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  • Abr : 24 : 2019 - Poluição Luminosa
  • Ago : 11 : 2014 - Apelo ao boicote de alimentos com milho transgénico
  • Nov : 23 : 2011 - Petição pela salvaguarda das Sete Fontes

Nesta nova rubrica, ENTRE O COLAPSO E A SALVAÇÃO, convidamos todos os interessados a participarem no debate sobre a crise ambiental que impende sobre a humanidade, se acharem que a crise é real e grave, ou a dizerem por que razão acham que essa crise não existe ou não é grave, o que é ainda o mesmo debate.

As participações serão em princípio curtas, sendo possível explicitar pontos de vista à medida que outras intervenções forem sendo inseridas.

Colocamos a rubrica sob o patrocínio do grande poeta do século XVIII, Hölderlin, que, num dos seus poemas escreveu:

… no perigo que cresce,
cresce também a virtude que salva

in Patmos, segunda versão

Imagens de Raimundo Quintal, com a devida vénia

Iniciamos a rubrica com uma nota de Jorge Leandro Rosa.

Colocado em 4 de janeiro de 2021

Jorge Leandro Rosa

Sou signatário do Aviso sobre a Ruptura Social e o Colapso, igualmente assinado, a título pessoal, por mais de duzentos e cinquenta académicos e investigadores de 30 países e publicado em 6 de dezembro de 2020 no jornal The Guardian.

Sinto-me honrado em acompanhar nesta iniciativa pessoas como o Professor Will Steffen, um dos mais eminentes especialistas mundiais nas Alterações Climáticas, que tem dado um enorme contributo para a compreensão do Sistema Terrestre. Este aviso surge no quinto aniversário do Acordo de Paris, que os signatários consideram ser hoje tomado, de um modo geral, como «letra morta» pelos governos. Passados cinco anos, sabemos que os processos de alteração climática não só se aceleram como atingem cada vez mais profundamente os meios ecológicos e sociais de que dependemos.

Como escreve o Professor Jem Bendell, da Universidade de Cumbria e do Schumacher Institute, um dos animadores desta iniciativa, «mais de 250 cientistas e académicos lançaram um aviso à Humanidade, alertando para a necessidade de colocarmos a crescente disrupção provocada pelas alterações climáticas no centro da investigação e da acção política. Oriundos de dezenas de países e ligados às mais diversas áreas científicas, damo-nos conta das resistências que o sistema opõe à tomada de medidas efectivas que favoreçam uma adaptação às crescentes rupturas no acesso aos alimentos e à água, na saúde e na economia. É tempo de escutar a ciência e tudo fazer para reduzir os danos provocados pela ruptura social e mesmo pelo colapso. Tenho a esperança de que o movimento por uma Adaptação Profunda ao colapso social possa ser parte dessa agenda.»

A situação global pede-nos acções de resistência e resiliência, mas também uma compreensão e uma adaptação mais profundas aos processos e mudanças que a todos afectarão num futuro próximo.

Pode ler-se  o texto completo do Aviso no blogue da Universidade de Cumbria chamado IFLAS – Initiative for Leadership and Sustainability, bem como no jornal britânico The Guardian.

Colocado em 4 de janeiro de 2021

José Carlos Costa Marques

De acordo com o Aviso, inteiramente. Um dos seus pontos mais positivos é associar a crise climática à crise ecológica e ambiental, e mesmo à sua dimensão social.

Assistimos hoje, sobretudo na Europa, que repercute em Portugal também, a um estreitamento da questão climática, de uma forma que pretende justificar agressões ao património natural e territorial, como é o caso entre nós com os planos de mineração, em contradição com as nossas obrigações relativas à cessação da degradação dos solos ao abrigo de um programa no âmbito da FAO – Organização Mundial para a Alimentação e Agricultura, com que o nosso país se comprometeu.

Há uma grande ambiguidade no Pacto Ecológico Europeu e no suposto Crescimento Verde, sem negar que possam conter alguns elementos positivos. Pretende-se sobretudo, numa suposta Transição Energética –muito diferente do genuíno movimento de base Transition, documentado em filmes como The Voices of Transition ou Amanhã (Demain) – salvar a indústria automóvel substituindo num futuro mal definido os combustíveis fósseis pela eletricidade, sem ter em conta seriamente os valores ecológicos e naturais que a produção dessa eletricidade acarreta.

Outro filme,  transmitido na RTP 3 e que se encontra também no Youtube, mostra o lado negro das energias ditas verdes. Com o seguinte resumo introdutório:

E se o «mundo verde» que prevemos se revelar um novo pesadelo?

Carros elétricos, aerogeradores, painéis solares… A transição energética traz a promessa de um mundo mais próspero e pacífico, finalmente livre de petróleo e poluição. Mas esta tese oficial prova ser um mito: ao libertarmo-nos dos combustíveis fósseis, estamo-nos a preparar para uma nova dependência de metais raros. E se o «mundo verde» que nos espera se revelar um novo pesadelo?

 

Se há 50 anos atrás os ecologistas e ambientalistas genuínos eram primeiro ignorados, depois ridicularizados, depois copiados mas superficialmente muitas vezes, hoje a defesa dos valores naturais, ecológicos, ambientais, dos solos, das águas e da qualidade do ar tem que ser feita denunciando os falsos profetas «verdes» que pintam dessa cor a sua imagem e encontram uma crítica séria, a que procuram fugir ou que tentam confundir, por parte daqueles que desde o início defenderam as autênticas «energias verdes».

Um debate que ainda não foi feito a fundo, mas que está cada vez mais na ordem do dia. ▲

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