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BOLETIM PORTO E NOROESTE EM DEBATE
resumo das notícias de ambiente e urbanismo em linha

Domingo, 02 de Outubro 2005

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1-Porto
(entrevista a Souto Moura no Publico local)
“Há uma cultura covarde na política”

Autor de quase todas as estações subterrâneas do Metro do Porto – à
excepção da de São Bento, desenhada por Álvaro Siza Vieira -, o arquitecto
Eduardo Souto Moura lamenta que “as pessoas não tenham percebido a
importância” deste projecto metropolitano para a cidade. Na sua opinião, o
metro tem o mérito de unir o centro à periferia e, dessa forma, anunciar-se
como um agente dinamizador de um Porto que cada vez mais dá sinais de cansaço
económico e desertificação social. A incompreensão deve-se, acredita Souto
Moura, ao facto de os jornais privilegiarem o embrulho político dos factos,
descurando o que eles realmente representam para a dinâmica urbana.

Nesta entrevista, inicialmente centrada no empreendimento Burgo (ver notícia ao
lado), Souto Moura acaba por falar não só das polémicas do metro, mas também
das relações entre política e arquitectura. Custa ao autor do premiado
projecto do Estádio do Braga que autarcas e governantes tenham dificuldade em
definir aquilo que pretendem de uma obra – “os políticos têm de parar de
dizer “nim”” -, criando assim um ciclo de “desgaste” e de atribuição de
“culpas ao arquitecto”.

PÚBLICO – A Torre do Burgo, um empreendimento de luxo para escritórios, está
quase pronta. É curioso como fala desta sua mais recente obra com modéstia,
reduzindo a sua criação à escolha das fachadas em alumínio.

SOUTO MOURA – A beleza é isso. São essas coisas comuns e banais. Depois, são
os outros que dão a beleza. Tudo aquilo que é bonito é muito simples. Não
tenho vocação para fazer as coisas muito bonitas. Faço o que tenho a fazer e
preocupo-me que não fique feio. Pois tenho essa responsabilidade. Mas a beleza
colectiva é uma coisa complicada. Neste país, o que é a beleza colectiva?
Todos dizem mal de tudo. Basta ver o que aconteceu com o metro do Porto. Após
12 anos de trabalho, toda a gente diz mal.

Já experimentou andar nas ruas para ouvir o que as pessoas – os verdadeiros
utentes – pensam do metro?

Não sei. O [número de clientes por dia no] metro passou de 25 mil pessoas para
85 mil [com a inauguração da Linha Amarela] e a notícia que saiu no jornal
tinha meia página. Não queria palmas nem que falassem do arquitecto, apenas
que compreendessem a revolução que o projecto representa. Aconteceu no Porto
uma coisa espantosa e as pessoas não perceberam. E não perceberam por
interesses políticos.

Acha que o metro do Porto está a ser instrumentalizado pelas eleições
autárquicas?

Completamente. Investiram-se milhões de euros. Ninguém fala do assunto. Falam
do Francisco Assis e falam do Ferreira Torres. É miopia. Ninguém percebeu a
importância do metro.

Se calhar, os utentes perceberam, porque o metro pode ter alterado os seus
percursos diários. O que está em causa não é a mediatização e o
aproveitamento político?

Claro, mas isso é triste. Inauguraram-se mais 11 estações. De um dia para o
outro, mais de 30 mil pessoas mudam a sua vida. A cidade mudou. E a Baixa vai
mudar. O metro é um êxito. Custa-me que a pessoas não entendam.
Transplantámos três plátanos do Marquês para a Praça Velásquez [nas
Antas]. Quando isso acontece, há várias páginas de jornal a falar do
“crime”.

Abre-se a estação e não sai nem uma linha. Foram dez anos de trabalho,
mudanças de engenheiros, até que se conseguiu uma solução para não cortar
as árvores. Pedi ajuda ao Siza [Vieira]. Precisávamos de colocar ali vinte
escadas – sim, porque é muito bonito não cortar as árvores, mas é preciso
pensar na segurança da estação, senão, há ali um incêndio e as pessoas
morrem queimadas porque não conseguiram sair da estação. Nós conseguimos [a
solução]. Eu não quero palmas, mas irrita-me o barulho que se faz antes e o
silêncio que vem depois. Várias estações de metro foram feitas ao longo de
mais de uma década com muito esforço. Morreu gente. Casas caíram. Houve
muito sacrifício de trabalhadores. Depois, não há uma reportagem de fundo a
mostrar como estas obras revolucionam a relação da periferia com a cidade.

Não nos podemos esquecer de que a inauguração da Linha Amarela, considerada a
linha das linhas, foi agendada para o dia 17 de Setembro – ou seja, a apenas 22
dias das eleições autárquicas. Esta data não foi inocente.

Mas há um facto que não é político: uma nova linha foi inaugurada. O Porto
é uma cidade que está a perder importância. E agora o metro vem ligar a
periferia ao centro. O Porto ficou ligado a Gaia. Isto é uma coisa histórica.
Gastou-se muito dinheiro para recuperar a Ponte de D. Luís I. Quem vive em Gaia
pode chegar ao centro do Porto em alguns minutos. É a primeira vez que isso
acontece. Os órgãos de comunicação não passaram essa mensagem. E não vejo
por que é que o Governo PS não valoriza este feito. O resvalar dos dinheiros
é uma coisa política. Ninguém fala que o metro é o promotor da
requalificação urbana.

Há a ideia de que obras desnecessárias foram feitas à boleia do metro. E o
discurso de Mário Lino, ministro das Obras Públicas e dos Transportes, sobre
a viabilidade financeira do projecto parece estar ligado a isso.

Mas isto é um discurso político. Há um contrato, feito durante a própria
gestão socialista, que diz que 25 por cento do orçamento deve ser aplicado na
requalificação urbana. Há uma ideia míope de que o metro são só dois
carris. Só que, para instalar os carris, é preciso mudar tudo, casa a casa. E
foi isso que se fez. Isto é um golpe político. Quando as pessoas criticam o
metro da Boavista, esquecem que esse projecto é do PS. O metro na avenida não
foi inventado por Rui Rio, mas sim por Fernando Gomes.

Houve, contudo, a estranha coincidência das obras na Avenida da Boavista com o
Grande Prémio Histórico…

Não se mudou nada na Boavista para fazer o circuito de automóveis. É
demagógico dizer que se gastou muito dinheiro para fazer uma prova de carros.
A avenida principal do Porto foi requalificada e está preparada para receber o
metro. Tem árvores, está com bons passeios, boa iluminação e bom alcatrão.
Toda a gente diz mal, mas há uma covardia em não indicar uma solução
viável. As pessoas têm de perceber que o metro da Boavista não é para
servir as pessoas que moram na Boavista. O metro é para fazer fluir as pessoas
que chegam da periferia à Senhora da Hora. Antes de estar completo, o metro já
não dá vazão aos passageiros. Mas depois as pessoas vêm dizer que o metro
ali não faz sentido porque os ricos não entram nas carruagens. Ainda bem.
Porque, se entrarem, as composições já estão entupidas. Nunca vi um desenho
de uma alternativa viável da Senhora da Hora e o centro. Se isto é uma
estupidez, sugiram algo melhor.

Gasta mais tempo com as politiquices à volta do projecto do que propriamente
com a arquitectura?

Eu só trabalho realmente ao sábado e ao domingo. A semana inteira é para os
papéis, as reuniões, os dinheiros. Isso também acontece lá fora. Não gosto
de dizer que tudo o que é nosso é mau e dos outros é bom. Mas é preciso
dizer que as regras no estrangeiro são mais claras. E assim posso dizer se
aceito ou não. Aqui as coisas são turvas. E isso é desgastante. Mas a
verdade é que prefiro trabalhar aqui.

Explique melhor o que é preciso mudar.

Os políticos têm de parar de dizer “nim”. Ou sim ou não. Não sabem dizer se
querem um prédio de 10 ou de 20 pisos. Um projecto pressupõe várias fases,
mas a primeira delas é o programa preliminar – ou seja, determinar exactamente
aquilo que o cliente quer. Os políticos dizem que querem um museu e mais nada.
Não especificam se é para isto ou para aquilo.

Quais são as consequências desse vazio programático?

O desgaste. Em Portugal, trabalha-se sempre no limite. Refazem-se as coisas
várias vezes. Os projectos são entregues na véspera. E, quando as coisas
correm mal, a culpa é do arquitecto. Não há um político que diga isto ficou
assim porque eu não soube dizer o que queria. Que assuma a culpa. Dizem que,
afinal, queriam um museu para pintura e não para escultura. Há uma cultura
covarde na política.

Souto Moura sustenta que os políticos devem definir exactamente o que pretendem
com as obras que encomendam. E não atirem depois as culpas aos arquitectos.
Lamenta ainda que o mérito do Metro do Porto tenha sido ofuscado pela sua
instrumentalização política

https://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2005&m=10&d=02&uid=&id=41848&sid=46\74

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2- Vila do Conde
Solar S. Sebastião recuperadoCentro de Memória de Vila do Conde abriu as

portas ao público para dar a conhecer as valências
O objectivo foi dar a conhecer as obras realizadas, as recuperadas instalações
do Solar de São Sebastião e o belo jardim ali existente.

https://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=19ca14e7ea6328a42e0eb13d585e4c22\&subsec=&id=9f48ea793c3c58bb3f1adb0ec4d705b0

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3-Viana do castelo
Exigido plano para o estuário
ambientE

Especialista alude à “falta de concretização” do previsto em documento de
2001 Estudo aponta para a alteração orgânica de peixe tido como vital para a
biodiversidade do rio
As virtudes e, principalmente, os problemas do estuário do Lima dominaram a
conferência dedicada ao curso de água promovida, anteontem à noite, pelo
Rotary de Viana do Castelo no auditório do Instituto Politécnico, sessão
durante a qual foram apresentados os resultados de estudos realizados no rio
entre 2002 e a passada semana.

https://jn.sapo.pt/2005/10/02/minho/exigido_plano_para_o_estuario.html

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Para desligar-se/religar-se ou para ler as mensagens em modo página, net veja
informações no rodapé da mensagem.

O arquivo desta lista desde o seu início é acessível através de
https://groups.yahoo.com/group/pned/

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INFORMAÇÃO SOBRE O BOLETIM INFOPNED:

Acima apresenta-se o sumário e/ou resumos de notícias de interesse
urbanístico/ambiental publicadas na edição electrónica do Jornal de
Notícias, de O Primeiro de Janeiro, e do Público Local Porto e Minho (em um
ou vários dos citados, não necessariamente em todos).

Esta lista foi criada e é animada pela associação Campo Aberto, e está
aberta a todos os interessados sócios ou não sócios. O seu âmbito
específico são as questões urbanísticas e ambientais do Noroeste,
basicamente entre o Vouga e o Minho.

Selecção hoje feita por Manuela D.L.Ramos

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telefax 229759592
Apartado 5052, 4018-001 Porto
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