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    Comunicado à imprensa

     

    8 de Setembro de 2003

     

     

    O Pólo
    da Asprela da Universidade precisa de ser repensado

     

    Visita
    ao local, hoje, às 14:30, com encontro na Igreja de Paranhos

     

    Estão actualmente em curso no
    Pólo II da Universidade do Porto (UP), também conhecido por “Pólo da Asprela”,
    as obras de construção da linha amarela do Metro do Porto. Em breve iniciar‑se‑á,
    também, a concretização do plano urbanístico preparado para a zona e coordenado
    pela UP.

     

    Sabemos que esta área da cidade
    cresceu de forma desmesurada nos últimos anos sem um planeamento adequado,
    sobretudo no que respeita à dotação de espaços e equipamentos públicos em
    quantidade e qualidade e a um sistema de transportes eficiente. Infelizmente, o
    novo plano, embora represente uma melhoria relativamente à situação actual,
    enferma de problemas estruturais que deveriam ser prontamente corrigidos.

     

    ð A zona
    verde proposta é uma fracção daquela que seria possível

    Na área da Asprela subsiste,
    ainda, uma vasta zona verde com carácter seminatural e agrário, destacando-se a
    passagem da Ribeira da Asprela. A falta de espaços verdes públicos na área é de
    tal ordem que seria de esperar a conservação da sua quase totalidade. Contudo,
    não é isto que o plano propõe, apesar de a UP tentar provar o contrário. Na
    verdade, aqueles são renegados para um segundo plano, ocupando uma área
    bastante diminuta. Nunca é de mais lembrar que os verdadeiros campus
    universitários integram, por norma, enormes zonas verdes, que cumprem funções
    ecológicas e sociais insubstituíveis. O plano da Asprela e o Metro do Porto não
    disfarçam sequer a sua “antipatia” pelo verde: alguns maciços arbóreos de
    espécies espontâneas serão simplesmente aniquilados, o que seria evitável se
    tivesse havido essa preocupação durante a sua concepção.

     

    ð Nem a
    Ribeira da Asprela é protegida!

    Pior ainda, talvez, é a
    intervenção prevista para a Ribeira da Asprela que, ao invés de prever a sua
    recuperação e valorização, se perspectiva como brutal, estando mesmo
    contemplado o entubamento de uma parte considerável. É ponto assente e admitido
    politicamente que o entubamento das diversas linhas de água tem sido um dos
    maiores erros ecológicos cometidos na cidade do Porto. Não há dúvida que os
    planos da UP e da Metro do Porto padecem de um infeliz anacronismo. Actualmente,
    a canalização dos cursos de água já não pode ser sequer opção, já que, enquanto
    elementos estruturais da paisagem, devem ser recuperados para usufruto dos
    cidadãos e criação de condições para a subsistência de maior biodiversidade.

     

    A Campo Aberto e o GAIA exigem da
    UP e do Ministério do Ambiente a correcção deste gravíssimo erro.

     

    ð O plano
    representa a continuação da excessiva ocupação do solo

    O projecto afigura-se como uma
    continuação da política de expansão e construção urbana desenfreada, baseada,
    no essencial, na apropriação e ocupação de espaços naturais e rurais por vários
    edifícios e outras infra-estruturas como estradas e parques de estacionamento.
    De facto, baseia-se num paradigma de urbanismo no qual a cidade surge em
    ruptura com os seus espaços naturais e rurais, ao invés de se conceber e
    edificar incorporando esses mesmos elementos como vectores de profunda valorização
    e equilíbrio de si própria.

     

    Urge questionar como é que se
    pretende promover a construção imobiliária nesta área da cidade, com uma
    implicação em termos de sacrifícios ambientais tão considerável, quando outras
    áreas, nomeadamente o centro tradicional, definham pela perda acentuada de
    população e pelo número elevado de alojamentos devolutos susceptíveis de
    renovação e reabitação. Circunstância particularmente grave quando a população
    estudantil se constitui como um elemento essencial no sentido de reverter esse
    processo de abandono, sobretudo através da revitalização dos inúmeros edifícios
    antigos que se encontram neste momento em adiantado estado de degradação, aliás
    conforme prevê o plano para a recuperação da Baixa elaborado pela Câmara do
    Porto.

     

    ð O plano
    aposta fundamentalmente no transporte individual

    No Pólo da Asprela realizam-se já
    cerca de 40000 deslocações diárias. Com a construção dos equipamentos previstos
    no plano este valor deverá subir significativamente. Para lidar com números
    desta ordem e garantir a qualidade ambiental da zona a única opção séria é
    apostar decididamente no transporte público colectivo. O metro representará um
    enorme contributo neste sentido, mas por isso mesmo não se compreende o enorme
    estímulo que é dado ao automóvel individual com a construção de vários novos
    parques de estacionamento e arruamentos. Esta política pode-se mesmo considerar
    “esquizofrénica”: ao serem criadas as condições quase ideais para o transporte
    individual está-se a pôr em causa a viabilidade do transporte colectivo e todo
    o enorme investimento realizado. Trata-se, pois, de um incrível desperdício de
    dinheiros públicos, para os quais não é difícil encontrar muito melhor
    aplicação.

     

    ð Assegurar
    a participação pública

    Cremos que, pela importância da
    área em causa, urge lançar a discussão sobre todas estas questões e, sobretudo,
    evitar que as potenciais intervenções se apresentem como irreversíveis, num
    processo que se tem vindo a situar, em larga medida, à margem do exercício de
    discussão democrática e de participação das diversas sensibilidades cívicas nas
    decisões.

     

    ð Conclusão

    A degradação urbanística que o
    Porto tem vindo a sofrer leva-nos a lançar este “grito de alerta”. Não deixem,
    por favor, que uma tão grande zona da cidade seja irreversivelmente degradada,
    com consequências altamente negativas para a qualidade de vida dos estudantes e
    trabalhadores deste Pólo Universitário e Hospitalar.

     

    Para mais informações contactar:

    Campo Aberto – Associação de
    Defesa do Ambiente (Nuno Quental – 93 375 39 10)

    GAIA – Grupo de Acção e
    Intervenção Ambiental (Pedro Pereira – 93 447 62 36)

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