• Set : 17 : 2020 - ALERTA AOS CIDADÃOS: TRÊS JARDINS DO PORTO E 503 SOBREIROS EM GAIA AMEAÇADOS DE MUTILAÇÃO E ABATE
  • Mai : 14 : 2020 - Por Amor da Árvore 2020
  • Abr : 24 : 2019 - Poluição Luminosa
  • Ago : 11 : 2014 - Apelo ao boicote de alimentos com milho transgénico
  • Nov : 23 : 2011 - Petição pela salvaguarda das Sete Fontes

UM JARDIM  UMA OBRA DE ARTE EM PERIGO
PODE AINDA IMPEDIR-SE A SUA DESTRUIÇÃO
Colocado em 9 de novembro de 2020

Assine a petição e contribua para honrar e salvaguardar este jardim, que honra o Porto e de que o Porto deveria orgulhar-se.

Mais abaixo pode ver imagens de vários aspetos do jardim na sua maturidade e pleno exercício e irradiação das suas funções ecológicas e artísticas. E também aqui, alguns anos atrás.

Para conhecer melhor o perigo que o ameaça, veja os antecedentes também aqui.

Para seguir no Instagram: https://instagram.com/ojardimdesophia

Agradecemos a Sofia Bacelar e a Marisa Lavrador a permissão de reproduzir as fotografias de sua autoria nesta página, com exceção da primeira, de Álvaro Manadelo.)

 

Jardim de Sophia. Foto de Álvaro Manadelo. Com a devida vénia e os nossos agradecimentos.

 

No dia 6 de novembro passado, fez 101 anos que nasceu no Porto uma das figuras da nossa cultura que mais honram a cidade, Sophia de Mello Breyner Andresen. Construído em 1997, o jardim que hoje traz o seu nome, atribuído pela Câmara Municipal do Porto cerca de 20 anos após a construção do jardim, corre o risco de ser destruído inteiramente e substituído por um arremedo de jardim feito sobre os seus escombros, para dar lugar a uma estação de metro. Apresenta-se a destruição como uma inevitabilidade mas cabe a quem a pretende fazer encontrar outra solução, pois a isso está obrigada já que lhe foi comunicado por quem cabe avaliá-lo que o jardim deve ser mantido na sua integridade. Estamos aliás convictos que haveria outras soluções de localização ou outras técnicas de execução para a estação de metro que se pretende fazer ali.  Para impedir esse verdadeiro crime contra a beleza, a natureza, a cultura e a arte paisagística, é preciso que a cidade e os seus próceres se deem conta não só da perda artística e ecológica que a destruição representa, como da desonra que decorre de transformar a justa homenagem a Sophia numa devastadora mutilação.

A cidade parece estar a enveredar por uma curiosa forma de homenagear personalidades a quem muito deve. Apesar da maior gravidade do caso presente, não há muito que Rosa Mota viu o seu nome praticamente escondido sob letras garrafais de publicidade comercial. Numa cidade que pretende exibir uma aparência de defensora da cultura, dos seus criadores e de figuras notáveis, estas atitudes, de enigmáticas, estão-se tornando clamorosamente incoerentes e ofensivas do sentido do bom nome daqueles que se julga homenagear.

Faz parte da cultura reconhecer num jardim uma obra artística, e há no Porto vários que o são, e notáveis, do período romântico e seus prolongamentos. É uma manifestação de incultura pensar que grandes artistas de outras artes estão autorizados deontologicamente a destruir um jardim (mesmo que se diga que o vão reconstruir). Um golpe intencional de canivete num quadro de Amadeo ou de Almada seria justamente considerado um ato de vandalismo. E outra coisa não é senão a mera intenção e preparativos práticos de concretização (apesar do parecer da Declaração de Impacte Ambiental – DIA a não permitir, de forma vinculativa, e sem qualquer ambiguidade) do que se pretende fazer ao Jardim de Sophia, obra da Arquiteta Paisagista Marisa Lavrador.

Veja-se o que desse jardim se diz em documento da Agência Portuguesa de Ambiente no processo de avaliação ambiental sobre a linha de metro em que se situará a estação que, a tudo continuar como até aqui, destruirá o jardim. Essa citação pode encontrar-se nos documentos de que são fornecidas ligações no início deste artigo:

[…] obrigatoriedade de o projecto «compatibilizar a conceção da estação da Galiza com a preservação integral do Jardim de Sophia,  [destaque nosso] único, de autor e que se apresenta num estádio maduro.» Mais, na DIA afirma-se que o Jardim de Sophia é um jardim «de desenho contemporâneo e único na cidade do Porto, cuja integridade física deve ser mantida».

Acresce que no Porto não se construía um único jardim ou espaço verde público na zona central desde há décadas, e desde então nenhum outro foi aí construído (alguns foram objeto de intervenções geralmente consideradas desastrosas).

Sem querermos exercer crítica sobre a alta forma de arte que é a arquitetura paisagista, o jardim vizinho à Praça da Galiza e a outra homenagem da cidade nesse local – esta à grande poetisa galega Rosalía de Castro –, o Jardim de Sophia, de dimensão moderada (cerca de 5 mil metros quadrados) exprime com felicidade, sem se reduzir a isso, uma inspiração e «citações» do célebre jardim da Fundação Calouste Gubenkian, de autoria de Gonçalo Ribeiro Telles e António Viana Barreto, dois dos nomes cimeiros da nossa arquitetura paisagista – essa arte moderna inegável como arte mas que alguns outros artistas de outras artes ainda se recusam a respeitar.

No seu livro Sementes de esperança, Jane Goodall,
bióloga primatologista,
uma dos cientistas mais célebres de hoje, escreveu:

«Por que razão quando uma obra prima do homem é destruída;
chamam a isso vandalismo, mas quando
a natureza é destruída chamam a isso progresso?»

E o mesmo se pode dizer quando é destruída uma obra humana que consegue
entrelaçar a obra da natureza e a arte dos humanos como neste caso.

UM PERCURSO EM IMAGENS

 

Imprimir esta página Imprimir esta página

Deixar comentário