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Sábado, 23 de Maio de 2015, 14:00 Marquês e descida até aos Aliados

Ao longo da sua existência, a Campo Aberto tem apoiado, através de ações próprias ou aderindo às iniciativas de outras organizações, a luta contra a introdução das sementes transgénicas no nosso país e no espaço europeu. Daí que a Campo Aberto adira agora a esta Marcha Global contra a Monsanto (acontecimento a nível mundial), convidando os seus membros e cidadãos em geral a nela participarem, no Porto, num espírito de protesto não-violento. A marcha parte do Marquês de Pombal às 14:00 de sábado 23 de maio e desce até aos Aliados.

Porquê apoiar?
Porquê apoiar uma manifestação pública que visa uma empresa em particular, a Monsanto? Simplesmente porque esta se tornou sinónimo, pela escala global da sua presença, não só da manipulação genética das espécies com valor agrícola (90 por cento dos organismos transgénicos foram por ela patenteados), mas também porque os transgénicos dependem dos herbicidas que a mesma empresa produz. Ora isso redunda num ciclo químico capaz de atingir a grande maioria das espécies presentes na alimentação humana e dos animais.

Esta questão tem uma importância decisiva: os transgénicos são apresentados pela indústria (essa e outras superempresas globais) como sendo a solução para os problemas da agricultura e da alimentação das populações. Mas é o contrário que se desenha num futuro próximo: a introdução de sementes geneticamente modificadas propicia, pelos efeitos que começam a ser conhecidos, as condições para uma catástrofe localizada, precisamente, naquilo que sustenta a vida e as sociedades: a cadeia alimentar.

O Tratado Cavalo de Troia
Este ano, a Marcha contra a Monsanto faz também referência ao «Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento» (TTIP, na sigla em língua inglesa). Este acordo, que há anos tem vindo a ser negociado entre os EUA e a Comunidade Europeia, embora aparentemente destinado a incrementar a liberdade de comércio entre as duas regiões mais ricas do planeta, abre a Europa a inúmeras práticas agrícolas baseadas em transgénicos. Com efeito, tudo indica que, a concretizar-se, ele permitirá contornar as interdições e regulamentos que atualmente limitam severamente a presença da Monsanto no Velho Continente. E ao mesmo tempo será a negação da democracia real já que a grande maioria dos europeus, incluindo os portugueses, como têm provado numerosos estudos de opinião, são decididamente contrários aos transgénicos.

Assim, podemos dizer que o TTIP é o Cavalo de Troia da Monsanto e de outras empresas similares na Europa. Em breve, todas as sementes presentes nos campos à nossa volta poderão ser objeto de patentes que restringem o simples uso de sementes não geneticamente modificadas. O que equivale a um açambarcamento e uma ameaça aos delicados mecanismos que sustentam a vida. É para o evitar que a Campo Aberto apoia todas as iniciativas que se oponham à ratificação europeia de um tal acordo.

Saber mais

A Campo Aberto é membro da Plataforma Transgénicos Fora

A Campo Aberto é membro da Plataforma Transgénicos Fora


Sobre a marcha:
https://www.facebook.com/events/1573340366271296/

Para mais informações sobre a crítica e oposição aos transgénicos:
http://stopogm.net

Sobre a contestação e recusa do TTIP:
https://www.nao-ao-ttip.pt/tag/comissao-europeia/

Campo Aberto – associação de defesa do ambiente
membro integrante da Plataforma Transgénicos Fora

 

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2 comentários até agora.

  1. Jorge Leandro Rosa diz:

    Participo na Marcha realizada no Porto contra a Monsanto e o TTIP (Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento). É uma das mais de 400 iniciativas realizadas no mesmo dia em todo o planeta. Amigos que tenho nas áreas culturais e/ou sociais em que me movo mostram-se indiferentes ou vagamente interessados; alguns, por cortesia, perguntam-me do que se trata. Poderia responder-lhes que se trata da questão cultural mais candente, no sentido próprio do termo, já que a matéria da nossa cultura é hoje surpreendente e entra no campo da vida a uma velocidade inaudita. E de que, simultaneamente, se trata da questão política mais urgente, que só poderia estar ausente das actuais pré-campanhas eleitorais porque o que é verdadeiramente político – o confronto com os poderes que se pretendem naturais ou inevitáveis – está delas apartado.
    48 países e 421 cidades. É muito e é muito pouco para a escala do que se acontece. O que acontece é que a extracção de um lucro a partir dos sistemas vivos é hoje praticamente imperceptível e incompreensível para os cidadãos dos países ditos «desenvolvidos», todos os dias sujeitos à propaganda de sociedades que se justificam com um ambientalismo superficial e cosmético. Imperceptível porque ela penetra os seres vegetais e animais que são o nosso alimento. Imperceptível porque perdemos a compreensão, presente em todas as literaturas arcaicas, de que o sentido começa no que comemos e no que nos devora. Decorre um genocídio silencioso das espécies, da sua história imbricada na nossa. Como diz Gary Snyder, «deixemo-nos tocar por uma maior-do-que-a-humana, maior-do-que-a-pessoal, compreensão» (Snyder, «The Practice of the Wild»).

  2. rodrigo diz:

    Aqui está um vídeo muito recente pelo The Guardian e The Undercurrent, que traduzí e acho que vão gostar de publicar no mesmo âmbito:

    http://focoempatico.net/porque-estamos-a-ser-alimentados-por-um-perito-de-venenos-monsanto/

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