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Comunicado à imprensa (11 de Novembro de 2005) distribuído na Reunião de Sábado
APRIL – ARPPA -Campo Aberto -GAIA -Olho Vivo

«Por uma recuperação participada da Avenida dos Aliados e Praça da Liberdade respeitadora do património
Os protestos públicos das associações e de quase 7000 peticionários parecem não estar a surtir o efeito desejado junto das entidades oficiais, em particular da Câmara Municipal do Porto e da Metro do Porto. Não há efectivamente uma boa forma de descrever esta posição autoritária de desprezo por todos aqueles que, legitimamente, procuram defender o património e memória de uma cidade que também consideram sua. Esta atitude arrogante é tanto mais incompreensível quanto o direito à participação em matérias de interesse público está legalmente consagrado para intervenções que influenciam significativamente as condições de vida da população. Acresce que o conjunto urbano formado pela Praça Humberto Delgado, Avenida dos Aliados e Praça da Liberdade se encontra desde 1993 em vias de classificação pelo IPPAR – o que, só por si, demonstra como o espaço faz parte da memória colectiva da cidade e merece ser preservado e recuperado.

O que torna o caso mais aberrante é ainda o facto deste tipo de comportamento já ter sido repudiado noutras ocasiões pelo actual Presidente da Câmara Municipal do Porto. O Dr. Rui Rio tem vindo a defender, e bem, a necessidade de transparência, a gestão escrupulosa dos dinheiros públicos e a defesa do património. Contudo, a intervenção na Avenida dos Aliados e Praça da Liberdade vai no sentido inverso e nem mesmo os protestos públicos provocaram uma correcção das falhas detectadas. As entidades oficiais optaram por um autismo consciente.

Ainda assim, as associações irão tentar dialogar, novamente, com a Câmara Municipal do Porto, com a Metro do Porto e com o IPPAR, numa derradeira “ofensiva diplomática”. Gostaríamos que estas entidades estivessem dispostas a lançar um concurso de ideias para a recuperação da Avenida dos Aliados e Praça da Liberdade tendo como objectivo principal recuperar e melhorar os seus jardins e calçada de acordo com a traça original, aumentando o espaço dedicado ao peão e eliminando as barreiras à mobilidade. Queremos que a Baixa seja um espaço vivo, com cor, onde dê gosto passear. Já basta de praças inóspitas, cinzentas e desprovidas de imaginação!

Fazer cidade não pode ser sinónimo de aplicar uma qualquer fórmula matemática ou padrão geométrico um pouco por todo o lado, sem atender à história e ao carácter dos lugares; é, pelo contrário, planear com criatividade e participação. O cidadão é simultaneamente o seu objecto e objectivo. A cidade nasce do encontro das pessoas, do seu trabalho em conjunto – é mesmo das maiores realizações da sociedade! Ignorá-las é, por isso mesmo, promover o seu desmembramento. »

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