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    BOLETIM PORTO E NOROESTE EM DEBATE
    resumo das notícias de ambiente e urbanismo em linha

    Segunda-feira, 29 de Maio de 2006

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    Para os textos integrais das notícias consultar as ligações indicadas.

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    Opinião: Politicamente incorrecto

    Eu gostava de ser politicamente correcto. Por exemplo, bater palmas
    de contentamento, com o facto do Ministério da Justiça e da Câmara do
    Porto terem acordado em construir, na Lapa, entre as ruas do Barão de
    Forrester, e das Águas Férreas, um campus judiciário capaz de
    congregar no mesmo local todos – ou quase todos – os tribunais
    citadinos. Diz o ministro Alberto Costa que assim se “optimizam” os
    serviços públicos (eu ainda acredito que os tribunais são um serviço
    público, vejam lá… ) dele dependentes; Rui Rio afirmou-se contente
    com a ideia pois, deste modo, se resolve um problema citadino sem que
    ele tivesse de abrir o cofre municipal. Até recordou que, no sítio
    portuense em causa, passa a Linha Azul do Metro do Porto.

    Simples mortal e pouco ilustrado para discutir estes problemas do
    Urbanismo, como sugeriu Álvaro Siza Vieira, em relação aqueles que
    contestam a suas obras nas marginais de Leça da Palmeira, de Vila do
    Conde… e do Passeio de Recoletos, em Madrid, eu sei que não me
    deveria meter por estas veredas escorregadias. Mas quer-me parecer
    que quem tem razão é Manuel Correia Fernandes, meu acompanhante neste
    Passeio Público semanal, ao escrever que o projecto de campus
    judiciário na Quinta de Santo António lhe transmite a ideia de uma
    operação imobiliária tendente à criação de mais um condomínio fechado
    nesta cidade que, dia-a-dia, vai perdendo a sua humanidade.

    Eu, por meu turno, temo que tal concentração judicial em área
    geográfica tão restrita acabe por “dotar” Cedofeita com os mesmos
    efeitos maléficos ocorridos no Pólo da Asprela, em Paranhos, onde a
    concentração exageradíssima de edifícios escolares – só Engenharia
    tem mais de seis mil estudantes – transformou as imediações do
    Hospital de S. João num gigantesco parque de estacionamento e num
    local onde a qualidade de vida não é, definitivamente, um dos
    paradigmas que associamos de imediato à ideia de campus
    universitário. É, na verdade, uma situação paradoxal de um lado, na
    Asprela, crescem a um ritmo quase avassalador, novos edifícios
    escolares que dão origem à convergência para uma zona citadina, já de
    si congestionada, mais alunos, mais professores, mais agentes
    administrativos e, portanto, mais automóveis; do outro, no centro da
    cidade, na denominada Baixa Portuense, definham edifícios públicos e
    privados.

    Nuno Quental, engenheiro do ambiente e, por isso mesmo, capaz de ser
    mais facilmente aceite no círculo restrito de Siza Vieira, colocou o
    dedo na ferida ao escrever há dias no “Público” que lhe
    custava “entender que se renegue quase sempre para o plano do
    inverosímil o papel directo do Estado na reabilitação urbana”.
    Admira, de facto, que a Câmara do Porto, ela que há bem pouco tempo
    lutava contra uma nova envolvente urbana para o Parque da Cidade,
    admita que o mesmíssimo Estado se proponha construir um campus
    judiciário na Quinta de Santo António, dando forte machadada numa
    importante zona verde da cidade.

    E depois, o que vai acontecer aos edifícios que o sistema judiciário
    ocupa na cidade logo que os mesmos sejam transferidos para a Lapa.
    Serão abandonados? Por exemplo, que destino está reservado ao
    Tribunal de S. João Novo? E ao edifício da Rua do Bolhão? O Estado
    possui no Porto velhos edifícios cujo uso, num mundo em acelerada
    globalização, se esvaziou de sentido. Estou a lembrar-me, por
    exemplo, do grande imóvel da Rua das Taipas, onde funcionou durante
    décadas a fio a Escola Filipa de Vilhena. Dizem-me que está vazio,
    embora na posse do Ministério da Educação. E estou também a lembrar-
    me dos aquartelamentos já sem utilidade. Não poderiam estes edifícios
    serem aproveitados para outras funções? Digo eu que sim; outros dirão
    que a minha opinião é politicamente incorrecta…

    https://jn.sapo.pt/2006/05/29/porto/politicamente_incorrecto.html

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    1. Porto: Consórcio requer a anulação do licenciamento do Transparente

    O licenciamento da obra de adaptação do Edifício Transparente a
    centro de lazer, concedida pela Câmara do Porto, é “ilegal”. Quem o
    diz é o consórcio das empresas, detentoras do terreno que se encontra
    parcialmente ocupado pelo equipamento. Agora, requerem,
    judicialmente, a anulação da decisão, tomada a 27 de Dezembro do ano
    passado pelo vereador do Urbanismo, Lino Ferreira.

    “O acto do senhor vereador da Câmara Municipal do Porto [Lino
    Ferreira] é manifestamente contrário à lei e lesivo do seu direito de
    propriedade”, refere-se, assinalando a “falta de legitimidade” da
    Hottrade para pedir o licenciamento de um projecto de reconversão do
    imóvel num terreno que não lhe pertence. O consórcio recorda, no
    documento, que a parcela de 5968 metros quadrados – sendo que mais de
    1500 metros quadrados estão ocupados pelo edifício e logradouro –
    nunca foram “objecto de expropriação ou qualquer outra forma de
    aquisição” pela Câmara.

    Recorde-se que três dias antes do arranque da edificação destas infra-
    estruturas pela extinta Porto 2001, as empresas enviaram uma carta ao
    administrador da sociedade, Paulo Sarmento e Cunha, alertando-o que
    o “terreno teria de ser devolvido aos signatários, sem direito a
    indemnizações pelas benfeitorias nele efectuadas”, caso a permuta de
    parcelas no Parque da Cidade com a autarquia não se realizasse. E, de
    facto, não se concretizou. Além da ofensa ao direito de propriedade,
    as empresas acreditam que, à luz do Plano Director Municipal (PDM),
    não é possível executar o projecto, assinado pelo arquitecto Carlos
    Prata. O licenciamento “viola ainda o PDM do Porto, que não admite
    construção na área onde está implantado o Edifício Transparente,
    facto que igualmente acarreta a sua nulidade”.

    https://jn.sapo.pt/2006/05/29/porto/consorcio_requer_a_anulacao_licenci
    a.html

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    2. Porto: Demolição de pátios contestada

    Os moradores do Bairro de Fernão de Magalhães contestam a demolição
    dos pátios, existentes nas habitações do rés-do-chão, pela Câmara do
    Porto. A decisão municipal afecta cerca de 50 famílias, uma vez que,
    em 13 dos 18 blocos da urbanização, os inquilinos construíram
    pequenos pátios para salvaguardar a privacidade e segurança das casas.

    https://jn.sapo.pt/2006/05/29/porto/demolicao_patios_contestada.html

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    3. Porto: CPF está em risco

    Um grupo de fotógrafos profissionais e amadores de várias regiões do
    País vai promover, no próximo dia 3, uma concentração de máquinas
    fotográficas junto ao edifício da Cadeia da Relação, no Porto, que
    alberga o Centro Português de Fotografia (CPF). Preocupados com o
    futuro daquele serviço público, criado em 1997 pelo Ministério da
    Cultura com o objectivo de “assegurar uma política nacional para a
    fotografia”, apontam as “notícias contraditórias” que têm vindo a
    público ao longo das últimas semanas para justificar uma
    intranquilidade que assenta no facto de, dizem, o CPF estar
    paulatinamente a ser “esvaziado de conteúdo”, e de a sua extinção
    estar inclusivamente a ser equacionada pela tutela.

    https://www.oprimeirodejaneiro.pt/?
    op=artigo&sec=eccbc87e4b5ce2fe28308fd9f2a7baf3&subsec=&id=6526803b853d
    33da37c806682655e537

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    4. Porto: Quinta da China em debate

    A construção do projecto imobiliário da Quinta da China, na escarpa
    da zona do Freixo, pode ficar decidida hoje com a apreciação e
    votação das propostas de desafectação das parcelas de terreno de
    domínio público na Assembleia Municipal.

    A Quinta da China foi inicialmente aprovada por Nuno Cardoso, em
    2002. No ano seguinte, já com Rui Rio no poder, Ricardo Figueiredo,
    na altura vereador do Urbanismo, negociou com a empresa a redução da
    área de construção, com as três torres a passarem de 16 para oito
    andares. Já em 2005, Paulo Morais, que substituiu Figueiredo no
    pelouro, optou por chumbar a operação de loteamento.

    https://www.oprimeirodejaneiro.pt/?
    op=artigo&sec=eccbc87e4b5ce2fe28308fd9f2a7baf3&subsec=&id=941ad4307633
    da55c8ef45eb9f0dc030

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    5. Gaia: Bairro sem equipamentos e transportes

    A vereadora da CDU na Câmara de Gaia, Ilda Figueiredo, denunciou
    ontem a inexistência de equipamentos sociais, recreativos e
    desportivos no Bairro do Cavaco, cujos moradores se confrontam também
    com a falta de transportes colectivos. Em declarações à Lusa, no
    final de uma visita ao bairro, na freguesia da Afurada, a vereadora
    apontou também a falta de transportes públicos. “Prometeram, há uns
    anos atrás, em vésperas de campanha eleitoral, pôr a circular nesta
    zona um pequeno autocarro, mas até hoje nada aconteceu”, acusou Ilda
    Figueiredo. “As pessoas que não têm carro têm de vir carregadas com
    as compras ou vir de táxi”, disse.

    https://jn.sapo.pt/2006/05/29/porto/bairro_equipamentose_transportes.ht
    ml

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    6. Espinho: Obra não se atrasou por causa das rochas

    Fernando Noronha, especialista em Geologia da Faculdade de Ciências
    do Porto, não acredita que o atraso na obra de rebaixamento da linha-
    férrea em Espinho se deva à “descoberta” de uma formação rochosa no
    subsolo. Num debate promovido pela Associação Cívica de Espinho,
    Fernando Noronha deixou bem claro que a geologia de Espinho é bem
    conhecida, tendo sido alvo de estudos publicados desde o início do
    século XX.

    Perante uma sala completamente cheia, outro especialista, desta vez
    na área da Hidráulica, Victor Sousa, da Faculdade de Engenharia da
    Universidade do Porto, defendeu por sua vez a tese de que fazer
    passar o túnel por baixo das ribeiras do Mocho, a Norte da cidade, e
    de Silvalde, a Sul, não ficaria assim tão caro, sobretudo quando se
    está perante um projecto de 60 milhões de euros. O custo da passagem
    do túnel por cada ribeira ficaria na ordem dos 200 mil a 250 mil
    euros, ou seja, cerca de 500 mil euros no total.

    https://jn.sapo.pt/2006/05/29/porto/obra_se_atrasoupor_causa_rochas.htm
    l

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    7. Alfândega da Fé: Setenta milhões para complexo turístico, fábrica
    e aeródromo

    Um dia “histórico” para a região. Foi assim que João Carlos
    Figueiredo, presidente da Câmara de Alfândega da Fé, se referiu ao
    projecto FunZone Village Douro, classificado como PIN (Projecto de
    Interesse Nacional) e apresentado como o maior investimento privado
    na região, com os seus 70 milhões de euros, a gastar em três
    concelhos Alfândega da Fé (construção de um complexo turístico de 800
    camas), Macedo de Cavaleiros (instalação de unidade industrial) e
    Mirandela (ampliação do aeródromo, para que tenha capacidade para
    receber voos internacionais).

    https://jn.sapo.pt/2006/05/29/norte/setenta_milhoes_para_complexo_turis
    t.html

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    8. Caramulo: Loendros estimulam turismo

    São venenosas e causam problemas ao gado, mas o espectáculo de rara
    beleza que potencia o seu florescimento leva anualmente milhares de
    pessoas a visitar a Reserva Botânica de Cambarinho, no Caramulo, a
    maior colónia europeia da espécie, que cobre de roxo 24 hectares.

    Outrora indesejados pelos danos que causam no gado e hoje admirados
    pela sua coloração arroxeada, os loendros têm um “santuário” na Serra
    do Caramulo, concelho de Vouzela, a maior mancha da Europa da planta.
    Todos os anos, entre Abril e Junho, a Reserva Botânica de Cambarinho
    torna-se palco de um exuberante espectáculo de cor, com os loendros
    floridos a serpentearem por 24 hectares, aproveitando a humidade das
    linhas de água.

    Trata-se de uma das raras espécies sobreviventes da flora do período
    geológico do Terciário, desaparecida com as glaciações, e por isso
    protegida em 1971 pelo decreto-lei que criou a Reserva Botânica de
    Cambarinho. Em Portugal, os loendros foram encontrados em 1799, na
    Serra da Fóia (Monchique). Em 1884, o investigador Júlio Henriques,
    da Universidade de Coimbra, descobriu-os nas margens do Rio
    Alfusqueiro, numa expedição à Serra do Caramulo. Segundo o técnico,
    actualmente é em Cambarinho que se situa a maior concentração de
    loendros, havendo outras mais pequenas em Monchique (Algarve),
    Odemira (Alentejo) e Sierras del Algibe (Cadiz, Espanha).

    https://www.oprimeirodejaneiro.pt/?
    op=artigo&sec=c74d97b01eae257e44aa9d5bade97baf&subsec=&id=c5a8169f5891
    1bbcbdd253aaf18ff04e

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    INFORMAÇÃO SOBRE O BOLETIM INFOPNED:

    Acima apresentam-se sumários ou resumos de notícias de interesse
    urbanístico ou ambiental publicadas na edição electrónica do Jornal
    de Notícias e d’O Primeiro de Janeiro (e ocasionalmente de outros
    jornais ou fontes de informação).

    Esta lista foi criada e é animada pela associação Campo Aberto, e
    está aberta a todos os interessados sócios ou não sócios. O seu
    âmbito específico são as questões urbanísticas e ambientais do
    Noroeste, basicamente entre o Vouga e o Minho.

    Selecção hoje feita por Maria Carvalho

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