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NOTÍCIAS DA TERRA TODA
1 – julho 6. 2012

Breves sínteses e comentários de artigos ou notícias sobre a terra e a Terra. Substitui boletins temáticos anteriores mas mantém os seus temas embora num só título. Os temas, conforme os casos, serão destacados em palavras-chave: ecologia da saúde, ecologia e economia, energia e clima, natureza e conservação, poluição das ondas, Porto e Noroeste, ruralidade e nova agricultura, etc. Elaborado por José Carlos Marques: jcdcm@sapo.pt.

Palavras-chave: ruralidade, mirtilo, regresso à terra, Porto, urbanismo, verde urbano, logradouros, interior dos quarteirões.

Mirtilos e renovação da ruralidade

Em 30 de junho, a Campo Aberto efetuou uma visita à região rural de Couto de Esteves, junto ao rio Vouga e a alguns dos seus afluentes. No regresso, visitámos a Feira do Mirtilo, cultura recente mas muito na moda, e que tem no concelho de Sever do Vouga o seu epicentro em Portugal. Curiosamente, poucos dias depois lemos no Jornal de Notícias (6 de julho 2012) uma pequena reportagem sobre dois jovens, um arquiteto e um engenheiro, que aderiram à cultura do mirtilo como forma de se dedicarem à terra. Voltar a dar à quinta dos avós toda a vida que tinha, é o objetivo de Pedro Lobo com essa reconversão. Engenheiro civil, profissão que continua a exercer, cultiva 3500 pés de mirtilo numa área de um hectare, na Quinta da Remolha. Ambiciona também transformar mais tarde a quinta numa Quinta Pedagógica.
Na vizinha freguesia de Silva Escura, é na propriedade Moleiro da Costa Má que se situa a cultura de mirtilos do arquiteto António Oliveira, ex-diretor do departamento de arquitetura de uma universidade privada. Durante algum tempo vai dedicar-se quase a cem por cento a esta nova agricultura. Ainda exerce a arquitetura, mas considera que é melhor arquiteto e melhor professor estando ligado à agricultura. Além de plantar, recuperou já três habitações, onde reside e onde acolhe visitantes atraídos pelos estilos de vida ecológicos.
O artigo não especifica se ambos ou algum deles adota a agricultura biológica, mas sabemos que na região vários dos agricultores que se dedicam ao mirtilo o fazem em modo de produção biológico. Na visita que fizemos, também os nossos anfitriões, José Brás e Vilma Silva, da Fundação Solidários (www.solidarios.org), praticam a cultura biológica do mirtilo na sua Quinta Experimental Biológica da Casa da Fonte, em Couto de Baixo, freguesia de Couto de Esteves. Não é uma produção de caráter sobretudo comercial, já que se integra nas várias culturas hortícolas e frutícolas da Casa da Fonte, cujo objetivo é sobretudo demonstrar a viabilidade da agricultura biológica, comprová-la, incentivá-la e organizar formações e estadias de aprendizagem.
Alguns académicos, julgando-se bons humoristas, gostam de escarnecer daquilo a que chamam «o mito da ruralidade», patenteando enorme incompreensão do que é a motivação e a intenção dos vários movimentos, em Portugal e na Terra Toda, que criticam a destruição da terra, do interior, das aldeias, e propõem caminhos de revalorização, de reencontro e de uma nova agricultura na perspetiva ecológica. Coisas como as que referimos assim são a melhor resposta que podem ter: no caos atual do uso do território e da energia, iniciativas como estas, sem nada renegar do verdadeiro progresso, são as que de facto apontam caminhos de esperança.

Renovar o centro do Porto esquecendo o verde?

A renovação do decadente centro do Porto é uma necessidade e desde o início da sua existência tem sido defendida pela Campo Aberto, que organizou mesmo talvez a primeira discussão pública sobre o tema, em 2003 (ou 2004?), com a participação de Joaquim Branco, que então presidia o organismo que antecedeu a SRU – Porto Vivo, e de Nuno Teotónio Pereira, decano dos arquitetos portugueses, além de outros oradores.
Por isso, a inauguração (também noticiada pelo Jornal de Notícias de 6 de julho 2012), de uma nova praça semipública no quarteirão das Cardosas, por trás do palácio onde agora funciona um hotel de luxo, é à primeira vista de saudar sem restrições. Lamentavelmente, a avaliar pelas fotografias que têm sido divulgadas, a nova praça é o exemplo a não seguir do «urbanismo da mineralização obsessiva», que está infelizmente na moda e se espalha como uma epidemia. Por mais ilustres que sejam alguns dos próceres dessa moda, essa conceção deve ser revista, se de facto se quer dar vida ao centro da cidade.
Embora haja razões históricas para a falta de espaços verdes no centro da cidade, em parte compensada pelos logradouros onde ainda permanece alguma vegetação e subsistem algumas hortas familiares ou comunitárias, não se pode querer que o centro seja atraente para novos moradores se se ignorar a necessidade de espaços verdes novos, ainda que pouco extensos por força das circunstâncias, e a de defender os logradouros vegetalizados que ainda existem. À atenção de quem de direito.

 

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