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    BOLETIM PORTO E NOROESTE EM DEBATE
    resumo das notícias de ambiente e urbanismo em linha

    Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

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    Para os textos integrais das notícias consultar as ligações indicadas.
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    Opinião: Recomeçar de novo

    Nas passagens de ano, como nas festas de aniversário, ecoam
    longinquamente cerimónias evocativas dos ciclos regeneradores da vida
    (da respiração de Deus, como diz o salmista), de renovação e
    recomeço. É assim que um novo ano parece sempre reacender, mesmo nos
    corações mais cépticos, a absurda e melancólica chama da esperança. O
    grego tem dois termos para a ideia de “novo” “neos” (novo em idade)
    e “kainos” (novo em natureza). Ora, não acreditando decerto ninguém
    que o ano que agora começa seja de natureza distinta da do que
    acabou, resta festejar a sua imatura e tenra idade. Hoje, porque
    amanhã terá já envelhecido. Nele inconvictamente pressentimos talvez,
    como naquele menino franzino e “setemezinho” de “Morte e vida
    severina”, de João Cabral de Melo Neto, a beleza breve e súbita que
    habita sempre “qualquer coisa nova/ inaugurando o seu dia” (nem que
    seja uma coisa tão prosaica como um ano civil), celebrando tudo
    aquilo que, só pelo facto de ser novo, “corrompe/ com sangue novo a
    anemia” e “infecciona a miséria/ com vida nova e sadia”. Talvez, mas
    que sei eu?, seja sentido a mais para um dia igual a todos os outros,
    mas até nas nossas cidades anónimas e “desnaturadas” os símbolos
    continuam a observar, do fundo do tempo, silenciosamente os homens.

    Manuel António Pina

    https://jn.sapo.pt/2008/01/01/ultima/recomecarde_novo.html

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    1. Porto: Temas quentes na agenda de 2008

    METRO DO PORTO
    AEROPORTO
    BOLHÃO
    CENTRO HISTÓRICO
    VIA NUN’ÁLVARES
    QUINTA DA CONCEIÇÃO
    VIA-FÉRREA DE ESPINHO
    PARQUE MAIOR

    https://jn.sapo.pt/2008/01/01/porto/temas_quentes_agenda_2008.html

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    2. Barragem de Foz Tua

    Deverá ser aberto nos próximos dias o concurso para a pré-selecção de
    candidatos à construção da barragem de Foz Tua. O processo vai
    decorrer, pelo menos, entre três e seis meses e representa o início
    formal do empreendimento hidroeléctrico. Será o primeiro a avançar
    dos dez inscritos no Plano Nacional de Barragens, estimando o Governo
    que dentro de um ano possa haver obras no terreno.

    Se todos os autarcas concordarem, a ideia poderá mesmo redundar na
    criação de uma associação, tal como aconteceu, com bons resultados,
    no Baixo Sabor, onde também vai ser construída uma barragem. Os
    municípios de Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Mogadouro e Macedo
    de Cavaleiros conseguiram um fundo financeiro anual de cerca de 750
    mil euros (3% da factura líquida da produção de energia).

    Entretanto, ontem, três associações ambientalistas mostraram-se mais
    uma vez contra a construção alertaram para “obras ilegais” que
    decorreram junto à foz do rio Tua, Alijó. A EDP garante que todos os
    trabalhos de prospecção geológica naquela área com vista à construção
    da barragem estão devidamente licenciados.

    https://jn.sapo.pt/2008/01/01/norte/preseleccao_dita_arranque_barragem_f.html

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    3. Opinião: Coimbra e a ideia de Europa

    “A Europa é feita de cafetarias, de cafés.” A afirmação é de George
    Steiner, no ensaio “A ideia de Europa”, traçando um retrato do Velho
    Continente. O espírito é o de que, “mesmo as ideias mais abstractas,
    especulativas, têm de estar ancoradas na realidade, na substância das
    coisas”. E os cafés a que se refere “vão da cafetaria preferida de
    Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsters
    de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava
    nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo.” Quase nenhum
    café “antigo ou definidor” se encontra em Moscovo – “já um subúrbio
    da Ásia” -, em Inglaterra ou na América do Norte. Mas “desenhe-se o
    mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da
    ideia de Europa”.

    A isto subjaz a mitologia do café como espaço de tertúlia e de
    debate; como sublime reduto das utopias e conspirações que fizeram
    avançar a história das ideias, da ciência e das nações; como
    aconchego dos intelectuais de vocação “peregrina”. No fundo, a velha
    cafetaria como irreprimível espaço de liberdade e, nessa medida, como
    condição primeira das fertilidades do espírito. Não se referiu,
    Steiner, aos cafés de Coimbra. Mas bem poderia tê-lo feito.

    Evoque-se, nesta defesa, a Geração de 70 e uma revolução intelectual
    forjada, precisamente, na boémia coimbrã e nos cafés da cidade. Uma
    espiral de aproximações culturais e políticas às ideias que
    sopravam “da Europa” e um inconformismo tenaz, face à província
    lusitana. Faça-se, pois, justiça, aos libertários cafés de Coimbra
    por onde passaram Antero de Quental, Ramalho Ortigão ou Eça de
    Queirós. Este último que, não tendo sido exactamente um
    revolucionário, mas antes, nas palavras do próprio, um “vago
    anarquista entristecido”, não deixou por isso de ser, talvez – e
    ainda que a título póstumo – o mais aclamado de toda a “comandita”.

    Ninguém suspeitaria que “esta” Europa – ou antes uma certa ideia
    de “higiene” europeia – viesse a ditar uma quarentena (o optimismo é
    meu) às liberdades de cafetaria. E ninguém saberá, jamais –
    admitindo, com Steiner, “que mesmo as ideias mais abstractas,
    especulativas, têm de estar ancoradas na realidade, na substância das
    coisas” – o que teria sido a história das ideias, desde o rapé, com o
    asseado espartilho de costumes em que nos vemos enfiados. Mas o
    certo, por exemplo, é que, a partir de hoje, será proibido fumar na
    generalidade dos cafés e restaurantes de Coimbra.

    Devo dizer que, neste assunto, me assiste um conforto (dois, melhor
    dito) de todo o tamanho não sou fumador e não tomo café. O que, desde
    logo, me tornará um anunciado pretendente a faraónicas bagatelas.
    Inquieta-me, porém, esta espécie de eugenia social que – malgré
    algumas (re-) glorificações da “ciência” – não nos garante caminho
    nenhum.

    Ainda com Steiner, “na Milão de Stendhal, na Veneza de Casanova, na
    Paris de Baudelaire, o café albergava o que existia de oposição
    política, de liberalismo clandestino”. No alvor de mais um ano,
    parece que estamos, em Coimbra, um pouco mais longe de ambas as
    coisas. E muitíssimo mais longe de uma certa “Ideia de Europa”.

    Paulo Valério

    https://jn.sapo.pt/2008/01/01/pais/coimbra_ideia_europa.html

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    Acima apresentam-se sumários ou resumos de notícias de interesse
    urbanístico ou ambiental publicadas na edição electrónica do Jornal
    de Notícias e d’O Primeiro de Janeiro (e ocasionalmente de outros
    jornais ou fontes de informação).

    Esta lista foi criada e é animada pela associação Campo Aberto, e
    está aberta a todos os interessados sócios ou não sócios. O seu
    âmbito específico são as questões urbanísticas e ambientais do
    Noroeste, basicamente entre o Vouga e o Minho.

    Selecção hoje feita por Maria Carvalho

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