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    O caso das Antas: há que voltar a
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    Todo o modo de fazer urbanismo no Porto tem que ser passado ao crivo,
    repensado e alterado no sentido de uma cidade mais humana e com maior qualidade
    de vida – é esta a lição que se pode tirar dos lamentáveis episódios de
    manipulação da lei, de política do facto consumado, de agressões e intimidação
    que rodearam e estão a rodear o processo de aprovação do Plano de Pormenor das
    Antas.

    Campo Aberto – Associação de Defesa do Ambiente apela ao Presidente da
    Câmara do Porto, logo que assente a poeira deste episódio em que se condicionou
    abusivamente a livre decisão democrática através da chantagem exercida a
    pretexto do Euro 2004, para que inicie
    um processo de diálogo amplo com os cidadãos e com as associações e correntes
    de opinião que têm manifestado preocupação com o rumo que leva a cidade. É
    preciso evitar enquanto é tempo algumas aberrações urbanísticas em preparação,
    e que não terão já para se impor o pretexto do futebol ou da imagem do país no
    estrangeiro. Há também que traçar novos
    rumos à cidade, segundo um modelo que contrarie a megalomania e desordem que se
    instalou nas últimas décadas. Há por isso que reformular o Plano Director
    Municipal por forma a que ele consagre um modelo de cidade que rompa com o esfacelamento
    e desordenamento hoje reinantes.

    Campo Aberto apela igualmente aos cidadãos e associações do Porto para que
    se envolvam numa observação e reflexão sobre o que é hoje a cidade, e
    intervenham na proposta de soluções mais dignas e mais harmoniosas. Em cada
    bairro, em cada quarteirão, em cada freguesia, convidamos as pessoas a
    reunir-se em volta de algumas ideias muito simples: basta de prepotência de
    certos promotores imobiliários, basta de facilitismo e cumplicidade da
    administração municipal com a destruição da cidade, é urgente a protecção dos
    jardins e espaços verdes existentes e a criação de novos jardins e espaços
    verdes, é urgente a atenuação ou remoção das barreiras arquitectónicas e a
    protecção contra o ruído e o trânsito agressivo, são urgentes espaços
    tranquilos para as crianças brincarem ao ar livre e para os adultos e os mais
    velhos poderem conviver com elas e entre si.

    É preciso que termine no Porto o reinado daqueles que desprezam os que
    cumprem a lei chamando-lhes
    “legalistas”, ou que insultam como “contabilistas”
    os que querem gerir honradamente os dinheiros públicos. É preciso pôr termo a
    pseudo-engenharias financeiras que não passam de leviandades e de hipotecas
    sobre o futuro.

    Saudamos a coragem do Presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, em ter aberto
    uma primeira brecha no muro dos interesses obscuros conluiados, embora pouco ou
    quase nada tenha podido alterar relativamente a factos consumados, apesar de
    estes estarem desprovidos de sólido
    suporte legal. Temos esperança que, de acordo com as afirmações feitas durante
    a campanha eleitoral e já confirmadas nos últimos dois meses em diversas
    declarações públicas e em entrevistas a órgãos de informação, o Presidente Rui
    Rio confirme a sua determinação em criar as condições de uma cidade onde se
    possa ver o céu, onde o cidadão tenha uma palavra a dizer e onde a qualidade de
    vida não seja uma frase oca da publicidade dos interesses responsáveis pelo
    actual caos urbanístico.

    Campo Aberto – Associação de Defesa do Ambiente

    campo_aberto@hotmail.com

    91 730 1025

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