Relato da Visita a Quintas de Permacultura

por | Out 7, 2010 | sem categoria | 0 Comentários

No dia 4 de Setembro de 2010, organizada pela Campo Aberto, em parceria com João Gonçalves
(designer de permacultura)
, decorreu nas freguesias de Ázere e Póvoa de Midões (localizadas no concelho
de Tábua), uma Visita a Quintas de Permacultura.

Em Ázere visitámos a Quinta do Cabeço do Mato, propriedade de um casal inglês, que há vinte e um anos
se fixou nesta localidade. O passeio pela Quinta, aproximadamente com 10 ha, permitiu-nos observar:
1) o início de um projecto que se prende com a construção de uma EcoAldeia, com dez habitações, a
edificar com materiais ecológicos, como tijolos de argila e um agregado de madeira e argila;
2) o aproveitamento de resíduos recorrendo à compostagem mas, também, a restos agrícolas,
dejectos de animais e, a utilizar brevemente, a vermicompostagem; espalhadas pela quinta
distribuem-se casas de banho secas;
3) a irrigação do espaço agrícola que se faz por gravidade, recorrendo-se também à irrigação gota-a-
gota; a associação de plantas de diferentes alturas, fazendo as plantas mais altas sombra às mais
baixas e com maior necessidade de humidade;
4) atendendo ao desnível do terreno a plantação de árvores de fruto acompanha as curvas de nível
de igual cota, de modo a evitar pequenos deslizamentos de terras;
5) uma piscina biodinâmica e a EcoCasa, sendo esta um espaço de convívio, onde decorrem os
Encontros Verdes, bem como outras actividades dentro do lema da sua proprietária: “a única
maneira de ajudar a raça humana é abrir os braços e aceitar todos”.
Na Quinta faz-se o aproveitamento da energia solar, estando a ser recuperado um moinho de água, com
o objectivo de complementar a produção de energia solar, que no inverno é menor. A moagem de cereais
será outra das funcionalidades a desempenhar pelo moinho.

Na Quinta Yurt ou Quinta do Animal, na freguesia de Póvoa de Midões, teve lugar um almoço apetitoso,
com produtos da Quinta, e que decorreu num agradável convívio. A Quinta, localizada numa vertente
desnivelada do Rio Mondego, que pacatamente segue o seu percurso, foi percorrida a pé e sob a
orientação da incansável proprietária, Fiona, de origem inglesa.

O gado (cabras, porcos, galinhas,…), criado na Quinta em regime extensivo, assegura a produção de
carne, queijo e ovos. A produção agrícola recorre a métodos de permacultura, como a cama alta utilizada
nas culturas hortícolas e a reciclagem de água para irrigação de árvores de fruto. A Quinta produz
também azeite. A produção agrícola é assim incentivada pela necessidade de alimentar o grupo familiar.
Como complemento à actividade agrícola são alugados Yurt, tendas com uma estrutura circular em
madeira, proveniente de árvores locais, e que podem proporcionar umas férias relaxantes, em convívio
directo com a natureza.

A última quinta a visitar foi a Quinta do Boiço, aproximadamente com 7 ha, também propriedade de
um casal inglês, e onde é notório o domínio de culturas arbóreas de fruto como: macieiras, pereiras,
cerejeiras, pessegueiros, figueiras, laranjeiras, romãzeiras,…
Estas árvores são encobertas por outras, verificando-se o método de permacultua árvores em estrato.
Tal com nas outras quintas visitadas, compostores, casas de banho secas e produção de energia solar
apoiam a vivência da família e visitantes deste espaço.

Perante o presenciado na visita, é interessante assinalar a fixação, nesta região, de estrangeiros que
compram os terrenos a proprietários portugueses, estes com idade elevada e cujos filhos emigraram, em
busca de outras condições de vida, quer para o Litoral quer para o estrangeiro. Como é óbvio, estamos a
referir-nos a pessoas (os que partem e os que se fixam) com objectivos e estilos de vida diferentes.
Enquanto os “nossos” abandonam as áreas rurais por não verem nelas perspectivas de desenvolvimento
económico, eis que se assiste à fixação de estrangeiros que descobrem potencialidades nas áreas rurais
abandonadas pelos primeiros, oferecendo-lhes estas a proximidade com a natureza, de uma forma pouco
ou nada artificial (embora a utilização de tecnologias seja feita de forma oportuna), num reconhecimento
da urgência em viver em equilíbrio com ela, perante a necessidade de diminuir a dependência legada pelo
estilo de vida urbano e a limitação dos recursos.

Visita a repetir!

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