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IRRIGUE
Dar de beber às árvores

O temporal  da madrugada de 19-1-2013 teve uma acção  deletéria significativa  no património arbóreo do litoral  português. Só na região do Grande Porto terão caído alguns milhares de árvores, por arrancamento ou fractura.

Podemos também constatar na região  a existência de  programas camarários  particularmente agressivos de abate e substituição de árvores. Quer seja por um suposto risco de queda, quer porque incomodam (alguns),  quer seja  alicerçado em  argumentos fitopatológicos,  é incontável a quantidade de árvores que têm sido removidas nos espaços urbanos.

É certo que  inúmeras árvores jovens foram também  plantadas recentemente e este primeiro verão será critico na sua  possibilidade de sobrevivência, atendendo ao problema particular  do stress hídrico que enfrentarão.  O seu aparelho radicular e a sua capacidade de retenção de humidade é ainda muito reduzido ao que acresce ainda que as caixas de terra que lhes foram destinadas, além de um solo paupérrimo em termos nutricionais, estão frequentemente impermeabilizadas em torno de um estreito gargalo que limita a infiltração de água em profundidade.

Árvores jovens
As necessidades de rega de uma árvore são pontuais, habitualmente num período curto que corresponde ao primeiro e segundo ano de vida ou ao primeiro ano após transplante.  É certo que a actividade metabólica das árvores está directamente dependente da existência de água mas também é igualmente certo que na sua ausência a maior parte das árvores autóctones apresenta uma forte resistência protoplasmática à secura. Contudo , no que diz respeito às jovens árvores,  um pouco de água oportuna poderá fazer a diferença. É aí que apelamos então a uma atitude individual: Irrige uma jovem árvore perto de si !

A irrigação em períodos de grande secura e calor permitirá sempre promover uma actividade metabólica mais fisiológica e mais saudável mantendo os estomas radiculares abertos e activos. Esta intervenção humana, de carácter anti-Darwiniano, justifica-se atendendo à própria artificialidade a que a “cultura” da árvore tem na nossa sociedade urbana.

Para o verão de 2013 em Portugal é expectável um tempo atmosférico quente e prolongadamente seco, em linha com os anos anteriores, de acordo com o sistema de previsão sazonal multi-modelo EUROSIP (integração de dados metereológicos de um ensemble de 196 instituições membro, fonte Instituto Português do Mar e Atmosfera)

Tente identificar a espécie da Árvore que escolheu e tente obter mais informações sobre ela. Os Serviços Camarários da sua área de residência têm certamente canais de comunicação digitais que poderá utilizar.

Como irrigar melhor
A irrigação, que deverá ocorrer em hora de pouco calor, poderá ser feita com um vasilhame vulgar (de plástico) de 5 litros, uma vez por semana; ou então com uma garrafa de 1,5 litros duas ou 3 vezes por semana. Com o tempo quente e seco a impermeabilização do solo à superfície pode impedir a penetração da água ou propiciar que se evapore antes de conseguir drenar em profundidade; pode então utilizar várias técnicas para optimizar a agua utilizada:

– a rega gota a gota – se houver elementos arbustivos junto ao tronco que permitam ocultar o vasilhame este pode ser deixado, simplesmente, invertido, a gotejar através da tampa ligeiramente desapertada ou através de um pequeno orifício; passe mais tarde a recolher o vasilhame para reutilização;

– a rega através de um tubo – espete um tubo, por exemplo de plástico pvc (cloreto polivinílico), oco, de diâmetro razoável, na proximidade do tronco; deite á água através do tubo; assim não terá perdas por dispersão ou evaporação à superfície.

Boas regas! e se entender, partilhe a sua experiência connosco: contacto@campoaberto.pt

Leituras
Para aprofundar a sua relação com a Árvore propomos como leituras duas edições recentes da Campo Aberto:

Maravilhar-se – reaproximar a criança da natureza, de Rachel Carson

Um Porto de Árvores, Equipa Jardins Campo Aberto 2003-2004, Manuela Delgado Leão Ramos, Maria Pires de Carvalho e Paulo Ventura Araújo

 

Irrigue

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cupressus Sempervirens (cipreste), híbridos resistentes ao cancro proveniente de Bolgheri-Itália, recém plantados. Imagem ilustrativa, trata-se de uma conífera de folha persistente e muito resistente ao vento e à seca, não necessita de rega.

 

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