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    No dia 4 de Setembro de 2010, organizada pela Campo Aberto, em parceria com João Gonçalves
    (designer de permacultura)
    , decorreu nas freguesias de Ázere e Póvoa de Midões (localizadas no concelho
    de Tábua), uma Visita a Quintas de Permacultura.

    Em Ázere visitámos a Quinta do Cabeço do Mato, propriedade de um casal inglês, que há vinte e um anos
    se fixou nesta localidade. O passeio pela Quinta, aproximadamente com 10 ha, permitiu-nos observar:
    1) o início de um projecto que se prende com a construção de uma EcoAldeia, com dez habitações, a
    edificar com materiais ecológicos, como tijolos de argila e um agregado de madeira e argila;
    2) o aproveitamento de resíduos recorrendo à compostagem mas, também, a restos agrícolas,
    dejectos de animais e, a utilizar brevemente, a vermicompostagem; espalhadas pela quinta
    distribuem-se casas de banho secas;
    3) a irrigação do espaço agrícola que se faz por gravidade, recorrendo-se também à irrigação gota-a-
    gota; a associação de plantas de diferentes alturas, fazendo as plantas mais altas sombra às mais
    baixas e com maior necessidade de humidade;
    4) atendendo ao desnível do terreno a plantação de árvores de fruto acompanha as curvas de nível
    de igual cota, de modo a evitar pequenos deslizamentos de terras;
    5) uma piscina biodinâmica e a EcoCasa, sendo esta um espaço de convívio, onde decorrem os
    Encontros Verdes, bem como outras actividades dentro do lema da sua proprietária: “a única
    maneira de ajudar a raça humana é abrir os braços e aceitar todos”.
    Na Quinta faz-se o aproveitamento da energia solar, estando a ser recuperado um moinho de água, com
    o objectivo de complementar a produção de energia solar, que no inverno é menor. A moagem de cereais
    será outra das funcionalidades a desempenhar pelo moinho.

    Na Quinta Yurt ou Quinta do Animal, na freguesia de Póvoa de Midões, teve lugar um almoço apetitoso,
    com produtos da Quinta, e que decorreu num agradável convívio. A Quinta, localizada numa vertente
    desnivelada do Rio Mondego, que pacatamente segue o seu percurso, foi percorrida a pé e sob a
    orientação da incansável proprietária, Fiona, de origem inglesa.

    O gado (cabras, porcos, galinhas,…), criado na Quinta em regime extensivo, assegura a produção de
    carne, queijo e ovos. A produção agrícola recorre a métodos de permacultura, como a cama alta utilizada
    nas culturas hortícolas e a reciclagem de água para irrigação de árvores de fruto. A Quinta produz
    também azeite. A produção agrícola é assim incentivada pela necessidade de alimentar o grupo familiar.
    Como complemento à actividade agrícola são alugados Yurt, tendas com uma estrutura circular em
    madeira, proveniente de árvores locais, e que podem proporcionar umas férias relaxantes, em convívio
    directo com a natureza.

    A última quinta a visitar foi a Quinta do Boiço, aproximadamente com 7 ha, também propriedade de
    um casal inglês, e onde é notório o domínio de culturas arbóreas de fruto como: macieiras, pereiras,
    cerejeiras, pessegueiros, figueiras, laranjeiras, romãzeiras,…
    Estas árvores são encobertas por outras, verificando-se o método de permacultua árvores em estrato.
    Tal com nas outras quintas visitadas, compostores, casas de banho secas e produção de energia solar
    apoiam a vivência da família e visitantes deste espaço.

    Perante o presenciado na visita, é interessante assinalar a fixação, nesta região, de estrangeiros que
    compram os terrenos a proprietários portugueses, estes com idade elevada e cujos filhos emigraram, em
    busca de outras condições de vida, quer para o Litoral quer para o estrangeiro. Como é óbvio, estamos a
    referir-nos a pessoas (os que partem e os que se fixam) com objectivos e estilos de vida diferentes.
    Enquanto os “nossos” abandonam as áreas rurais por não verem nelas perspectivas de desenvolvimento
    económico, eis que se assiste à fixação de estrangeiros que descobrem potencialidades nas áreas rurais
    abandonadas pelos primeiros, oferecendo-lhes estas a proximidade com a natureza, de uma forma pouco
    ou nada artificial (embora a utilização de tecnologias seja feita de forma oportuna), num reconhecimento
    da urgência em viver em equilíbrio com ela, perante a necessidade de diminuir a dependência legada pelo
    estilo de vida urbano e a limitação dos recursos.

    Visita a repetir!

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    Categorias: Eventos & Visitas

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