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Porto e Noroeste em Análise #2

Fevereiro 15, 2012 * Porto e Noroeste 2

Uma página de vez em quando, com sínteses e comentários de artigos ou notícias relacionados com o ambiente, urbanismo e natureza no Porto, Norte e Noroeste. Pretextos para reflexão, incentivo à análise (mais do que análise propriamente dita, que não caberia em espaço tão curto), convites à ação… no contexto do trabalho Porto e Noroeste em Debate, que remonta já a 1999. Para visitar a Campo Aberto (www.campoaberto.pt), onde pode consultar os recortes completos hoje aqui referidos, veja o horário em: http://www.campoaberto.pt/2012/01/17/horario-de-abertura-da-campo-aberto/ [1] Redigido por José Carlos Marques (jcdcm@sapo.pt)

PARQUE DA CIDADE DO PORTO
Cor verde «ratada» no mapa? Alterações introduzidas no Plano Diretor Municipal [2] trazem cores intrusivas ao verde do mapa do Parque da Cidade. Embora em discussão por 30 dias, (pelo que se consegue entender, contados a partir de 10 de fevereiro) dificilmente a Câmara recuará – o que todos os amigos do Parque certamente lamentam (ver: http://porto24.pt/porto/10022012/discussao-publica-do-pdm-do-porto-comeca-na-proxima-semana/). Quase toda a zona do Queimódromo passa a ser classificada como «área de equipamento proposto». A mancha de verde contínuo, que caraterizava o mapa do Parque no PDM versão 2005, é quebrada. Também o Sea Life já não surge em zona verde, forma talvez de «legalizar» uma construção que levantou dúvidas à própria CCDR-N. No lado norte, junto à Circunvalação, uma área considerável passa a ser também «área de equipamento proposto», que se pretende converter numa alameda urbana (o que nos levanta sérias dúvidas sobre os objetivos). A interpretação da percentagem do parque passível de ser utilizada para equipamentos de apoio parece ter-se tornado bastante elástica, quer nos números quer no conceito de apoio. Veja um artigo que aborda essa e outras alterações no PDM em vigor na cidade: Público Local Porto de 21 de janeiro de 2012.

PARQUE DA PRELADA.
Aberto por um dia o parque que Nicolau Nasoni idealizou. O antigo parque de Campismo da Prelada está em transformação. Propriedade da Santa Casa da Misericórdia do Porto, as obras em curso visam fazer dele o futuro Parque Urbano da Prelada. Embora ainda não inaugurado, a Santa Casa fez do sábado 28 de janeiro Um Dia Diferente para quem quis passear pelos cerca de 16 hectares do parque e da casa da Prelada. A inauguração oficial está prevista ainda para 2012, com novas aberturas parciais talvez em abril e maio. Ver: Público Local Porto, 29 de janeiro de 2012.

GUIMARÃES.
Para onde vai esta cidade? A propósito do evento Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, a quinta Tertúlia do Café Astória, no Porto, debateu o futuro daquela cidade, com a presença de António Magalhães, presidente da Câmara, e José Serra, presidente da Fundação Cidade de Guimarães, responsável pelo acontecimento. Entre o passado têxtil e o presente de cultura, e muitos outros temas, falou-se de oito grandes projetos de intervenção no património material, alguns dos quais podem levantar dúvidas legítimas quanto a uma real justificação, sempre a pretexto, é claro, de «requalificar o espaço urbano», chavão que tem servido em Portugal muitas vezes para deformar o que apenas precisava de manutenção, com largos gastos escusados. Há quem pense que foi o que se passou na emblemática Praça do Toural… Uma síntese do debate e dos temas abordados, que curiosamente não indica a data da tertúlia, pode ler-se no semanário Grande Porto, de 20 de janeiro de 2012.

AVEIRO.
Protestos contra intrusão visual. Mais um exemplo da sanha requalificatória, uma ponte pedonal sobre o Canal Central da Ria [3], em Aveiro, numa zona em que há já a curta distância os atravessamentos que a ponte em causa visa realizar. Muitos protestos populares e de instituições formais ou informais, como os Amigos da Avenida, parecem não demover a Câmara, uma das mais endividadas do país e que participa com 15 por cento num projeto custeado a 85 por cento por fundos comunitários, que seriam melhor empregues em obra mais útil. Felizmente, a ideia de atravessar a meio o pacato jardim do bairro do Alboi foi entretanto abandonada, neste projeto que, em típica novilíngua orwelliana, se designa por Parque da Sustentabilidade.Ver: Público Local Porto, 26 de janeiro de 2012.