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    A Metro do Porto acaba de consumar mais um
    abate massivo de árvores, desta feita na já largamente desarborizada zona da
    Asprela. Segundo a imprensa, mais de 50 árvores foram arrancadas ou cortadas no
    recinto do IPATIMUP, incluindo salgueiros, amieiros, carvalhos, castanheiros,
    bétulas, freixos e mesmo um ginkgo; os responsáveis pelo instituto
    declararam-se apanhados de surpresa pela intervenção. Infelizmente este tipo de
    notícias vulgarizou‑se. Metro tornou-se sinónimo de mobilidade acrescida
    mas também de nefastas consequências para diversos locais da cidade que, ao
    invés de serem recuperados e melhorados, vêem perder as suas características
    mais distintivas.

    Evidentemente que a tentativa de greenwash
    lançada há dias não passou disso mesmo. Se a empresa está satisfeita por ter,
    supostamente, poupado a vida a mais de 400 árvores devido ao carácter
    reutilizável do Andante, não deveria em primeiro lugar revelar o seu respeito
    pela vegetação nas obras que executa? Haja um mínimo de coerência!

    Cremos que grande parte destes problemas
    seriam evitáveis se a empresa se pautasse por uma postura de maior
    transparência e abertura ao diálogo. Verificamos, pelo contrário, que a Metro
    do Porto se envolve em conflitos sistemáticos com uma grande diversidade de
    instituições da cidade, instituições essas que mereceriam mais respeito e que
    deveriam ser envolvidas de forma mais profunda nos processos de decisão.

    A Campo Aberto vem, de uma forma construtiva,
    propor soluções para o grave problema de governança que tem caracterizado a
    construção do metro e para evitar o abate de mais um corredor arbóreo.

    Governo deve adoptar um regulamento
    ambicioso para a participação pública

    A Campo Aberto irá propor ao Governo através
    do Ministro das Obras Públicas, Mário Lino que aprove, a curto prazo e com
    força de lei, um regulamento ambicioso para promover a participação pública em
    todas as futuras obras relevantes relacionadas com o metro do Porto. Incluem‑se
    não apenas a construção de novas linhas mas também os arranjos à superfície
    decorrentes.

    O regulamento definiria detalhadamente os
    procedimentos a adoptar com vista à informação atempada do público em especial
    das entidades e pessoas directamente afectadas , bem como à sua participação
    efectiva nas decisões, garantindo que sugestões e críticas são analisadas
    cuidadosamente e de forma imparcial. Note-se que a única participação promovida
    até hoje decorreu em 1998 aquando da Avaliação de Impacte Ambiental! Para uma
    obra com a envergadura do metro é insignificante.

    Os avanços e recuos motivados por decisões autocráticas,
    apressadas e mal fundamentadas, e por empreitadas lançadas de rompante sem
    conhecimento prévio das instituições afectadas, têm criado conflitos e
    transtornos que acarretam prolongamento de prazos e agravamento de custos.
    Investir no envolvimento cívico representa por isso mesmo não só a prossecução
    dos princípios democráticos como também um bom negócio.

    Note-se que esta proposta não visa aumentar o
    grau de influência do Governo sobre a Metro do Porto, assunto sobre o qual não
    nos pronunciamos; ela destina-se simplesmente a criar regras claras que deverão
    ser seguidas de modo a corrigir as graves lacunas apontadas.

    A criação de uma ligação directa entre a
    estação do IPO e a ESE permitiria salvar a cortina arbórea existente

    Segundo a imprensa foi já aprovado o recuo do
    muro em frente à Escola Superior de Enfermagem (ESE) para a construção de um
    passeio. Esta obra obrigará ao abate ou transplante de toda a cortina arbórea
    existente, o que, dada a falta de espaços verdes na zona e a destruição a que
    se tem assistido, deveria ser evitado a todo o custo. Estamos em crer que é
    possível evitar este abate procurando soluções alternativas o que,
    lamentavelmente e mais uma vez, não foi feito pelas entidades responsáveis.
    Propomos aqui uma solução, entre outras que eventualmente seriam possíveis, que
    remeteremos tanto à Metro do Porto como à ESE.

    Alega-se que o passeio é necessário para
    tornar a ESE acessível aos peões a partir da estação do metro do IPO. Ora isto
    pode ser conseguido através de uma ligação directa, como se ilustra na foto. A
    ligação pedonal ao Hospital de S. João é sempre possível atravessando-se a rua.
    Não é necessário, nem desejável, construir um passeio limitado por um muro de
    um lado e pela linha do metro do outro. Para garantir a segurança dos peões a
    linha do metro seria protegida por um gradeamento simples.

    O
    passeio deixa de ser necessário fazendo-se a ligação à ESE através deste muro.
    É mais fácil e prático para os utentes. Quem precisar de prosseguir o caminho
    teria de atravessar a linha na estação, situação perfeitamente normal,

     


    A cortina arbórea em frente à
    ESE constitui uma barreira protectora e de beleza significativa. Nunca é de
    mais lembrar que a zona da Asprela perdeu a maioria do seu coberto vegetal,
    apesar de cada vez ser o destino de mais e mais pessoas que, portanto,
    deveriam ter à sua disposição espaços verdes de qualidade.

    A Campo Aberto deseja que o prolongamento da
    linha amarela até ao Hospital de S. João se verifique o mais rapidamente
    possível, mas respeitando os valores naturais que ainda subsistem.

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