• Ago : 11 : 2014 - Apelo ao boicote de alimentos com milho transgénico
  • Nov : 23 : 2011 - Petição pela salvaguarda das Sete Fontes
  • Jul : 6 : 2011 - Perigo para Paisagem Protegida Valongo
  • Jun : 17 : 2010 - Corte de Árvores na Circunvalação – resposta da C.M. Porto
  • Jun : 15 : 2010 - Corte de Árvores na Circunvalação

Jorge-Paiva-1

Novo: 17 de agosto de 2015

Recebemos do Eng. Eduardo Oliveira Fernandes uma interessante informação relativa à história da Mata da Margaraça. Era ele, em 1984, Secretário de Estado do Ambiente, quando, nessa qualidade, decidiu a compra da Mata, que pertencera a uma ordem religiosa e tinha sido comprada no início dos anos 1980 por um particular de Albergaria a Velha. Ela vinha já então sendo acompanhada, do ponto de vista científico, pelo Professor Jorge Paiva. Dessa forma, o governo português da época pôde comprá-la para o Estado, por 39 mil contos. Ou seja, comentamos nós, o equivalente hoje a 195 mil euros, o preço de um T2 na região de Lisboa! Mesmo tendo em conta a inflação, pode dizer-se que foi barato! Citando o Eng. Oliveira Fernandes: «Se a Mata não tivesse sido comprada pelo Estado seguramente que teria desaparecido. Em suma, agora pode fazer todo o sentido a ligação à serra do Açor mas na altura esse elo conceptual ou estratégico não foi invocado.» A compra foi então justificada por se tratar de uma pequena mas considerada fiel amostra do coberto vegetal primitivo do nosso território. E assim a próxima visita da Campo Aberto a esse local é possível graças a este episódio. Podemos concluir que vale a pena a sociedade (através do Estado) investir na preservação da natureza! Sabemos por outra fonte que a proposta partiu de trabalho prévio do Professor Jorge Paiva e teve o apoio do presidente da Câmara Municipal de Arganil, que na ocasião era José Dias Coimbra.

Um estudo base da Mata da Margaraça e sua Conversão em Reserva , de autoria do Prof. Dr. Jorge Paiva, está aqui disponível:

Margaraça Flora-Jorge Paiva

VISITA À SERRA DO AÇOR – SÁBADO, 3 DE OUTUBRO
FRAGA DA PENA, MATA DA MARGARAÇA E PIÓDÃO

Visita acompanhada e orientada pelo Professor Dr. Jorge Paiva

A Campo Aberto fará em 3 de outubro de 2015 uma visita à Serra do Açor, acompanhada e orientada pelo Professor, botânico, investigador e ambientalista ativo e combativo, Dr. Jorge Paiva. Não deixe de ver, sobre o Professor Jorge Paiva, neste e-sítio, a rubrica O Mundo Fascinante das Plantas.

Jorge-Paiva-7

A Mata da Margaraça na Serra do Açor

Segundo o ilustre botânico, professor e ambientalista Jorge Paiva, «a Mata da Margaraça é uma das raras relíquias de vegetação natural do Centro de Portugal». Ela «constitui um precioso documento da vegetação das encostas xistosas», «das raras e mais significativas relíquias que nos restam da floresta que teria coberto a maior parte das encostas das serranias» dessa região.

Em artigo publicado em 1981 («Mata da Margaraça e sua conversão em Reserva», in Anuário da Sociedade Broteriana, ano XLVII), Jorge Paiva considerava que ela devia ser preservada a todo o custo» e que, embora na época estivesse «um tanto degradada e alterada em relação às caraterísticas primitivas», a sua importância era inquestionável.

Proteção Legal
Com a criação, em 1982, da Área de Paisagem Protegida da Serra do Açor, onde se integra a Margaraça (que tinha já desde 1979 uma proteção pelo menos teórica), esta reforçou a sua proteção legal.

Vinda de Coimbra, a nossa visita começará na Fraga da Pena, interessante acidente geológico onde se podem ver sucessivas quedas de água e em cujas margens se encontram vários motivos de interesse botânico. Depois disso, será então visitada a Mata, calculando-se em cerca de uma hora a permanência em cada um dos dois locais.

Segue-se uma merenda à hora do almoço (a cargo de cada participante). Da parte da tarde faremos a visita à aldeia de Piódão, célebre pela sua traça tradicional, e perto da qual existem outras pequenas aldeias de interesse. Daí regressaremos a Coimbra e logo ao Porto.

A NOSSA AMIGA FLORESTA

Com grande gentileza, e como contributo para uma visita mais proveitosa, o Professor Jorge Paiva enviou-nos vários documentos, entre eles uma pequena brochura com este título, editada pela Associação de Defesa do Património Arouquense, de autoria de Américo Oliveira e Filomeno Silva, datada de 1999 (ISBN 972-9474-17-A), que estará a partir da primeira semana de setembro disponível para consulta na sede da Campo Aberto.

São apenas 14 páginas, mas uma boa síntese pode valer por vezes, sobretudo para quem tem pouco tempo, como um bom tratado. Tem 9 secções, começando por definir o que é a floresta, não no sentido da floresta industrial de uma só espécie (silvicultura industrial em monocultura), mas como um ecossistema vivo e complexo. Essa distinção raramente está presente no nosso vocabulário e no da imprensa escrita e audiovisual. Chama-se floresta a tudo desde uma simples mata a uma imensa plantação de eucaliptos. Na verdade nada disso é de facto floresta. Floresta, enquanto ecossistema, dizem os autores, «constitui um conjunto complexo que engloba múltiplos seres vivos, animais e vegetais, que se mantêm em relação entre eles e o seu meio: árvores, arbustos, herbáceas, fungos, vertebrados (aves, mamíferos, peixes, répteis e anfíbios) e invertebrados (insetos, anelídeos, etc), tendo como suporte físico o solo, a atmosfera, as massas líquidas (rios, albufeiras e lagos).»

Edição Associação da Defesa do Património Arouquense, 1999

Edição Associação da Defesa do Património Arouquense, 1999

 

Funções ecológicas da floresta
Na secção seguinte apresenta-se uma lista das funções ecológicas da floresta. Enquanto a pseudo-floresta industrial tem como quase única função (que quase sempre prejudica outras que uma floresta espontânea poderia ter) a produção económica, a verdadeira floresta protege o solo contra a erosão, regulariza o regime hídrico, favorecendo a infiltração e o armazenamento de água em toalhas freáticas, tem uma função purificadora do ar e hoje manifestada também como absorção de gases de efeito de estufa que combatem o aquecimento global, e ainda fixação de dunas e várias outras igualmente importantes.  A secção terceira dedica-se à importância económica da floresta, que obviamente não pode ser ignorada desde que não se reduzam as florestas a simples monoculturas industriais.

Na secção quarta, faz-se uma súmula da história da nossa floresta e refere-se em especial a diminuição da área de pinheiro bravo e o aumento da área de eucalipto, hoje, 16 anos depois desta edição, ainda mais acentuadas.

Plantar eucaliptos, semear desertos
Um capítulo quinto tem o título combativo, que permanece perfeitamente atual, de «plantar eucaliptos é semear desertos». Encontram-se hoje alguns ditos ambientalistas que tentam «lavar» a imagem, não do eucalipto como árvore ornamental e até de interesse económico em escala limitada, no que é perfeitamente aceitável, mas como espécie apropriada à silvicultura industrial no nosso país. Segundo a brochura, a introdução maciça do eucalipto nestes termos constitui  «um grave erro ecológico e económico, que, além do mais, só veio agravar o despovoamento do mundo rural e a degradação física e biológica da paisagem e do meio ambiente».

Na secção 6 pergunta-se se há futuro e qual para a floresta portuguesa. A resposta condensa-se em três linhas: «O declínio da floresta provoca graves danos ao meio ambiente. Ninguém pode ignorar a sua importância como elemento depurador, corretor e estabilizador do meio natural.»

Conselhos úteis
As três últimas secções são complementares e têm um caráter prático acentuado, para saber mais e recomendar alguns livros que permitirão ampliar conhecimentos. A secção 7 é uma lista de conselhos úteis, explicados, e que aqui se apresenta apenas em tópicos: cuidado com o fogo, proteja as espécies naturais, procure manter a diversidade biológica, não apanhe nem cace animais, ajude os animais, salvaguarde os cursos de água, respeite as indicações e sinais, não deite lixo no chão, conduza com cuidado nos caminhos florestais, respeite quem trabalha na floresta, não pratique desportos radicais, salvaguarde o património construído, colabore na defesa da floresta, plante uma árvore, contribua para a diminuição dos riscos de incêndio, contribua para a reciclagem do papel. Lindo e vasto programa, não é verdade?

Paisagem Protegida da Serra do Açor, 2006, ICN

Paisagem Protegida da Serra do Açor, 2006, ICN

PAISAGEM PROTEGIDA DA SERRA DO AÇOR

Eis uma pequena brochura, também oferecida pelo Professor Jorge Paiva, editada em segunda edição em 2006 pelo então Instituto de Conservação da Natureza do Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Local.

Em apenas 16 páginas, ficamos a saber que esta paisagem protegida, situada na Serra do Açor, no concelho de Arganil, ocupa parte do território das freguesias de Benfeita e Moura da Serra, cobre uma superfície de 430 ha, com altitudes que oscilam entre os 400 m e os 1016 m e alberga duas áreas de especial interesse: a Reserva Natural Parcial da Mata da Margaraça e a Reserva de Recreio da Fraga da Pena. Ambas integram o programa da nossa visita. Os textos devem-se a Manuela Direito, Pedro Castro Henriques e Sílvia Neves.

Porque foi classificada?
A Área de Paisagem Protegida da Serra do Açor foi criada através do Decreto-Lei n.º 67/82, de 3 de março, fazendo parte do Complexo do Açor, em que também se incluem a mata e afloramentos de Fajão e os cumes de S. Pedro do Açor e da Cebola. Sítio proposto (resolução do Conselho de Ministros n.º 76/2000, de 5 de julho), para integrar, no âmbito da Diretiva Habitats, a então futura Rede Natura 2000. A Mata da Margaraça é uma Reserva Biogenética integrada na rede europeia criada sob os auspícios do Conselho da Europa.

A brochura fundamenta as razões da classificação e refere a integração do Complexo do Açor na Diretiva Habitats: «Neste Sítio ocorrem vários endemismos botânicos lusitânicos para além de espécies endémicas ibéricas tidas como “raras” ou em perigo”. Dentre os habitats naturais repertoriados para esta área destacam-se os povoamentos de azereiro Prunus lusitanica subsp. lusitanica, e os carvalhais de Quercus robur

É descrito o quadro físico, os habitats, flora e fauna, flora e vegetação, a ocupação humana, e a Mata da Margaraça e a Fraga da Pena são abordadas, chamando-se a atenção para o elenco florístico da primeira e para o acidente geológico interessante que constitui a segunda. São ainda propostos itinerários de automóvel e percursos pedestres.

Margaraça-cogumelos

Os Cogumelos e a Floresta, ICN, 1999

OS COGUMELOS E A FLORESTA

Finalmente, uma outra brochura relativa à Mata da Margaraça. Com texto de Sílvia Neves, e igualmente editada pelo Instituto de Conservação da Natureza em 1999, no âmbito da sua delegação de Coimbra e afeta à Paisagem Protegida da Serra do Açor, neste folheto de 16 páginas destaca-se a importância dos cogumelos na floresta.

Com numerosas ilustrações que ajudam à identificação, explica-se o que são fungos e cogumelos, como obtêm os seus nutrientes, qual o seu papel na floresta, refere-se a extinção e raridade de algumas espécies e destacam-se algumas das mais presentes no local.

Numa página inicial apresenta-se a Mata da Margaraça e abre-se o apetite para uma visita: «… no Outono e na Primavera, uma visita a esta Mata facultará aos olhos mais atentos um espetáculo de cores e formas escondidas pela floresta, à espera de serem descobertos! Vamos olhar mais de perto para este mundo misterioso dos cogumelos!»

 

 

 

 

Imprimir esta página Imprimir esta página

Um comentário até agora.

  1. Maria Manuela Carvalho diz:

    Excelente! Fico ainda mais ansiosa por participar nessa visita!

Deixar comentário