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    As mais recentes notícias, vindas a lume sobre a Quinta de Marques Gomes, em Canidelo, Vila Nova de Gaia, são inquietantes. A coberto de uma pretensa operação de «requalificação urbana», continua a pretender-se a ocupação imobiliária de um dos poucos espaços livres naquele concelho, ainda para mais inserido numa área particularmente sensível, no aspecto paisagístico e ecológico, que é envolvência da Baía de S. Paio e do Estuário do Douro, proposto já para a categoria de reserva natural e integrada na Estrutura Ecológica Metropolitana (estudo encomendado pela CCDR).

    Trata-se de um vasto espaço verde com actividade agrícola e um coberto vegetal hoje degradado ˆ mas passível de recuperação ˆ e aproveitamento para área de lazer e de contacto com a natureza e a ruralidade, ajudando à «descompressão» de um território gaiense e metropolitano tão carenciado e entregue à monocultura do betão.

    Qualquer intervenção nesse local deveria ser cautelosa e criteriosa. Mas o que se anuncia é o contrário: construção de 1100 casas, totalizando 148 mil metros quadrados de habitação – com cércea média de 4 andares, a que se soma 10 mil metros quadrados de escritórios e 70 mil de estacionamento subterrâneo. Face a uma tão pesada e gananciosa  ocupação, quaisquer contrapartidas, a existirem, mais não serão que paliativos, visando talvez iludir a opinião pública.

    Apesar das evidências – e dos protestos generalizados ˜ foi aprovado, em Assembleia Municipal, o protocolo que tenta viabilizar o «negócio», celebrado entre a Câmara de Gaia, o grupo Imobiliário Espírito Santo e a GaiaPolis. Este documento, porém, de nada vale, resumindo-se a um processo de intenção, já que a operação imobiliária viola o PDM em vigor ˆ e a suspensão do mesmo, já proposta pela autarquia, não foi ainda aprovada pelo Governo.

    A Campo Aberto, em sintonia com inúmeros cidadãos que têm manifestado a sua indignação, apela às entidades envolvidas para que, num esforço de bom-senso e em nome do interesse público, suspendam o processo que culminará na destruição da Quinta de Marques Gomes e no empobrecimento de toda a zona onde se insere.

    Igualmente, remeteremos ao Governo, nas pessoas do Sr. Primeiro Ministro e Sr. Ministro do Ambiente, uma reclamação, alertando para a necessidade de ser recusada a alteração pretendida do PDM de Gaia e apelando, para a evidente irracionalidade e irregularidade de todo este processo, que aliás assume contornos pouco claros. Está nas mãos do Governo, mas também e sempre dos cidadãos, impedir este atentado contra o património natural e o interesse colectivo.

    Que, a coberto de palavras tais como «requalificação» e «reconversão urbana», se assista a desmandos tão graves, tão pouco transparentes e lesivos do ambiente, apenas leva a concluir da necessidade de mobilização cívica e atenção redobrada, sem o que continuaremos a ver desfigurada a paisagem e dilapidado o património natural.

    Ainda é possível salvar a Quinta de Marques Gomes!

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