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A (má) memória condiciona tremendamente a avaliação das coisas… E sinto agora agudamente a falta que ela me faz, porque não posso descrever com exatidão o estado anterior do que vou evocar.

Passei parte da primeira juventude (1955-1965) a circular a pé da Carvalhosa à Rotunda da Boavista, quer pela avenida do mesmo nome, quer, muitas vezes, pela Rua Oliveira Monteiro.

Há muito que não passava nesta última. Na avenida, perto do Hospital Militar, já me tinha chamado a atenção o palacete rosa transformado em construção destruidora de jardins. Ontem, na Oliveira Monteiro, vi espantado que um palacete ou mansão (pintado já de cores de amarelo torrado), que outrora, ainda não há muito, estava rodeado de jardins e árvores, era agora a jóia da coroa de uma urbanização massiça de um lado e outro de uma rua que suponho nova, e que terá sido aberta pelo meio desse parque.

Temos (Campo Aberto, Convergir, outros – veja-se o livro Reflectir o Porto e a região metropolitana do Porto, editado pela Campo Aberto) desde há quase dez anos batalhado em torno do «verde no miolo dos quarteirões» sem termos sido capazes, depois de aprovado o novo PDM, de uma intervenção com continuidade e com visibilidade sobre o que foi mais tarde acontecendo à cidade, ao abrigo ou à revelia do novo regulamento.

Se os Parques da Cidade e os Jardins do Palácio são importantes, decisivamente importantes sem dúvida, eu creio que é no verde privado, talvez em toda a legalidade, que se está hoje a passar a verdadeira hecatombe verde na cidade do Porto. Mineralização intensa, destruição arrasadora do vegetal e do florido e arborizado. Logradouros impermeabilizados, qualquer quintal de pequena dimensão serve de implantação de novos prédios de ocupação intensa. Passeando ao acso pelas ruas da cidade, só um cego o não verá. Se era esse o preço a pagar pelo abandono da construção em altura de excessiva volumetria e sem respeito pelo caráter e sainete da cidade, podemos dizer que fomos bem toureados com uma verónica de mestres.

E não há, aparentemente, nem associações nem cidadãos isolados que tenham qualquer ideia do que fazer ou qualquer capacidade para pôr em ação a ideia que por acaso possam ter.

Tudo talvez abençoado pelo novo PDM, em cuja discussão interviemos bravamente com contributos de valor ainda não reconhecido, resultantes de um intenso processo de observação, análise e discussão (ver, de novo, o livro Reflectir o Porto), e a que pouco ou nada ligaram as autoridades municipais, apesar de os seus próceres encherem a boca com o modelo urbano de Viena de Áustria…

(José Carlos Marques)

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