• Ago : 11 : 2014 - Apelo ao boicote de alimentos com milho transgénico
  • Nov : 23 : 2011 - Petição pela salvaguarda das Sete Fontes
  • Jul : 6 : 2011 - Perigo para Paisagem Protegida Valongo
  • Jun : 17 : 2010 - Corte de Árvores na Circunvalação – resposta da C.M. Porto
  • Jun : 15 : 2010 - Corte de Árvores na Circunvalação

NO PORTO TAMBÉM!
Participe: Praça da Liberdade às 17:00, sábado 8 de setembro

Informações e contactos: www.salvaroclima.pt
Mobilização internacional: www.riseforclimate.org

A propósito de alguns cartazes feitos no Canadá e na Holanda para apoio da Marcha Mundial pelo Clima de 8 de setembro de 2018, Jorge Leandro Rosa, membro da direção da Campo Aberto, propõe-nos uma interessante reflexão.

Logo a seguir ao texto de Jorge Leandro, pode ler-se o comunicado dos organizadores da Marcha do Clima em Portugal.

Colocado em 3 de setembro de 2018

Marcha Mundial do Clima 2018 – Notas de Jorge Leandro Rosa

Para a marcha mundial do clima, a associação 350.org [que há vários anos se tem destacado na luta por uma solução autêntica às alterações climáticas] pediu a contribuição de artistas visuais de seis continentes. Creio que será interessante dizer alguma coisa sobre alguns destes cartazes e a partir deles.

Christi Belcourt pertence à nação Mânitow Sâkahikan e vive no Lago Huron, no Canadá. Os povos indígenas formam, em todo o mundo, mas em particular na América do Norte, minorias que estão sempre na linha da frente quando se trata de defender os territórios e os seres que neles habitam resistindo à exploração e à instalação de infraestruturas das indústrias do petróleo e do gás. Esta luta é tanto mais importante quanto sabemos a que ponto o «fracking» é uma exploração extensiva, que abrange espaços imensos e que se desloca incessantemente, uma vez que os poços explorados por esta tecnologia têm uma vida útil muito curta. Trata-se, portanto, de uma «segunda conquista» de territórios importantes para as nações iniciais da América.

Mas não estaríamos a dizer o mais importante se nos limitássemos a falar da defesa de um espaço e de uma ideia da sua utilização. Trata-se também da defesa de um entendimento não económico dos territórios: muitas das instalações do gás e do petróleo atravessam territórios pouco povoados por humanos, mas intensamente vividos por todo o tipo de espécies e onde os humanos podem encontrar um outro modo de vida.

Como escreveu a própria Christi: «Tudo o que faço na minha vida é o meu amor pela terra e a minha reverência por ela. Este maravilhoso planeta, tão cheio de mistério, é um paraíso. Tudo – as plantas, insetos, ventos, estrelas, rochas, animais, nós  – é uma teia gigantesca de espírito puro. Nada está separado de tudo o resto. A vida toda, as próprias rochas, devem ser tratadas com respeito. As leis sagradas deste mundo são o respeito e a reciprocidade. Quando deixamos de as  seguir, nós enquanto espécie entramos em desequilíbrio com o resto do mundo.»

Não basta combatermos o capitalismo carbónico: precisamos nós próprios de sair dele com as nossas pernas, os nossos olhos, a boca, o espírito, o ventre, o sexo e as palavras que trazemos connosco. Descarbonizar não é só introduzir tecnologias menos poluentes (todas as tecnologias intensivamente implantadas o são), é deixar de considerar a natureza como matéria-prima disponível para a criação de valor. Observem a imagem da Christi [acima].

«Levantem-se pelo clima. Juntos por um futuro livre de fósseis» é a tradução do texto holandês inscrito neste cartaz desenhado pela Daniela Paes Leão, que é portuguesa e vive hoje na Holanda. Recorrendo à fotografia, ao desenho, ao filme e à performance, a Daniela tem vindo a tentar situar o âmago de problemas sociais ou políticos. Fá-lo colaborando com as comunidades que conhece ou onde está inserida. Diz ela (e aqui tenho de traduzir do inglês): “Trabalho em séries de desenhos que dão a ver mundos futuros possíveis que sejam desejáveis e nos quais queremos viver, embora ainda não tenhamos lá chegado. Decidi fazer um desenho que mostra as pessoas a celebrarem uma Era Livre de Combustíveis Fósseis. Estas trazem bandeiras onde se vêem os elementos da natureza.”

Estamos a lutar por um futuro onde queiramos viver. Um futuro sem combustíveis fósseis. É fácil dizê-lo e, sobretudo, é necessário desejá-lo. Mas não é assim tão fácil chegar lá. As razões são complexas mas muito fáceis de compreender.

Em primeiro lugar, fizemos rimar «civilização» com «energia fóssil»: embora as energias renováveis estejam a crescer, a base fóssil do sistema energético global teima em manter-se próxima dos 80 por cento da energia total consumida. E isso acontece porque o sistema energético «puxa» um sistema económico cuja lógica é o crescimento. O que torna evidente que não basta converter um tipo de energia noutro. Os painéis solares e as centrais eólicas que seriam necessários para substituir todas as fontes fósseis (carvão, petróleo e gás) representariam uma ameaça ambiental próxima ou equivalente. É claro para mim que queremos energias renováveis para viver de maneira diferente, reinventando a forma como entendemos a sociedade e a economia.

Em segundo lugar, as energias fósseis são subsidiadas por todos os países a um ponto difícil de imaginar: são mais de 5 000 000 000 000 de dólares por ano, segundo cálculos recentes (em inglês diz-se «5 trillion»), e a crescer: 5 milhares de milhões de dólares. Mesmo com [o acordo de] Paris, podem imaginar os poderes e os interesses que aqui operam com grande pujança. Não é razão para desanimar, antes para perceber que as prospeções no território português são uma parte de uma grande máquina global.

Em terceiro lugar, não é fácil representar o mundo sem fósseis onde quero viver. É preciso descarbonizar os empregos, claro. Mas também podemos ir mais longe (e, provavelmente, será necessário fazê-lo): por que não abandonar toda a estrutura do «emprego», que é hoje uma parte de um mundo de dependências energéticas, sociais e económicas? Ivan Illich falava do «desemprego útil», com ironia certamente, mas também anunciando a sociedade descarbonizada que queremos. É fácil perceber que a saída deste modelo energético nos pede toda a nossa criatividade, como diz a Daniela.

 

03/09/2018 – COMUNICADO

Portugal junta-se à Marcha Mundial do Clima
em três cidades no dia 8 de setembro

Marchas em Lisboa, Porto e Faro exigem que não se inicie a exploração de combustíveis fósseis
e se faça uma transição justa e rápida para energias renováveis

Quando?  8 de setembro, sábado, 17h00

Porquê?    para Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego!

No próximo dia 8 de setembro, às 17 horas, marcaremos presença em Lisboa, Porto e Faro na Marcha Mundial do Clima sob o lema «Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego!». Juntamo-nos à mobilização internacional «Rise for Climate», que unirá milhões de pessoas em centenas de cidades por todo o mundo.

Exigimos uma transição justa e rápida para energias renováveis que vá ao encontro ou supere os compromissos governamentais de Portugal ser neutro em carbono até 2050 e que cumpra os compromissos a que se vinculou com o Acordo de Paris. Exigimos que não se criem novas infraestruturas de combustíveis fósseis em Portugal. Não faz sentido iniciar um ciclo de investimentos baseado numa economia do passado prejudicando o clima quando o país se comprometeu com o contrário. Por isso dizemos não aos projetos de petróleo frente a Aljezur, de gás em Aljubarrota e em outras zonas concessionadas ou passíveis de o ser.

Em Portugal, as marchas são organizadas no âmbito da iniciativa Salvar o Clima, que conta já com a subscrição de mais de 40 organizações de ambiente, movimentos cívicos, sindicatos e partidos políticos.

Em Lisboa e Faro, estão previstos breves discursos por parte de algumas organizações no final da marcha. No Porto, os discursos serão proferidos antes do início da marcha.

Contexto
Portugal tem sido severamente atingido por secas, vagas de calor, e incêndios descontrolados. A nossa floresta, o maior sumidouro de carbono que possuímos, tem vindo a ser destruída. Os nossos compromissos com o Acordo de Paris e com a neutralidade carbónica até 2050 espelham uma profunda contradição com as intenções de abrir o país à exploração de combustíveis fósseis.

Esta contradição tem de ser urgentemente invertida em prol da vida na Terra e não de perspetivas irrealistas de retorno económico, retorno este muito inferior aos possíveis impactes locais e aos garantidos impactes globais.

Mesmo num período da nossa civilização em que por vezes surgem informações falsas e populistas, a verdade é que o consenso científico demonstra as evidências irrefutáveis das alterações climáticas. Estas evidências estão infelizmente a tornar-se parte do nosso quotidiano, e lentamente constatamos uma mudança do clima com consequências dramáticas desde já, e principalmente para as próximas gerações, afetando múltiplos domínios da nossa sociedade.

Os efeitos fazem-se sentir cada vez mais e a velocidade com que a gravidade e intensidade destes se manifesta é cada vez maior. Conceitos como «planeta mais quente» estão rapidamente a ser substituídos pela noção de «planeta inabitável».

Estamos progressivamente a perder a luta contra o tempo para salvarmos o nosso planeta. De acordo com estudos recentes, há um risco crescente de atingirmos um ponto a partir do qual o Sistema Terreste ficará permanentemente instável, passando este a acelerar as alterações climáticas ao invés de as atenuar.

Com a intensificação dos impactes das alterações climáticas, chegámos ao momento em que temos de ir bem para além do que as negociações internacionais podem oferecer.

Juntos podemos mobilizar-nos para a construção de uma liderança climática e criar o momento certo para assegurar uma transição energética para um mundo sustentável e equitativo. Para atingir isso, comunidades do todo o mundo vão liderar e assegurar a transição justa e rápida para energias 100 por cento renováveis para todos, ao mesmo tempo que param todos os novos projetos de exploração de combustíveis fósseis.

A Marcha Mundial do Clima marcará o passo dos próximos eventos políticos, e mostrará aos nossos líderes qual a resposta que queremos para a realidade da crise climática

A iniciativa é organizada por mais de 40 organizações (ONG, movimentos locais, sindicatos, partidos)

LISBOA: início no Cais do Sodré

PORTO: início na Praça da Liberdade

FARO: início no Largo da Sé

Informações e contactos:

www.salvaroclima.pt

Mobilização internacional:

www.riseforclimate.org

Lisboa Ana Matias | SCIAENA & PALP | Tel. 915 684 976, João Costa | Climáximo | Tel. 917 714 327, Carlos Fulgêncio | The Climate Reality Project em Portugal | Tel. 966 315 971 Francisco Ferreira | ZERO | Tel. 969 078 564

Porto Jorge Leandro Rosa |Campo Aberto| Tel. 91 5641630 ou 22 208 6863 | Paula Sequeiros | Climáximo | Tel. 962 467 620
Helena Silva | Climáximo | Tel. 964 047 949

Faro Rosália Cruz | PALP | Tel. 919902643 | Edgar Figueiredo | PALP | Tel. 965618116| Nicolas Blanc | PALP | Tel. 917018720

Organizações Promotoras

Academia Cidadã, Alentejo Litoral pelo Ambiente, ASMAA – Algarve Surf and Maritime Activities Association, Associação das Terras e das Gentes da Dieta Mediterrânica, Bloco de Esquerda, Campo Aberto – associação de defesa do ambiente, Circular Economy Portugal, CIDAC – Centro Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral, The Climate Reality Project em Portugal, Climáximo, A Coletiva, Coopérnico – Cooperativa de Energias Renováveis, Empregos para o Clima, Famalicão em Transição, Futuro Limpo, GAIA – Grupo de Ação e Intervenção Ambiental, JOC – Juventude Operária Católica, Linha Vermelha, Livre, Marcha do Orgulho do Porto, Movimento Alternativa Socialista, Núcleo Académico para a Protecção Ambiental do ISCSP, Núcleo do Ambiente da FLUL, Pagan Federation International Associação, PAN – Pessoas Animais Natureza, PALP – Plataforma Algarve Livre de Petróleo, Partido Ecologista Os Verdes, Peniche Livre de Petróleo, Porto sem OGM, Precários Inflexíveis, Preservar Aljezur, Reflorestar Portugal, Sciaena,  Slow Food Algarve, SOS – Salvem o Surf, Socialismo Revolucionário, SOS Racismo, SPGL – Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, SPN – Sindicato de Professores do Norte, STCC – Sindicato dos Trabalhadores de Call Center, Tamera, Tavira em Transição, TROCA – Plataforma por um Comércio Internacional Justo, Stop Petróleo Vila do Bispo, Um Activismo por Dia, Volt Portugal, Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável

 

 

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