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    Mudança nos Aliados não é irreversível no Jornal de Noticias (24.02.06)
    «Tribunal Administrativo recusa providência cautelar argumentando que seria possível repor o original por Carla Sofia Luz
    «O Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto entende que não há risco de consumação da “destruição completa e irreversível” do espaço urbano da Avenida dos Aliados e das praças da Liberdade e de General Humberto Delgado, já que é possível demolir o que for entretanto executado e voltar a colocar a calçada portuguesa e os canteiros.

    Na sentença que julga “improcedente” a segunda providência cautelar, o juiz considera que as associações cívícas Campo Aberto, APRIL e GAIA não têm razão ao recear que a alteração em curso na avenida se torne num acto consumado de difícil reparação.

    “Não lhes assiste, contudo, razão na medida em que, sendo certo que o que está em causa para os requerentes é a concreta configuração e arranjo do espaço em causa, então é sempre possível, caso obtenham provimento na acção principal, repor o mesmo tal como ele se apresentava”, lê-se no acórdão do Tribunal Administrativo, com data de 19 de Fevereiro, a que o JN teve acesso. [Pode consultar aqui em PDF (729 KB) o texto integral da sentença do Tribunal Administrativo do Porto]

    Em análise ao parecer favorável, concedido pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), à reabilitação da Avenida dos Aliados, o juiz defende que aquele despacho não configura uma autorização à prática do crime de dano, como argumentavam as associações.

    O IPPAR, “ao dar autorização para a realização das obras em causa, mais não fez do que exercer as competências e o poder-dever que lhe é conferido por lei”, refere-se na sentença do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, adiantando-se que “não é líquido, antes pelo contrário, que estejam em causa obras de demolição” nos Aliados “De facto, as obras que se encontram em curso na Avenida dos Aliados, Praça da Liberdade e Praça de General Humberto Delgado respeitam antes à requalificação desse espaço público”.

    Associações não desistem
    Para o tribunal, a proposta de classificação da avenida e das praças deve-se só aos edifícios, aos monumentos e às esculturas. “Ou seja, os jardins, os passeios, as vias de circulação, enfim, a concreta configuração e arranjo do espaço superficial não se encontram abrangidos no processo de classificação”, refere-se ainda. Por isso, não vê “evidente ilegalidade” no despacho do instituto.

    Recusando-se a julgar a “justeza das sentenças” judiciais, as associações (representadas pelo jurista Paulo Duarte) garantem que, em breve, entrará a acção principal no tribunal para analisar o que ainda não foi avaliado, como a violação do estudo de impacto ambiental ou a realização de obras de reabilitação urbana pela Empresa do Metro do Porto fora do âmbito da concessão, entre outras matérias. »

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    3 comentários até agora.

    1. Anonymous diz:

      Ops … coitadinho do IPAR. E quem é que vai herdar toda a … que entretanto tem digerido, quem é?? Como se passam as consequências (pastas) de tanto acto irresponsável? Quase 40% dos portugueses não votaram, dos que sobram tb 40% não votaram
      “nisto”! Se a gente se pudesse demitir em massa, demitir de comprar gasolina, de ir aos CC, de gastar o pouco dinheiro que temos e lhes faz tanto jeito! Ah, o que estes … precisavam era mesmo duma demissão revolucionária. EP

    2. Australopithecus XXI diz:

      Acho interessante a conclusão do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto:
      “…não há risco de consumação da “destruição completa e irreversível” …“
      “…é possível demolir o que for entretanto executado e voltar a colocar a calçada portuguesa e os canteiros…”
      É obvio que tudo pode ser demolido, afinal de contas existem tecnologias para isto (nem que seja implodindo é o que mereciam algumas pessoas), mas nem tudo pode ser reposto igual como estava antes.
      Bem, acredito que infelizmente a obra já é um facto consumado. Mesmo que surgisse do nada um Juiz com To(…)tes, sempre irromperiam as velhas desculpas do dinheiro já gasto no projecto, etc… etc… desculpas que estamos sempre habituados a ouvir e no final ninguém sai culpado de nada.
      Na minha opinião, pior que o problema da Avenida dos Aliados é a gestão do Património Cultural Português. Justamente por causa dela é que estamos aqui.
      Já repararam que ultimamente em relação ao Património Classificado o IPPAR não dá uma dentro.
      Lembram-se daquela “coisa” que foi reerguida em frente a Sé do Porto? em relação a Avenida dos Aliados fornece um parecer favorável para as obras, em relação ao Túnel de Ceuta retira as queixas e aceita uma decisão que não era a defendida inicialmente… o que mais falta acontecer?.
      Será que também vão acabar por desclassificado o Castro do Alto do Coto da Pena em Caminha?
      Acho que está na hora de fazermos algo contra tanta inoperância e burocracia de um órgão que possui a obrigação de zelar pelo Património Cultural do País. Devemos atacar o mal pela raiz.
      Chega de decisões políticas, queremos decisões Culturais.

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