• Ago : 11 : 2014 - Apelo ao boicote de alimentos com milho transgénico
  • Nov : 23 : 2011 - Petição pela salvaguarda das Sete Fontes
  • Jul : 6 : 2011 - Perigo para Paisagem Protegida Valongo
  • Jun : 17 : 2010 - Corte de Árvores na Circunvalação – resposta da C.M. Porto
  • Jun : 15 : 2010 - Corte de Árvores na Circunvalação

Na véspera da realização deste encontro, de que daremos aqui mesmo notícias depois de ocorrido, recebemos duas observações sobre o assunto que desde já partilhamos com os nossos leitores. No final delas encontra-se um texto de enquadramento proposto aos participantes do encontro.

CONTRIBUTOS E PROPOSTAS

Maria de Lourdes Alcobia
Lamento não poder estar presente por razões alheias à minha vontade! Contudo lembro que é necessário fazer uma petição ao Parlamento para rever a lei do ordenamento do território e da floresta e acabar com a lei publicada na Legislatura de Passos Coelho que permite a plantação de eucalipto em todas as áreas inclusive de reserva agrícola ou até no próprio quintal ou jardim! Precisamos de voltar à plantação de árvores autóctones e eliminar progressivamente a austrália e o eucalipto (entre outras) que, além de desertificarem e mineralizarem os solos, vão comprometendo em larga escala a biodiversidade e os níveis freáticos! O crescimento deve ser sustentado pois os bens da terra, do ar e da água não nos pertencem e ninguém tem o direito de os explorar de forma irracional visando apenas o lucro! Por um planeta mais limpo, mais natural,  menos explorado e mais harmonizado! Que consigam atingir os objectivos propostos para o encontro!

António João Lopes
Este leitor, originário da região serrana de Arganil e membro da assembleia municipal desse concelho, envia-nos algumas considerações que reproduzimos com muito ligeiras adaptações. Note-se que o pastoreio, que pode de facto em alguns casos ser solução como prevenção de fogos, é em certos outros casos fautor de incêndios quando leva a queimadas com vista à produção de pastagens para determinados tipos de gado. O problema é complexo e multiforme, por isso não haverá talvez uma solução única mas sim várias soluções adaptadas a cada território concreto, todas elas baseadas numa diferente formação e utilização do coberto vegetal em relação à que hoje predomina – a monocultura de duas espécies muito inflamáveis, pinheiro e eucalipto.
Eis os considerandos de António João Lopes:

Fogos, desertificação e situação económica do Interior
A situação que se vive em Portugal de frequentes fogos de verão conduz muitas vezes a desertificação do Interior e consequentemente a débil situação económica.
As características do terreno são boas na maior parte já que conduzem a um crescimento normal da matéria orgânica, e a pluviosidade está dentro de valores normais de outubro a maio.  São motivos de crescimento de plantas herbáceas que secam em maio e junho e com facilidade  alimentam os incêndios.
A divisão da propriedade também contribui para dificultar o controle dos fogo dadas as paredes e obstáculos frequentes. Perante tais condições de temperatura, pluviosidade e características de terreno, encontramo-nos em situação débil economicamente e de desertificação, por não termos tido ainda a capacidade nacional de aproveitar com inteligência os benefícios que temos.
Nas serras, durante o incêndio com facilidade se estabelece o efeito de chaminé. Esse é um fenómeno a estudar, para que ele não se estabeleça, intercalando zonas de pastoreio convenientemente estudadas.
As herbáceas de rápido crescimento têm de ser pastoreadas até ao início do período seco, os matos em zonas com árvores crescidas ou sem árvores têm de ser pastoreados constantemente durante o período em que as pontas ainda não são agressivas. Assim tojos, giestas, estevas e demais espécies são mantidas rasteiras e desenvolvendo constantes rebentos. O rebanho circula por lotes aramados sem necessidade de grande trabalho de pastoreio, conforme o crescimento dos matos em cada lote, o que já é feito com um rebanho no Piódão.

No início da implantação dos lotes é necessário fazer um trabalho de limpeza de matos crescidos, já impenetráveis por vezes pelas cabras. Nas zonas de árvores ainda em dimensões pequenas não é possível usar este método porque as cabras comem tudo. Outra solução terá de ser usada,talvez cortar a erva que venha a secar, mecanicamente, antes de poder alimentar facilmente o incêndio, em maio ou junho.

A biomassa comestível pelas cabras tem de ser aproveitada todo o ano, durante um curto período de tempo antes que seque e se torne agreste e assim alimente o incêndio. Esse é um programa que se implanta com facilidade num ano, mantendo-o de modo permanente evitamos o incêndio porque não há combustível seco no terreno e as árvores crescidas  sozinhas não alimentam facilmente a combustão.

A riqueza está disponível apenas no período de crescimento dos rebentos dos matos enquanto comestíveis pelas cabras, assim possibilitamos que as árvores atinjam o crescimento normal com fins económicos, evitamos o dispêndio com bombeiros, aviões e viaturas de verão desde que toda a floresta tenha durante o ano gente a trabalhar nas pequenas adaptações de acessos, nos rebanhos de cabras com ordenha, no fabrico de queijo e aspectos sanitários diversos.
Assim é possível transformar em riqueza o que até agora tem sido prejuízo, esforço perdido, porque perdemos a ocasião de aproveitar o que está disponível não num curto espaço de tempo, mas durante os 365 dias do ano.

A terra é boa porque produz, a chuva é razoável, as montanhas não são demasiado agrestes, os habitantes é que ainda não foram capazes de resolver o problema. Proponho que se divulguem estes tópicos porque estão no caminho certo para diminuir os fogos, acrescentar riqueza e diminuir a desertificação.
António João Lopes

Proposta de enquadramento:
missão apresentada ao Encontro
Uma ideia orientadora possível é esta: que em cada território surjam iniciativas de defesa e valorização de modo a criar um coberto vegetal estruturalmente diferente do atual.

Enquanto que hoje esse coberto, devido a erros ecológicos, económicos e sociais, é predominantemente de espécies altamente inflamáveis e com visão de curto prazo, é indispensável fazê-lo evoluir gradualmente (daí ser preciso começar de imediato mas só se poderem obter resultados sólidos a médio e longo prazo) para um mosaico diversificado de arborização com espécies autóctones em que a presença de pinheiro e eucalipto não seja esmagadora como é hoje mas limitada e contingentada, de modo a criar uma rede onde as áreas densamente arborizadas alternem com áreas menos densas, e onde as áreas cultivadas interrompam onde possível as áreas arborizadas.

Tudo isso só será viável numa orientação económica sustentável, de longo prazo, o que exige ação imediata para efeitos graduais e lentos. A utilização de herbáceas e matos para a produção de compostos muito férteis é também uma forma de a mais curto prazo atenuar o perigo da acumulação de material combustível mas não dispensa uma intervenção mais profunda.

Para vingar, esta orientação terá que assentar numa revitalização dos territórios com base numa agricultura ecológica e menos dependente de combustíveis fósseis e de químicos de síntese quer na fertilização quer na defesa das plantas.

Uma reabitação do território nas diversas biorregiões será motor e ao mesmo tempo resultado desta metodologia.

Evidentemente, são hipóteses de trabalho mas que têm já muita fundamentação e conhecimento a suportá-las.

A nível de cada pequena região ameaçada pelos fogos sugerimos Iniciativas Locais de Defesa do Território com base nesta visão.

A nível nacional, defendemos um movimento que atue de inverno a inverno (e não apenas na chamada «época dos fogos») e que proponha continuamente estas linhas de orientação às instâncias que possuem os meios para as aplicar. Talvez criar algo como a APAGAR  – aliança para acabar com os fogos de modo duradouro e reduzi-los à exceção ocasional e não a regra fatídica que hoje são.
29 de outubro de 2016

ACABAR COM OS FOGOS, UTOPIA OU NECESSIDADE?

Há quem diga que, tendo em conta o nosso clima, é impossível acabar com os fogos de verão, nas nossas matas ou «florestas». É claro que é impossível reduzi-los a zero. Mas é possível e, mais que possível, necessário e muito urgente, criar condições para que, a prazo, sejam reduzidos a muito menos  do que são hoje.

Não há verão desde há décadas em que os fogos não sejam a vedeta. Os do verão de 2016 estão entre os mais graves das últimas quatro décadas. Os fogos estivais sempre repetidos, ano após ano, tornaram-se um verdadeiro terror nacional que só com coragem poderá ser sacudido. Entre  as muitas causas do flagelo está, claramente expressa, a responsabilidade do abandono, da agressão do território, de leis inadequadas, da gestão errada do espaço florestal, da expansão de certas exóticas e infestantes, de alguns interesses dúbios e  da negligência que atinge o nosso país.

Uma pequenina aldeia, ecoaldeia, construída de raiz.

Uma pequenina aldeia, ecoaldeia, construída de raiz.

 

IMEDIATISMO DE LONGO PRAZO

Propomos, em alternativa à resignação e ao fatalismo, que se comece a agir. Não a pensar em resultados para amanhã, mas preparando, de imediato, o presente. Para que daqui a 10, 20 anos, se consigam atingir resultados com uma revigorada expressão que serão mais plenamente sentidos daqui a 30, 40 ou mesmo 100 anos. Daí este aparente paradoxo: é preciso agir de imediato mas com uma visão de longo prazo, que vá até aos nossos netos, bisnetos e trinetos!

Considerando que são necessárias Iniciativas Locais de Defesa do Território em cada concelho onde existe o risco de fogos repetidos, iniciativas para sacudir o torpor e enfrentar as causas profundas do estado de coisas, surgiu a ideia, resultante de uma parceria entre a Quinta do Lobo Branco e a Campo Aberto – associação de defesa do ambiente – de, em conjunto, convidarmos os interessados a pensar connosco e, melhor ainda, a agir connosco, no contexto de um primeiro encontro sobre o tema.

Uma pequena cascata que faz o encanto do local.

Uma pequena cascata que faz o encanto do local.

Programa do Encontro
Sábado 29 de outubro de 2016

15:00 Chegada dos participantes à Quinta do Lobo Branco

(ver mais abaixo a localização e os meios de chegada)

15:30 Visita ao espaço da QLB, orientada pelos residentes no local.
Apresentação da FUNDAÇÃO DA HUMANIDADE,
a missão que assumiu a Quinta do Lobo Branco.

16:00 Conversa sobre os fogos e o nosso futuro

Tendo como ponto de partida um artigo recente de Miguel Dantas da Gama, «Fogos inevitáveis no Portugal que somos», e com a presença deste.

O artigo saiu no jornal Público na segunda metade de agosto último. O autor é um profundo conhecedor do Parque Nacional da Peneda-Gerês, sem dúvida um dos seus melhores conhecedores, autor de vários livros sobre o Parque ou nele enquadrados. E por isso também, conhece bem o flagelo dos fogos que, infelizmente, atinge com inexplicável fúria os espaços ditos «protegidos».

Contribuirão igualmente para a conversa Jorge Moreira, membro da direção da Sociedade de Ética Ambiental, investigador e colaborador no Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, que lançou este verão diversas iniciativas digitais contra a apatia perante os fogos; e Jerónimo Gama, tradutor, filósofo e ativista, licenciado pela Faculdade de Letras do Porto, com raízes na Serra da Aboboreira, região castigada pelos fogos – o que tem suscitado a sua reflexão sobre a (in)sustentabilidade, baseando-se numa visão integrada da floresta ao arrepio dos erros, cumplicidade e inércia na preservação do património natural comum.
A conversa será moderada por José Carlos Costa Marques, presidente da Campo Aberto, e todos os presentes serão convidados a dar o seu contributo.

18:30 Encerramento

Inscrições

Inscrição aconselhável até 25 de outubro (mas pode aparecer sem inscrição se só puder decidir-se à última hora):
atividadesca@gmail.com
ou pelo telefone 918527653 (Campo Aberto)
ou 932520873  – 93 837 50 22 (QLB)

Para chegar à Quinta do Lobo Branco (Rua do Outeiro, 243, 4560-376 Paço de Sousa – Penafiel)

Uma pequena paisagem já trabalhada em harmonia com a natureza e com a visão da Quinta do Lobo Branco.

Uma pequena paisagem já trabalhada em harmonia com a natureza e com a visão da Quinta do Lobo Branco.

(ver: quintadolobobranco.pt/chegar.php)

De comboio: até Cête, na linha Porto São Bento – Caíde, e depois cerca de 1km a pé. Possibilidade de vaivém de carro de Cête até à QLB para quem chegue cedo (comboio que parte de Porto São Bento às 13:30 e de Porto Campanhã às 13:35 e chega a Cête às 14:04; ou de São Bento às 14:00, de Campanhã às 14:05, e chega a Cête às 14:42. Regresso: Cête às 19:18, Campanhã 19:55, São Bento 20:00; ou Cête às 20:18, Campanhã às 20:55, São Bento às 21:00). Há Praça de Táxis, na Praça do Município, mesmo frente à estação, com o telefone: 255 212 471.

De carro (eventualmente com boleias partilhadas). Localização: a Quinta do Lobo Branco fica localizada na pequena vila histórica de Paço de Sousa a 30 minutos da cidade do Porto e do mar e a 10 minutos de carro de Penafiel. Coordenadas GPS: Latitude 41° 09’29.36 N / Longitude 8° 20’01.24 W.

Do Porto pela A4 em direção a Vila Real. Saída n. 10 da autoestrada: Baltar/Parada. Virar à direita na direção de Parada. Na 1ª rotunda virar à direita para Paço de Sousa. Na 2ª rotunda virar à direita na direção do Mosteiro de Paço de Sousa. Virar na primeira rua à esquerda. Passar o Mosteiro de Paço de Sousa e a Casa do Gaiato, seguir em frente, pela rua à direita, e andar cerca de 1,2 km.

Assinale na sua inscrição, caso vá de carro, se tem lugares disponíveis ou se precisa de lugar.
No sistema de boleias partilhadas, os passageiros decidem diretamente com o motorista, sem interferência dos organizadores, a partilha dos custos de combustível (e de portagens, se aplicável).

 

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2 comentários até agora.

  1. Antonio Lopes diz:

    Caros Amigos:
    Gostaria de conhecer os vossos planos para acabar com os fogos, porque eu também tenho alguns. No sábado 22 vou expô-los na Assembleia Municipal de Arganil. Vejo com dificuldade ir a Penafiel no dia 29, mas proponho que nos mantenhamos em contacto. Julgo que temos de aproveitar os produtos combustíveis antes de serem queimados, que são de grande riqueza.
    Um abraço
    António Lopes

  2. Campo Aberto diz:

    Caro António Lopes
    Obrigado pelo seu interesse. A deslocação à Quinta do Lobo Branco não é o essencial. O importante é que em cada território surjam iniciativas de defesa e valorização de modo a criar um coberto vegetal estruturalmente diferente do atual. Enquanto que hoje esse coberto, devido a erros ecológicos, económicos e sociais, é predominantemente de espécies altamente inflamáveis e com visão de curto prazo, é indispensável fazê-lo evoluir gradualmente (daí ser preciso começar de imediato mas só se poder obter resultados sólidos a médio e longo prazo) para um mosaico diversificado de arborização com espécies autóctones em que a presença de pinheiro e eucalipto não seja esmagadora como é hoje mas limitada e contingentada, de modo a criar uma rede onde as áreas arborizadas densamente alternam com áreas menos densas, e onde as áreas cultivadas interrompam onde possível as áreas arborizadas. Tudo isso só será possível numa orientação económica sustentável, de longo prazo, o que exige ação imediata para efeitos graduais e lentos. A utilização de herbáceas e matos para a produção de compostos muito férteis é também uma forma de a mais curto prazo atenuar o perigo da acumulação de material combustível mas não dispensa uma intervenção mais profunda. Tudo isso para vingar terá que assentar numa revitalização dos territórios com base numa agricultura ecológica e menos dependente de combustíveis fósseis e de químicos de síntese quer na fertilização quer na defesa das plantas. Uma reabitação do território nas diversas biorregiões. Tudo isto, evidentemente, são hipóteses de trabalho mas que têm já muita fundamentação e conhecimento a suportá-las. A nível de cada pequena região ameaçada pelos fogos sugerimos Iniciativas Locais de Defesa do Território com base nesta visão. A nível nacional, defendemos um movimento que atue de inverno a inverno (e não apenas na chamada “época dos fogos”) e que proponha continuamente estas linhas de orientação às instâncias que possuem os meios para as aplicar. APAGAR – aliança para acabar com os fogos de modo duradouro e reduzi-los a exceção ocasional por forma a deixarem de ser a regra fatídica que hoje são.

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