No âmbito da sua linha de trabalho (e título de um livro por si editado) Espaços Verdes e Vivos – um futuro para a Área Metropolitana do Porto, a Campo Aberto – associação de defesa do ambiente constituiu uma parceria com duas associações sedeadas no concelho de Arouca, Círculo Cultura e Democracia e associação Semente de Futuro, com vista à realização de uma Jornada que decorreu no sábado, 18 de junho de 2022. Inserimos adiante informações sobre o decurso dessa Jornada.

    Na Serra da Freita, em pleno Geoparque de Arouca

    (Fotos de Cláudio Anes)

    JORNADA PATRIMÓNIO NATURAL, ECOLÓGICO E PAISAGÍSTICO — E CIDADANIA
    NO CONCELHO DE AROUCA
    Colocado em 12 de julho de 2022

    PRESERVAR O PATRIMÓNIO NATURAL, INCENTIVAR A CIDADANIA ECOLÓGICA
    NO CONCELHO DE AROUCA

    Reforçar a sensibilização para a natureza, nomeadamente a partir do Geoparque, instar os poderes públicos locais e centrais a envolverem-se mais na formação profissional tanto para os trabalhadores da floresta como para os agricultores, e na educação ambiental junto dos jovens, fazendo ligação aos programas escolares, propor às juntas de freguesia que se envolvam mais na preservação e divulgação do património natural da sua área, foram algumas das prioridades manifestadas pelos mais de trinta participantes de uma Jornada que decorreu na tarde do dia 18 de junho do ano corrente, nas instalações da Academia Sénior de Arouca (ASARC).

    Património Natural, Ecológico e paisagístico no concelho de Arouca — e Cidadania, foi o mote da Jornada, organizada em parceria pela Campo Aberto (associação de defesa do ambiente sedeada no Porto), pelo Círculo Cultura e Democracia e pela Semente de Futuro, duas associações com sede no concelho de Arouca. A Jornada contou com o apoio e participação da AGA – Associação do Geoparque de Arouca, e do Pelouro do Ambiente do município.

    Desenvolver o voluntariado nesta área, incentivar os cidadãos a que se impliquem pessoalmente na preservação desse património através de comportamentos coerentes com tal objetivo, evitar o desperdício de água e melhorar a sustentabilidade das linhas de água existentes, combater a ideia de que é difícil habitar a floresta, criar um centro tecnológico em matéria florestal, considerar comparativamente os efeitos da agricultura convencional face à agricultura biológica, foram alguns outros dos temas abordados. Para uma informação mais pormenorizada, veja-se este espaço digital. Uma notícia complementar sobre a Jornada pode encontrar-se no blogue Mirante, mantido pelo vice-presidente da ASARC, Dr. José Cerca. Pode ler-se aqui uma memória mais completa e visualmente mais sugestiva e prática, elaborada pelo Círculo Cultura e Democracia.

    A Jornada contou, no período inicial, com uma saudação da Presidente do executivo municipal de Arouca, Margarida Belém. Foi a seguir feita uma comunicação pela Coordenadora Executiva da AGA – Associação Geoparque de Arouca, Dra Daniela Rocha (que acompanhou os trabalhos durante toda a Jornada), sobre a história, objetivos e âmbito de intervenção do Geoparque, bem como sobre a forma como nele se encara o património natural, ecológico e paisagístico enquanto Geoparque Mundial da UNESCO.

    Também o Vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Arouca, António Carlos Duarte, esteve presente, tendo apresentado algumas ideias do Pelouro do Ambiente sobre os temas abordados, em intervenção na parte final da Jornada. Nessa parte, em plenário, os participantes partilharam os resultados da troca de ideias realizada entretanto em pequenos grupos, tendo sido então debatidas algumas das propostas apresentadas nesses grupos.

    Nota: a síntese dos trabalhos da Jornada acima inserida teve como base informações elaboradas pela equipa do Círculo Cultura e Democracia, mais adiante disponíveis de modo mais completo. A Jornada começou com a abertura pelas três associações organizadoras, prosseguiu com uma comunicação da Dra Daniela Rocha, diretora executiva da Associação do Geoparque de Arouca, e prosseguiu com trabalho em pequenos grupos dos participantes e sua apresentação e discussão em plenário final. 

    No Geoparque de Arouca

    Comunicação da Dra Daniela Rocha,
    Coordenadora do Arouca Geopark

    Súmula

    Histórico

    Desde 1991, valorização do património geológico do mundo: Declaração sobre os Direitos à Memória da Terra (13 de junho de 1991) http://portal.iphan.gov.br/uploads/temp/Declaracao_Internacional_dos_Direitos_a_Memoria_da_Terra.pdf
    2000: conceito de Geoparque
    2001: Geoparque faz parte do programa da UNESCO
    2004: redes Europeias e Global de Geoparques
    2006: primeiro Geoparque em Portugal, NaturTejo, nos concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Penamacor, Proença-a-Nova, Nisa, Oleiros e Vila Velha de Ródão.
    2006: início do levantamento geológico do território de Arouca
    9 de junho de 2008, Criação da AGA – Associação Geoparque de Arouca, de direito privado sem fins lucrativos.
    2009: é criado o Geoparque de Arouca
    2012: é criado o Geoparque Açores (9 ilhas, 1 só Geoparque)
    2014:  é criado o Geoparque de Macedo de Cavaleiros
    2015:  a AGA é integrada no programa da UNESCO. O geoparque de Arouca, com uma área de 328km2, é integrado no Programa Mundial de Geoparques da Unesco.
    2020: é criado o Geoparque da Estrela
    2021: é criado o Geoparque do Oeste
    Atualmente existem 177 geoparques espalhados por 74 paises.
    Os Geoparques são reavaliados a cada quatro anos pela UNESCO.

    Conceito de Património natural, ecológico e paisagístico

    No âmbito da Unesco: património de relevância internacional, que implica um desenvolvimento local sustentável e inclui o património cultural. Não é um parque temático, nem um parque natural.

    Para ser considerado como Geoparque Mundial da UNESCO, tem que ser um território geológico com relevância internacional, que tenha limites bem definidos, podendo englobar vários municípios, numa estratégia de gestão «bottom up»(de baixo para cima). O Geoparque não é gerido pelo Estado, entenda-se Governo, mas por uma estrutura de gestão com benefícios para a Comunidade, em linha com os objetivos de sustentabilidade da UNESCO.

    Um Geoparque consiste num património natural, tendo em conta a sua parte viva e a parte não viva; é um património paisagístico natural e humanizado – «o Património é DE e PARA as pessoas». Trabalha em rede aos níveis local, nacional e internacional, em benefício da comunidade.

    Os objetivos do Arouca Geopark estão ligados aos objetivos de sustentabilidade da UNESCO. Desde 1965, Arouca trabalha nas áreas da geo-preservação, educação para o desenvolvimento, turismo sustentável, empoderamento das mulheres, e outras.

    Projetos do Arouca Geopark

    Partem do princípio que o Património Natural tem que ser interpretado de uma forma holística.

    1 Visitas interpretadas e Formação de 90 guias intérpretes para estas visitas; trabalho com as escolas, fazendo a ligação com os programas curriculares.

    2  Promover a participação dos cidadãos na inventariação da nossa fauna, flora e fungos através do projeto RIPAR – Registar as observações através de fotografia, Identificar as espécies e PARtilhar a informação com a sociedade através do website Biodiversity4all.

    3 Controlar as espécies invasoras e sensibilizar a população para esta questão.

    4 Projeto Arouca Agrícola com produtores locais: produção, distribuição, divulgação. Sensibilização e formação dos produtores para uma produção biológica.

    Algumas datas significativas do Arouca Geopark

    – 2009: criação do Geoparque de Arouca

    – 2011: I Congresso internacional  de Arouca sobre o conceito de Geoturismo do qual saiu a Declaração de Arouca sobre  este  assunto

    – 2012: Abertura da Casa das Pedras Parideiras e Conferência Europeia sobre os Geoparques

    – 2013: Abertura da Loja Interativa de Arouca – LITA

    – 2014: Estação sobre a biodiversidade no Murejal, no concelho de Arouca

    – 2015: Abertura dos passadiços do Paiva e Rota do Geoparque

    – 2017: Criação do Arouca Agrícola

    – 2020: Ciência Cidadã: abertura do site sobre Biodiversidade (projeto RIPAR)

    – 2021: Abertura da Ponte 540

    – 2022: Abertura da Ecovia e classificação das Pedras Parideiras.

    No Geoparque de Arouca

    GESTÃO DO AROUCA GEOPARK

    O Geoparque de Arouca é gerido pela Associação Geoparque de Arouca – AGA

    Órgãos sociais para o quadriénio 2018-2022

    Mesa da Assembleia Geral Presidente | União de Freguesias de Canelas e Espiunca; Vice-presidente | Agrupamento de Escolas de Arouca; Secretário | Freguesia de Moldes; Suplente | Just Come

    Direção

    Presidente | Município de Arouca; Vice-presidente | Turismo do Porto e Norte de Portugal, ER; Secretário | Manuel Valério Soares Figueiredo; Tesoureiro | Adrimag – Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das Serras de Montemuro, Arada e Gralheira; Vogal | Turismo do Centro de Portugal, ER; Suplente | Hotel S. Pedro, Sociedade Hoteleira, Lda; Suplente | Clube do Paiva – Teles, Soares & Teles, Lda.

    Conselho Fiscal

    Presidente | Hotel Rural Quinta de Novais, Lda; Vice-presidente | AECA – Associação Empresarial de Cambra e Arouca; 1ª Vogal | CCAM, Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Arouca; 2ª Vogal | Associação Florestal do Entre Douro e Vouga (AFEDV).

    Conselho Científico Artur Sá | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; José Brilha | Universidade do Minho; Jorge Medina | Universidade de Aveiro; Maria Helena Henriques | Universidade de Coimbra; Fernando Noronha | Universidade do Porto.

    Trabalhos em pequenos grupos e debate em plenário

    Na jornada, pequenos grupos de debate e análise trocaram ideias e projetos. Em cada grupo temático, um  relator anotou uma súmula dos assuntos versados, e, com base nessas súmulas e no debate final, o Círculo Cultura e Democracia elaborou conclusões globais. Por sua vez, estas serviram para a elaboração de uma síntese de conjunto, que inicia este artigo, e que servirá para divulgar as conclusões da Jornada.

    Seguem-se as anotações dos relatores e do Círculo Cultura e Democracia, que as organizou. Cada grupo temático tinha várias «mesas», ou seja, subgrupos de quatro ou cinco participantes. A conversa rodou em volta de algumas perguntas que visavam suscitar a escuta mútua e a expressão recíproca.

    Trabalhos do grupo temático «Atividades agrícolas, florestais, turísticas e o ambiente»

    Síntese das 3 mesas:

    Pergunta 1 : Qual é o meu contributo (ou o contributo da minha entidade (associação…) para a preservação deste património? Tópicos abordados: – Sustentabilidade ambiental, económica e social das atividades; – Promoção de parcerias locais; – Compatibilização de interesses; – Fazer cumprir a lei em todos os aspetos no que diz respeito ao Ambiente; – Formação dos agricultores; – Promover uma floresta resiliente com cidadãos responsáveis; – Sensibilização dos jovens ao ambiente, educação ambiental sobre as plantas autóctones e invasoras; – Sensibilização à produção biológica; – Sensibilização das pessoas ao território, à comunidade e ao ambiente.

    Pergunta 2:  Como gostaria que os outros contribuíssem? Estabelecendo parcerias para resolução dos problemas (ex: Aldeias Seguras) e organizando a exploração coletiva da floresta;  Unindo as forças no setor agrícola para preservar o património natural;  Tendo uma postura holística e construtiva e orientada para encontrar soluções mesmo que imperfeitas;  Maior intervenção das entidades envolvidas;  Envolvendo-se pessoalmente para o bem comum.

    Pergunta 3: O que me proponho fazer para facilitar as mudanças desejáveis? Desenvolver uma comunidade agrícola mais formada e competente; – Participar em organizações que possam fazer pressão sobre os decisores políticos; – Fazer voluntariado e influenciar a minha rede social; – Trabalhar em rede no «Grupo de gestão local partilhada».

    Trabalhos do grupo temático «Atividades económicas, artesanais e empresariais e o ambiente»

    Pergunta 1 : Qual é o meu contributo (ou o contributo da minha entidade (associação…) para a preservação deste património? Tendo um comportamento coerente em relação com a natureza para a sua preservação e conservação; – O contributo do Município de Arouca para a preservação do património natural é procurar envolver todos os setores de atividade, seja florestal, agrícola, comercial ou industrial (cumplicidade entre os setores).

    Pergunta 2: Como gostaria que os outros contribuíssem? – Com o contributo das juntas e associações locais para a promoção do património local através de ações de sensibilização e voluntariado; – Escutando e tentando perceber as dificuldades e limitações inerentes à atividade; – Com um maior marketing dos produtos de Arouca fora de Arouca por parte da AGA; – Continuando a implementar nas escolas as boas práticas agrícolas.

    Pergunta 3: O que me proponho fazer para facilitar as mudanças desejáveis?  – o Município tem um papel importante na preservação do património natural (floresta) através da formação; – Tendo disponibilidade para partilhar as vivências e conhecimentos com as entidades responsáveis.

    Trabalhos do grupo temático «Cidadania e Património Natural, Ecológico e Paisagístico e o ambiente»

    Pergunta 1: Qual é o meu contributo (ou o contributo da minha entidade (associação…) para a preservação deste património? – Aproximando as populações rurais e urbanas através da abordagem de temáticas ligadas ao ambiente; – Disponibilizando terreno privado para apoio à luta contra os incêndios; – Utilizando os resíduos domésticos para fazer compostagem; – Sensibilizando as pessoas através de ações no terreno (plantação na Serra da Freita), divulgando estas ações (contágio positivo).

    Pergunta 2: Como gostaria que os outros contribuíssem? – Com mais apoio das entidades formais, nomeadamente o Arouca Geopark, para fazer a ponte entre as pessoas e o ambiente; – Da parte da Câmara de Arouca e outras entidades formais, com a criação de um sistema de alerta, o uso dos recursos privados existentes e o fornecimento aos cidadãos de depósitos adequados para fazer a compostagem; – Da parte das pequenas organizações: trabalhar em rede, com o apoio direto e próximo das autoridades; organizar ações de sensibilização lúdicas; dinamizar mais clubes ligados ao ambiente; – Visitando este património para o conhecer.

    Pergunta 3: O que me proponho fazer para facilitar as mudanças desejáveis? – Insistir nas propostas já feitas; – Integrar-me numa organização para trabalhar em rede e, juntos, propor às autoridades a criação de um cargo que promova a comunicação entre as organizações; – Divulgar o Clube da UNESCO junto dos jovens do Interact Club e do Rotary Club de Arouca; – Restaurar jazigos abandonados para reutilização.

    Síntese dos três temas

    É importante:

    –  desenvolver a formação profissional, tanto para os trabalhadores da floresta como para os agricultores, para termos profissionais habilitados e competentes;

    – reforçar a sensibilização para a natureza, nomeadamente da parte do Geoparque, e também junto dos jovens (educação ambiental, fazendo a ligação com os programas escolares);

    – pressionar as autoridades para que se envolvem mais nestas duas áreas, bem como em ações concretas, como o fornecimento de depósitos adequados para a compostagem aos cidadãos e o uso dos recursos privados e, da parte do Geoparque, promovendo a divulgação dos produtos locais fora do concelho;

    – estabelecer parcerias com outras organizações e entidades que têm que se mostrar mais interventivas;

    – desenvolver o trabalho em rede, com o apoio das autoridades;

    – divulgar melhor este tema e as ações realizadas na imprensa, nas redes sociais, tornando esta divulgação mais atrativa nas redes sociais dos jovens;

    – mobilizar as juntas de freguesias para que se envolvem mais na preservação e divulgação do património natural da sua área;

    – desenvolver o voluntariado nesta área;

    – implicar-se pessoalmente na preservação deste património através de comportamentos coerentes com este objetivo.

    No Geoparque de Arouca

    Questões complementares surgidas no plenário

     A água: – evitar o desperdício de grandes quantidades e melhorar a sustentabilidade das linhas de água existentes.

    A floresta: – combater a ideia que é difícil habitar a floresta;  – pedir uma maior intervenção do Geoparque na abordagem dos problemas ligados à floresta;  criar um centro tecnológico na área da floresta.

    Pastorícia: – é preciso formar pastores através de uma entidade habilitada.

    Apoios financeiros: – as autoridades têm que fazer a ponte entre a administração e as pessoas apoiando-as na elaboração das candidaturas.

    Uma sugestão: Olhar para os efeitos da agricultura convencional vs a agricultura biológica.

     

     

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