     

     

    «A palavra «Ecologia» passou, nos nossos dias, rapidamente do uso exclusivo dos meios científicos e universitários para a ribalta da opinião pública e dos jornais. Traduzida em termos vulgares, apenas quer dizer «ciência da casa», ou seja, o conhecimento e exploração do comportamento e articulação dos diferentes sistemas de dependência que ligam os seres vivos entre si e com o meio.

    A sociedade industrial nascida no século XIX, conduziu à destruição acelerada de ambientes e paisagens propícias à vida e prosperidade de comunidades humanas instaladas há milhares de anos em diversos espaços geográficos, à degradação e desaparecimento de culturas ancestrais, fruto da experiência do tempo e do génio humano.

    Deste modo não conseguiu criar alternativas humanamente válidas à destruição que provocou sem ter possibilitado a paz e melhores condições de vida para os povos.

    A consciência desta grave situação deu à palavra «Ecologia» a acuidade e a importância que tem hoje em dia.

    Estamos integrados num sistema em que a Natureza constitui elemento essencial, é certo, mas somos agentes suficientemente inteligentes para sermos capazes de contribuir decisivamente na própria Criação descobrindo formas e sistemas capazes de suportar, dentro do mundo limitado em que vivemos, o máximo de vida. Esta, quanto mais complexas e diversificadas forem as suas formas, maior estabilidade e segurança permitirá às sociedades que a souberem gerir convenientemente.

    A evolução da humanidade está, assim, dependente da maneira como respeitamos as suas leis, como valorizamos a sua complexidade, como criamos mais «vida» na multiplicidade das suas formas.

    Realização do homem, a paz, a melhor qualidade de vida das populações, o desenvolvimento social, económico e cultural das nações devem ser os objetivos últimos de toda a atividade da sociedade, ou seja, da política.

    Estes objetivos só poderão, no entanto, ser atingidos se não destruirmos a vida; se a formos recriando continuamente, aumentando a sua capacidade de suporte nos diferentes territórios, por conseguinte, no planeta.

    A inexorabilidade das leis da Natureza a que estamos sujeitos obriga-nos a considerá-las na construção e gestão do nosso «Eco». . .

    A cultura rural em importantes extensões do continente europeu conseguiu construir «solo vivo» e multiplicar a «orla» da mata a fim de permitir o crescimento demográfico e a melhoria das condições de vida aumentando paralelamente as potencialidades biológicas do espaço físico.

    De facto, através da construção de socalcos, da mobilização racional do solo, da incorporação progressiva de matéria orgânica, da rega e da drenagem, o homem rural conseguiu aumentar as áreas de solos próprios para a agricultura intensiva e a sua capacidade de utilização.

    Por outro lado, verificando que a zona biologicamente mais ativa das matas era a orla, a zona de contacto e contraste entre o coberto florestal e a área de vegetação mais rasteira, o homem rural, multiplicando as orlas através da construção das sebes e do recorte dos bosquetes, conseguiu a presença fortificante e indispensável da Natureza, na sua complexa globalidade e diversificação quer nos espaços de produção quer nos aglomerados habitacionais.

    A paisagem humanizada, construída a partir das potencialidades e recursos naturais e da estrutura e marcas deixadas pelas culturas ancestrais, é um reflexo da comunidade que nela e dela vive com os seus anseios e a sua maneira de ser e de estar.

    Os ecossistemas nos quais a Sociedade rural estabelece um equilíbrio estável, mas dinâmico, entre os fatores naturais e a economia, exigem a máxima diversificação cultural, a perenidade das potencialidades produtivas e o aumento da fertilidade dos solos, o que corresponde aliás à presença da Natureza na sua forma biologicamente mais rica. A capacidade de suporte de vida humana dos territórios, bem como uma certa estabilidade demográfica, depende consequentemente da maneira eficaz como a sociedade rural vai construindo a paisagem.

    Como disse Teilhard de Chardin, «a paisagem humanizada é o espelho da ordem natural» e será também o esplendor da Natureza.

    O avanço da desolação e do deserto desde a Antiguidade resultou, em grande medida, do pastoreio excessivo das serras e colinas.

    É, no entanto, com a exploração industrial e a exploração dos continentes mais recentemente descobertos (África, América do Sul e Oceânia) que a degradação dos ecossistemas humanizados, geralmente em perfeito equilíbrio biológico, mais se acentua.

    A ciência positivista e o racionalismo, enformando uma tecnocracia ideologicamente dominante, pretendem «desmontar» as peças que compõem a Natureza para poderem montar um sistema artificial de crescimento económico exponencial, pondo rapidamente em causa a vida no planeta, estabelecendo profundos e injustos desequilíbrios sociais e culturais entre os povos e no interior das próprias comunidades. Mais do que o crescimento demográfico exclusivo é a destruição de culturas ancestrais que provoca desmedidas concentrações demográficas, insalubridade, fome e degradação da vida humana.

    A ecologia vem pôr o dedo na ferida; vem demonstrar cientificamente os erros duma falsa ciência compartimentada em áreas fechadas pelo egoísmo e por uma visão unilateral dos problemas. Atinge profundamente no seu âmago os mais sofisticados processos de produção e por consequência, a sociedade consumista deles derivada.

    A interligação  das atitudes filosóficas e científicas fizeram da ecologia uma quase ciência aplicada que vem invadindo, por mérito próprio, o domínio da política, contribuindo lenta mas profundamente para a formação de uma «consciência ecológica», de uma nova maneira de ser e de estar numa sociedade cujo desenvolvimento terá de ser necessariamente diferente.

    Como disse Pierre Aguesse, a «nova civilização materialista necessita de uma filosofia: porque não será a ecologia, modo de pensar, um dos dogmas dum humanismo moderno?».

    A resposta afirmativa creio ser aquela que corresponde ao sentir das novas gerações.»■

    UMA EVOCAÇÃO DE GONÇALO RIBEIRO TELLES
    19-11-2020

    Continuamos contigo, Gonçalo.

    Estamos com os que sempre te acompanharam, alguns mais de perto, outros mais de longe, e vamos continuar a dar corpo às ideias que contigo partilhamos. Vamos continuar a resistir com os valores e os conceitos com que inovaste o discurso e a prática social e política.

    Alguns viemos da resistência democrática, que nos grupos monárquicos ou no Centro Nacional de Cultura, com Francisco Sousa Tavares e tantos mais, dinamizaste, outros encontrámos-te na denúncia do desordenamento do território, a propósito das cheias de 1967, outros, depois, quando produzes a primeira lei do mundo de protecção do sobreiro, em 1975, e a partir daí no percurso de estabelecimento dos elementos fundamentais do nosso espaço e do ordenamento, a legislação das Reservas Nacionais Ecológica e Agrícola, e também os planos regionais de ordenamento do território e os planos diretores municipais.

    Entretanto, muitos já tínhamos contigo criticado o projeto de Alqueva e proposto alternativas que hoje dariam outra vida ao Alentejo e à sua perenidade, e outros também dado força à oposição à energia nuclear, que espreitou primeiro em Ferrel e depois um pouco por todo o país, contra a qual, como tu, sempre fomos, assim como pelas alternativas energéticas suaves.

    Não esquecemos a epopeia que foi o combate alfacinha em Lisboa quando defendemos contigo dar a liderança às hortas sociais na urbe, e um outro desenvolvimento urbano que integrasse o agro, o que na altura era considerado lunático, mas hoje vemos por todo o mundo a querer alterar as relações cidade/campo.

    Defendemos contigo outro desenvolvimento e outra organização do território e hoje continuamos a lutar contra a monotonia produtiva e por outras lógicas económicas e sociais.

    Partilhámos e continuaremos a partilhar com o teu espírito e inspiração tantas, tantas lutas, e vamos continuar, com toda a transparência e integridade, e sem necessidade de dizer o que não sentimos nem de usar palavras a que não damos significado.

    Vamos encontrar maneiras de corporizar uma grande homenagem nacional que Portugal te deve promover, mas, mais importante ainda, havemos de combater para que alguém surja na governação deste país com capacidade e vontade para implementar no terreno, e não apenas nos discursos, as ideias por que lutaste toda a tua vida. Bem hajas, Gonçalo Ribeiro Telles!

    António Eloy, Carlos Pimenta, Fernando Santos Pessoa, João Reis Gomes, Jorge Paiva, José Carlos Costa Marques, Luís Coimbra, Paulo Trancoso, Rui Cunha

     

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