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Arquitectura, estrelato, "modernismos" e democracia

Excerto do artigo de João Pereira Coutinho, “Sobre arquitectos e Modernistas…etc” (Speakeasy), in Atlântico [1] nº15, Junho 2006, a propósito do artigo de Miguel Sousa Tavares sobre Siza em Madrid [2].

Pois…”percebe-se” que não passe pela cabeça do arquitecto que o projecto (para Madrid) e a apreciação do júri pudessem estar errados.
No caso das “nossas” Avenida dos Aliados e Praça da Liberdade –nem concurso, nem júri, e muito menos discussão pública!
Serão os ‘arquitectos estrelas’ [3] os únicos culpados? De modo algum: os principais responsáveis são até talvez os que de ‘mão beijada’ permitiram que isso acontecesse. Ou melhor que isso continue a acontecer, em conivência passiva e comungante com a“natureza potencialmente autoritária da arquitectura moderna” .
E no nosso entender, atropelando a lei, menosprezando os apelos dos cidadãos [4], funcionando de um modo inadequado e escandalosamente autocrático.

Nota:
Gostava de poder publicar o artigo em questão na íntegra. Trata-se de uma análise interessante sobre a diferença essencial entre artes como a literatura e a pintura – que podemos livremente usufruir ou ignorar, e a arquitectura- expressão artística com uma função colectiva, a que não nos podemos furtar. Daí, por mais vezes do que as desejáveis, a sensação de imposição agressiva, de autoritarismo que origina: «Mas a arquitectura é por definição inescapável: ela impõe-se indiferentemente como realidade colectiva. A natureza potencialmente autoritária da arquitectura moderna, que horroriza Sousa Tavares [2], e com razão, parte dessa confusão primeva entre expressões artísticas distintas.» (id.)

2 Comments (Open | Close)

2 Comments To "Arquitectura, estrelato, "modernismos" e democracia"

#1 Comment By Manuela D.L.Ramos On 02/06/2006 @ 7:08

Já tenho autorização para reproduzir parte do artigo que interessa na íntegra… Mas ainda nao tive tempo. fica para breve.

#2 Comment By Anonymous On 18/06/2006 @ 22:02

Lá por ser bom arquitecto, não quer dizer que seja bom urbanista/designer urbano….São escalas diferentes, propósitos diferentes, intenções diferentes. Pena que nem ele perceba isso (mas o dinheiro deve dar-lhe muito jeitinho, não é!!).