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    BOLETIM PORTO E NOROESTE EM DEBATE
    resumo das notícias de ambiente e urbanismo em linha

    Terça-feira, 2 de Maio de 2006

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    Para os textos integrais das notícias consultar as ligações indicadas.

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    Opinião 1: As estradas e o interior

    O primeiro-ministro sugeriu ao país desfavorecido e desertificado que
    o caminho da salvação se faz através das auto-estradas e dos
    itinerários principais ou complementares. Percebe-se: avaliando o
    muito que se prometeu e o pouco que se fez nos últimos 20 anos, já
    nada resta para alimentar a vaga ideia da sustentação das zonas
    rurais a não ser o milagre do emprego e do investimento público. Mas
    por muito que a mensagem tranquilize autarcas e afague a sensação de
    esquecimewnto e abandono da população, as estradas não passam de uma
    miragem de desenvolvimento. Implicam gastos vultuosos e não resolvem
    o problema de fundo. A experiência de Trás-os-Montes mostra que o seu
    principal eixo rodoviário, o IP4, tem beneficiado os principais pólos
    urbanos e remetido as aldeias e as vilas mais frágeis para um
    irreversível processo de desertificação. Em vez de contribuir para a
    dinamização das economias rurais, as estradas têm acelerado a sua
    agonia.

    Prometer 1500 milhões de euros de alcatrão e com isso apregoar uma
    revolução – como o fez por estes dias, em Bragança, José Sócrates –
    só pode compreender-se como um reflexo emocional , ou como uma
    tentativa de esvaziar a contestação ao fecho de serviços publicos.
    (…) Se não se questiona a construção do IC5, que vai desencravar
    uma importante parcela do território que vai até Miranda do Douro, se
    é hoje evidente que o fluxo de tráfego entre Vila Real e Amarante
    exige uma auto-estrada e um túnel, não se entende por que é que,
    entre outras perplexidades, se vão gastar 80 milhões de euros a ligar
    Amarante à Régua. Para além dos custos, e esquecendo o facto de haver
    uma alternativa por auto-estrada, esta ligação do IC26 comporta outro
    pesadelo: a destruição de uma parte da paisagem do Douro histórico.

    Mais do que o festival de desperdício que o Governo teima em
    alimentar – um festival que teve o seu ponto alto com a construção da
    A7, uma auto-estrada imponente e caríssima que liga Vila do Conde a
    Vila Pouca de Aguiar, cujo troço final entre Fafe e Vila Pouca só
    rasga e atravessa montanhas sem que se veja a sua utilidade -, o
    interior precisa de aprender a aproveitar o seu potencial. A sua
    floresta, os seus recursos naturais, as suas produções agrícolas de
    elevada qualidade, a sua vocação turística. Precisa de perceber por
    que é que são os espanhóis que estão a tomar conta dos rebanhos de
    ovelhas e cabras do Douro Superior. Precisa de definir o papel de
    cada vila e de cada cidade no contexto das redes regionais. Precisa
    de ter instâncias regionais com pensamento próprio e meios de
    actuação e políticas nacionais, no Ambiente, na Agricultura ou na
    Economia, que se ajustem aos seus problemas e necessidades. (…)

    Involuntariamente, talvez, [o Governo] repete a receita que levou o
    país rural ao estado em que se encontra.

    Manuel Carvalho – Editorial do Público

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    Opinião 2: Brincar com o fogo

    A geral desarrumação do território, facilmente constatável, tem entre
    nós consequências imprevistas. Os fogos florestais e rurais em plena
    área urbana ou suburbana manifestaram-se nos últimos anos com
    incidência e gravidade inusitada – a Área Metropolitana do Porto tem
    sido afectada seriamente. Quem não se lembra, nos verões passados,
    das cinzas espalhadas na atmosfera, descendo sobre os engarrafamentos
    automóveis da cidade Invicta, resíduos incómodos dos incêndios nas
    matas de Gondomar, de Paredes, de Valongo, de Gaia? Um anel de chamas
    circundou o Porto há um ano – como as fotografias dos satélites
    documentam tragicamente.

    Essas ocorrências lembram-nos de que existem ainda vastas áreas
    verdes dentro da urbe, em pleno Grande Porto. E, por outro lado, dão-
    nos conta de uma dramática acumulação de erros, de imprevidências, de
    incúrias. Como nos habituámos a não pensar as coisas de forma
    integrada, podíamos ser tentados a classificar esses fogos como
    fenómenos isolados, acidentes que o destino nos ofertou, sem remédio
    nem culpa.

    Mas a verdade fala mais alto, apesar de tudo. As imediações rurais
    ardem porque o território se confundiu entre desordenamento e puro
    caos – porque em última análise falharam as fórmulas usuais de
    planeamento urbanístico, ou daquilo que passa com esse nome.

    O pior é que, pelo andar da carruagem, nada nos garante que algo
    tenha mudado. As causas continuam no terreno, firmes como rochas.
    Ninguém vê que as autarquias tenham mudado de rumo no tocante a
    permitirem tanta dispersão urbana inútil, tanto avanço da construção
    sobre o que resta das reservas agrícolas e ecológicas. Quando seria
    preciso consolidar e melhorar os perímetros urbanos que já existem,
    em nome de critérios ambientais e de mera racionalidade económica
    (nem quando o fogo se aproxima de urbanizações densas, nos lembramos
    disso).

    O desprezo pelo mundo rural que subsiste nos interstícios da grande
    conurbação urbana, não consta que seja menos evidente. E quanto às
    matas, onde estão, se é que estão, os planos de prevenção e combate,
    o fomento do associativismo florestal, a penalização do abandono, a
    eliminação das lixeiras, a punição do foguetório e da churrascada no
    meio das matas? Nem vale a pena falar da gestão inteligente da
    floresta, com preferência por espécies menos combustíveis e
    ecologicamente melhor adaptadas, ou da proibição da construção
    isolada em áreas florestais-um problema acrescido para quem combate o
    fogo!

    Tudo isso resta por fazer? Bem gostaria de me enganar. Convém dizer-
    se que, muitas vezes, para alguns autarcas, essas zonas de matos e
    débil exploração silvícola, pouco mais representam do que locais
    expectantes – aguardando o loteamento e a ” valorização”. Coisa que
    se verifica não raramente, se pensarmos em extensas áreas bem perto
    dos grandes núcleos urbanos (por cá, o que é rural só é tolerado no
    interior do país. No litoral, outros valores se alevantam).

    Anunciaram-se novas estratégias, e nova táctica, para o combate aos
    fogos florestais. Prioridade ao combate em terra e no ar aos fogos
    nascentes, enquanto ainda controláveis. Mais grupos de sapadores no
    terreno, com mais meios, em vez de tanto amadorismo e dispersão.
    Parece ser esse o melhor caminho. Mas pouco se adiantará se, todo o
    ano, não houver prevenção e antecipação – o que começa e acaba no
    ordenamento do território.

    Essa devia ser tarefa primordial das autarquias e função inalienável
    da Junta Metropolitana. Estão em causa os pulmões de uma vastíssima
    zona densamente povoada. Convém que não sejam destruídos, pelo galope
    do fogo ou pela voragem do cimento.

    Bernardino Guimarães

    https://jn.sapo.pt/2006/05/02/porto/brincar_o_fogo.html

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    Porto: Parque em Gondarém não reúne consenso

    A Rua de Gondarém vai receber um parque de estacionamento
    subterrâneo. A construção e a exploração do aparcamento na Foz
    deverão ser adjudicadas, hoje de manhã, pela Câmara do Porto. Mas o
    equipamento não reúne consenso entre os moradores e os comerciantes
    da artéria.

    Desde que foi conhecida, em Março de 2004, a vontade da Autarquia de
    rasgar um espaço de estacionamento (com três pisos enterrados para
    210 viaturas), vários moradores e comerciantes da Rua de Gondarém têm
    manifestado a sua oposição ao projecto. A contestação chegou à
    Câmara, tendo sido lançado um abaixo-assinado. No entanto, o concurso
    público para a concessão da construção e da exploração acabaria por
    ser aberto em Julho de 2004. A decisão de adjudicar a execução do
    equipamento ao consórcio FDO Construções e Alberto Couto Alves
    Construções (houve apenas dois concorrentes) data de 22 de Dezembro
    de 2004. Só um ano e quatro meses depois é que a Câmara se prepara
    para concretizar a adjudicação da obra, com o direito de exploração
    por 20 anos. A Autarquia receberá uma mensalidade de 2500 euros.

    O parque ficará sob a Rua de Gondarém, entre as ruas da Agra e do
    Padrão. A intervenção prolongar-se-á durante sete meses (214 dias).
    As árvores terão de ser removidas. Uma condição que desagrada a
    Manuel Ferreira, morador há 60 anos em Gondarém e proprietário da
    Padaria Formosa, embora esteja prevista a plantação de 20 espécies de
    médio porte. “Há imensa gente da Rua de Gondarém que não quer este
    parque. Tenho pena que estas árvores centenárias desapareçam. É um
    crime retirá-las. Não quer dizer que o parque não seja bom, mas vai
    ter serventia sazonal. No Verão, as pessoas poderão colocar os
    automóveis no parque, mas, no Inverno, ninguém vem passear para a
    Foz. Não há necessidade de mexer na rua, que é muito bonita”,
    considera Manuel Ferreira. O projecto está a dividir opiniões.

    Há também quem se manifeste favorável ao espaço. Carlos Alberto,
    proprietário do talho de Gondarém, defende que o “parque gerará mais
    benefícios do que prejuízos. Com toda a construção que se fez nesta
    zona, não há espaços de estacionamento suficientes. Há sempre muitos
    carros estacionados na rua”, salienta o comerciante. A decisão cabe,
    agora, à vereação.

    https://jn.sapo.pt/2006/05/02/porto/parque_gondarem_reune_consenso.html

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    Para se desligar ou religar veja informações no rodapé da mensagem.

    O arquivo desta lista desde o seu início é acessível através de
    https://groups.yahoo.com/group/pned/

    Se quiser consultar os boletins anteriores veja
    https://campoaberto.pt/boletimPNED/

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    INFORMAÇÃO SOBRE O BOLETIM INFOPNED:

    Acima apresentam-se sumários ou resumos de notícias de interesse
    urbanístico ou ambiental publicadas na edição electrónica do Jornal
    de Notícias e d’O Primeiro de Janeiro (e ocasionalmente de outros
    jornais ou fontes de informação).

    Esta lista foi criada e é animada pela associação Campo Aberto, e
    está aberta a todos os interessados sócios ou não sócios. O seu
    âmbito específico são as questões urbanísticas e ambientais do
    Noroeste, basicamente entre o Vouga e o Minho.

    Selecção hoje feita por Maria Carvalho

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