Nevogilde: Contributos para Um Urbanismo de Qualidade

by | Jan 17, 2026 | Cidade e Ambiente Urbano, Ideias, Debates e Atividades | 0 comments

NEVOGILDE: CONTRIBUTOS PARA UM URBANISMO DE QUALIDADE
Colocado em 17 de janeiro de 2026

Na sequência do artigo sobre a UOPG1 (que inclui as chamadas Torres de Nevogilde), trazemos novamente à atenção dos cidadãos um complemento de informação que será decerto um elemento útil para o debate necessário de modo a que surja entre nós um urbanismo de qualidade.

[As imagens, todas de Glória Rodrigues, devem ser interpretadas apenas como pausas visuais sem relação direta com o texto.]

PROCESSO DE DEFINIÇÃO DO ÂMBITO DO ESTUDO DE IMPACTE AMBIENTAL: PDA / EIA
ANÁLISE CRÍTICA

Várias das críticas e sugestões fundamentadas aquando da participação pública do Processo de Definição do Âmbito (PDA) do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) (designadamente no parecer enviado por Nuno Quental e Jorge Mesquita, sócios da Campo Aberto) foram integradas como requisitos obrigatórios ou recomendações no Parecer Técnico Final da Comissão de Avaliação – os quais terão de ser observados na elaboração do EIA. Os principais são:

 

Foto de Glória Rodrigues

 

1. Obrigatoriedade de avaliar a «alternativa zero»

O parecer crítico argumentou que apresentar o projeto como um «facto consumado» sem alternativas era ilegal e exigiu a inclusão da alternativa zero (não realização do projeto). A Comissão de Avaliação aceitou esta exigência, determinando que o EIA deve obrigatoriamente descrever a evolução previsível da área sem o projeto e avaliar outras alternativas, justificando tecnicamente caso alguma não seja analisada.

2. Estudo de sobrecarga de serviços públicos e equipamentos

Os autores do parecer alertaram para o risco de colapso de escolas e centros de saúde locais devido à expectativa de 5000 novos residentes. Esta preocupação foi convertida em requisito oficial: o EIA terá de demonstrar cabalmente que os equipamentos de educação, saúde e apoio à terceira idade na envolvente não ficarão sobrecarregados pelos cerca de 1665 novos fogos.

Foto de Glória Rodrigues

 

3. Adoção do modelo «Vauban» de Freiburg

Uma das sugestões mais específicas do parecer foi a utilização do bairro de Vauban (Alemanha) como referência de sustentabilidade e mobilidade suave. Esta recomendação foi explicitamente adotada no parecer setorial do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), que indicou o modelo de Vauban como uma boa prática internacional a ser considerada pelo proponente para o desenvolvimento de soluções «verdes» e de preenchimento de malha urbana.

 

4. Preservação de solos e hortas urbanas

O parecer criticou a intenção de «limpeza e desmatação» total, que eliminaria árvores de décadas e hortas urbanas. Em resposta, a Comissão de Avaliação recomendou que os solos com melhor aptidão, identificando especificamente as áreas de hortas, sejam reaproveitados nas novas zonas verdes e ripícolas do projeto, além de exigir um levantamento exaustivo das espécies existentes.

 

Foto de Glória Rodrigues

 

5. Elevação do fator «socioeconomia» a muito importante

O parecer técnico dos cidadãos sublinhou que o PDA subvalorizava os impactos sociais e o risco de gentrificação. A Comissão de Avaliação concordou com esta visão, elevando o fator «socioeconomia» à classificação de «muito importante» e exigindo que o EIA estude especificamente o risco de gentrificação e o impacto negativo no comércio local tradicional.

6. Mobilidade suave e conforto pedonal

O parecer denunciou a falta de arborização para sombreamento nas ciclovias e passeios. A Comissão de Avaliação incorporou esta preocupação ao exigir que o EIA salvaguarde a integração sem descontinuidades das ciclovias com a rede envolvente e que promova a arborização das vias para bioclimatização e redução de velocidade.

 

Foto de Glória Rodrigues

 

7. Análise de impactes cumulativos e sinérgicos

Face à crítica de que o projeto estava a ser avaliado isoladamente, a Comissão de Avaliação impôs a inclusão de uma análise detalhada dos impactes cumulativos e sinérgicos com outros projetos na área envolvente, para compreender o efeito real sobre a qualidade do ar, tráfego e recursos hídricos numa escala mais alargada.

 

Foto de Glória Rodrigues

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