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  • Nov : 23 : 2011 - Petição pela salvaguarda das Sete Fontes
  • Jul : 6 : 2011 - Perigo para Paisagem Protegida Valongo
  • Jun : 17 : 2010 - Corte de Árvores na Circunvalação – resposta da C.M. Porto
  • Jun : 15 : 2010 - Corte de Árvores na Circunvalação

PERIGO NUCLEAR, ALTERNATIVA SOLAR
é o espírito com que a associação Campo Aberto participa na co-organização do

Ciclo de Cinema
Uranium Film Festival
… extensão do I Festival de filmes sobre energia nuclear, realizado no Rio de Janeiro

Porto, Auditório do Grupo Musical de Miragaia
Rua da Arménia, 18 (Miragaia)
29 e 30 de novembro de 2011, 6 e 7 de dezembro de 2011

Veja adiante:

Programa Geral
Informação Complementar
Os Filmes Um a Um

PROGRAMA GERAL

1st International Uranium Film Festival
I Festival Urânio Internacional de Cinema

Todos os debates moderados por:
António Eloy

29 novembro 2011, terça-feira

21h00:
1. A bomba suja do Pentágono, Urânio 238 (Costa Rica, 2009, 28′, Pablo Ortega)
2. Castor Não: (Alemanha, 2007, 43′, Sylvain Darou)

Segue-se debate animado pelo Dr. José Carlos Marques, presidente da Campo Aberto, e pelo Eng. Pedro Sampaio Nunes

30 novembro 2011, quarta-feira

21h00:
1. O regresso do menino Navajo (EUA, 2000-2008, 57′, Jeff Spitz)
2. O futuro irradiante do Brasil (Alemanha, 2011, 43′, Ralph Weihermann & Susanne Friess)

Segue-se debate animado animado pelo Dr. António Regedor, histórico ecologista, e pelo Eng. Pedro Sampaio Nunes

6 dezembro 2011, terça- feira

21h00:
1. Yellowcake (EUA, 2009, 10′, Brock Williams)
2. A sede do Urânio por água (Brasil/Alemanha, 2010, 27′ Norbert G. Suchanek & Marcia Gomes
de Oliveira)
3. Pedra Podre (Brasil, 1990, 26′, Eva Lise Silva, Ligia Girão, Stela Grisotti, Walter Behr)

Segue-se debate animado pelo Eng. Pedro Sampaio Nunes e pelo Dr. Paulo Talhadas Santos (Presidente do FAPAS)

7 dezembro 2011, quarta-feira

21h00:
1. Césio 137, o pesadelo de Goiânia (Brasil, 1989, 95′ Roberto Pires)

Segue-se conferência por António Eloy «A energia e o urânio na história do ativismo ecologista em Portugal»

PORQUÊ «ALTERNATIVA SOLAR?»

Embora o festival apresente filmes centrados na questão do urânio, que é por onde começa o labirinto poluitivo da energia nuclear para usos civis e militares, o alerta que ele constitui abre caminho à busca de alternativas.

Nessa busca, e apesar de não ser isenta de problemas, a alternativa solar é a que permite maior esperança, quer quanto ao seu caráter renovável, quer quanto à possibilidade de uma real descentralização e democratização energética, quer quanto a um menor impacto sobre a natureza e o território.

Daí o dístico que escolhemos para divulgar esta realização, apesar de centrada no perigo nuclear.

José Carlos Marques,
Presidente da Campo Aberto 2011-2013

*****

INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR
(adaptada de documentos escritos ou fornecidos pelo organizador, António Eloy; é da Campo Aberto a responsabilidade do texto resultante da adaptação)

Programação: António Eloy
Organização: Confederação – núcleo para a investigação teatral
Grupo Musical de Miragaia, Porto

Este Festival é organizado em Portugal por António Eloy e apoiado no Porto pela Campo Aberto, FAPAS, QUERCUS, FPCUB – Federação Portuguesa dos Clubes de Utilizadores de Bicicletas, Grupo Energia em Movimento, sendo a Casa da Horta e o Grupo Musical/Teatral de Miragaia os anfitriões.

António Eloy aceitou para isso o convite dos organizadores brasileiros do 1.º Festival de filmes sobre energia nuclear (1st International Uranium Film Festival), realizado no Rio de Janeiro. Após o Porto, esta extensão será realizada também em Lisboa, no início de 2012.

Esse convite germinou a partir de contactos com Norbert Suchanek e Marcia Gomes de Oliveira (fundadores do festival), quando estiveram em Portugal para filmarem os nossos casos uraníferos.

Neste momento, e num ano particularmente recheado de acontecimentos desde o acidente de Fukushima, com o anúncio do encerramento dos programas nucleares em diversos países, particularmente importante na Alemanha, as evidências e as consequências de todo o ciclo que começa no urânio tornam-se um debate prioritário.

Em Portugal temos feridas da exploração do urânio em toda a região beirã que vai de Oliveira do Hospital ao Sabugal, com centro na Urgeiriça, onde se continuam a contabilizar os mortos do trabalho com o minério radioativo, e onde continua, num lento processo de recuperação, que a atual recessão não pode pôr em causa!, a recuperação de poços, zonas escalavradas, bacias de retenção e aterros de inertes.

Recuperação que também deve passar pelas habitações dos trabalhadores e moradores dessas zonas, assim como pelo adequado mapeamento nos PDM dessas áreas. E, embora na anterior legislatura a maioria (BE, PCP, Verdes, PSD, CDS), contra a vontade do PS, tenha reconhecido direitos aos ex-trabalhadores da então Empresa Nacional de Urânio, os seus direitos sociais à saúde e apoio familiar estão por completar, e o empenho e perseverança devem ser mantidos.

Também em Nisa, Alentejo Norte, se tem manifestado o problema das escassas reservas uraníferas da área (que abarca concelhos limítrofes) e se tem acenado com o fantasma, o espectro da sua exploração, que não poderia deixar de ter todas as graves, gravíssimas consequência conhecidas e documentadas na zona beirã.

O desenvolvimento sustentável das capacidades locais, a harmoniosa gestão dos valores destas zonas não pode conciliar-se com esse eventual desastre. Tal miragem de «desenvolvimento» está muito afastada da realidade. A baixa continuada dos preços do urânio no mercado e a articulação com o fim do seu aproveitamento industrial deve, juntamente com adequadas políticas locais, pôr um ponto final nessa peregrina ideia.

*****

Há nessa zona de fronteira ainda outra sombra negra a pairar. Almaraz, instalação nuclear espanhola não muito distante, continua a ter problemas frequentes, e à medida que os anos dessas duas centrais vão passando os riscos de acidentes (que são cada vez mais frequentes!) aumenta.

Este Festival será um momento de discussão e problematização de todo o ciclo da energia nuclear, contra todas as pressões que, surdas às evidências, insistem em empurrar o País para o beco atómico. Felizmente, é uma ideia nada popular e que desperta resistências decididas, que asfixiariam no ovo qualquer tentativa de concretização.

No Festival serão mostrados filmes, documentários e ficções, que mostram todo este enredo, e ainda o problema dos dos resíduos radioativos (que se dizia de fácil resolução e já leva cinquenta anos sem resposta), e que duram até ao Infinito.

O tema dos resíduos também nos conduz à questão do armamento (agora que, no quadro do desanuviamento, os Estados Unidos e a Rússia começam a desmantelar as suas armas mais poderosas, é o urânio enriquecido do armamento convencional e as bombas sujas que andam por aí que são assustadoras) e às suas consequências, seja em termos de impacto dos arsenais existentes, seja em termos da situação internacional, com Estados párias e terrorismo sem identificação a crescer, e com o desvio e o tráfico ilegal de combustíveis nucleares.

O ciclo do urânio também nos convida a falar de alternativas sociais, ambientais e energéticas.

Neste ciclo haverá tempos em movimento para ouvirmos, vermos e dialogarmos.

****

FESTIVAL-URÂNIO : FILMES UM A UM

29 novembro 2011, terça-feira, 21:00

A bomba suja do Pentágono, Urânio 238 – Pablo Ortega

Mostra os perigos que o urânio empobrecido ou DU (em referência às iniciais em inglês das palavras urânio empobrecido: depleted uranium) usado nas armas convencionais apresenta para a saúde dos soldados e civis. Através de entrevistas com soldados, cientistas e ativistas, o documentário explora os riscos para a saúde quando este material radioativo e tóxico é ingerido ou inalado por pessoas nos campos de batalha e campos de tiro. Baseado em dados científicos, o filme tem sido utilizado pela Coalizão Internacional para a Proibição das Armas de Urânio (ICBUW), como parte de sua campanha internacional para proibir DU como um componente militar.

Uranio 238: A Bomba Suja do Pentágono ganhou o Prémio do Júri como Melhor Curta. Isabel Macdonald: «Ganhar este prémio vai ajudar os esforços internacionais no sentido de um tratado que proíba armas de urânio empobrecido em todo o mundo».

Ficha Técnica
Título: A bomba suja do Pentágono, Urânio 238
Realização: Pablo Ortega
Produção: Isabel Macdonald e San José Quaker Peace Center.
Género: Documentário (cor)
Duração: 28’
Áudio: inglês; legendas em castelhano
Nacionalidade: Costa Rica
Ano de lançamento: 2009

Castor Não – Sylvain Darou

Protestos contra o transporte de resíduos altamente radioativos das usinas nucleares na Alemanha. Em nenhuma parte do planeta existe um depósito nuclear seguro para este lixo que vai permanecer perigoso até no mínimo um milhão de anos. Na Alemanha, há 30 anos atrás, os políticos decidiram que uma salina explorada e desativada, perto da Cidade de Gorleben, seria o depósito permanente do lixo radioativo da Alemanha. Além disso, foi decidido fazer também um depósito temporário nesta salina. Mas, cientistas descobriram que esta salina não é segura. Desde o início, na década de 1980, mais de cinco mil pessoas que vivem na região lutam contra os projetos nucleares e o transporte do lixo radioativo para este depósito. O lixo altamente radioativo é transportado em contentor especial com o nome de Castor.

Filmamos os protestos contra o 10.º transporte até Gorleben, em novembro de 2006. Milhares de pessoas provenientes de todas as partes da Alemanha se juntaram para protestar pacificamente junto aos moradores contra esta loucura nuclear.

O filme mostra pessoas que se sentam sobre vias férreas e estradas, geralmente no frio, às vezes, brutalizados pela polícia. Ele pergunta onde elas encontram a coragem e a motivação para resistir, mas
também sobre o seu medo e sua impotência diante de um exército de mais de 20 000 policiais.

Ficha Técnica
Título: Castor Não
Realização: Sylvain Darou
Género: Documentário (cor)
Duração: 43’
Áudio: alemão; legendas em castelhano
Ano de lançamento: 2007

30 novembro 2011, quarta-feira, 21:00

O regresso do menino Navajo – Jeff Spitz

É um documentário aclamado internacionalmente, que reuniu uma família Navajo e desencadeou uma investigação federal sobre contaminação por urânio. Conta a história de Elsie Mae Begay, cuja narrativa em imagens revela uma incrível luta pela justiça ambiental. Um filme da década de 1950, chamado «Navajo Boy», trouxe a memória de volta para as pessoas nativas que participaram do filme em sua infância, provocando desdobramentos em direções surpreendentes. O documentário incentiva uma família Navajo a compartilhar as lembranças marcantes que envolvem a produção cinematográfica de Hollywood, a mineração de urânio e do mistério de um menino desaparecido há muito tempo por ter sido levado por missionários. Seu nome era John Wayne Cly.

O Regresso do Menino Navajo foi selecionado como um dos melhores documentários do International
Uranium Film Festival de 2011.

Ficha Técnica
Título: O Regresso do Menino Navajo
Realização: Jeff Spitz
Género: Documentário (cor)
Duração: 57’
Áudio: inglês; legendas em português
Nacionalidade: EUA
Ano de lançamento: 2000-2008

O futuro irradiante do Brasil – Ralph Weihermann & Susanne Friess

O Futuro irradiante do Brasil, é o primeiro documentário sobre a mina de urânio de Caetité, localizado na Bahia. A mineração começou em 2000. Desde esta época a população e o meio ambiente estão em risco por causa da poluição radioativa. O Futuro Irradiante do Brasil teve sua produção concluída apenas uma semana antes do Uranium Film Festival começar. Por isso ele não foi inscrito para a mostra competitiva, mas consideramos importante apresentá-lo, já que é o primeiro filme sobre a mineração de urânio em Caetité.

Ficha Técnica
Título: O Futuro Irradiante do Brasil
Realização: Ralph Weihermann & Susanne Friess
Género: Documentário (cor)
Duração: 43’
Áudio: alemão
Nacionalidade: Alemanha
Ano de lançamento: 2011

6 dezembro de 2011, terça-feira, 21:00

Yellowcake –Brock Williams

Da exploração à produção de combustível, este documentário relata a contaminação, o alto consumo de água, a geração de resíduos tóxicos e radioativos, os custos do contribuinte americano com os subsídios do governo, os impactos na saúde e as emissões de CO2 que são causados pelo ciclo do combustível nuclear. Cada fase tem o seu próprio impacto de devastação sobre o meio ambiente e a população do entorno, nos aspetos socioeconómicos, saúde e segurança. Este filme lança um olhar mais profundo sobre factos que são, frequentemente, deixados de lado. América está andando no caminho do Yellowcake. Mas diante desta informação, devemos fazer a pergunta necessária: É isto o que realmente queremos? Este pequeno documentário foi criado por Boxcar Films, em 2009, para explorar o front-end da produção de combustível nuclear. Este curta-metragem foi financiado pela coligação Cidadãos do Colorado Contra Lixo Tóxico.

Ficha Técnica
Título: Yellowcake
Realização: Brock Williams
Género: Documentário (cor)
Duração: 10’
Áudio: inglês/legendas em português
Nacionalidade: EUA
Ano de lançamento: 2009

A sede do Urânio por água – Norbert G. Suchanek & Marcia Gomes

Este documentário é sobre a mineração e prospecção de urânio na Namíbia e seus efeitos sobre a população local, o meio ambiente e a escassez de água no Vale Kuiseb. A Namíbia tem duas minas de urânio, outras dez estão em planejamento. A exploração está acontecendo no território do povo Topnaar-Nama. Seus recursos naturais e suas próprias vidas estão em perigo. A mineração de urânio não apenas produz poeira radioativa. Ela também desperdiça enormes quantidades de água, destruindo a terra natal dos Topnaar-Nama. O foco do filme são as aldeias Nama ao longo do Vale Kuiseb e o Rei Nama Samuel Khaxab, que iniciou uma campanha para informar seu povo sobre os riscos ambientais e da radioatividade causados pelas minas de urânio. «Queremos parar a mineração de urânio», diz ele.

O povo indígena Nama é parente dos San (bosquímanos), no Kalahari. Eles compartilham a mesma família linguística com base nos sons de estalos click-clack. Situados ao sul da África, entre Angola e África do Sul, os Nama (chamados também Hotentotes) foram primeiro explorados pelos colonizadores britânicos e alemães que os expulsaram da maioria de suas terras ao longo da costa da Namíbia, devido a grande quantidades de diamantes que possuíam. Depois, foram colonizados pela África do Sul e seu apartheid. Hoje, expulsos de quase o resto de suas terras em nome da conservação da natureza, o que lhes resta é o Vale Kuiseb.

Ficha Técnica
Título: A Sede do Urânio por Água
Realização: Norbert G. Suchanek & Marcia Gomes de Oliveira
Género:Documentário (cor)
Duração: 27’
Áudio: inglês/legendas em português
Nacionalidade: Brasil/Alemanha
Ano de lançamento 2010

Pedra Podre – Eva Lise Silva, Ligia Girão, Stela Grisotti, Walter Behr

É o primeiro documentário feito sobre as usinas nucleares do Brasil, Angra 1 e Angra 2, na região da Mata Atlântica, no Sul do Rio de Janeiro. Com humor irónico, o filme mostra que, em caso de um acidente nas usinas, a segurança oficial e o plano de evacuação para proteger a população local e os turistas são, no mínimo, uma piada. Pior: Angra 1 e 2 são construídas em uma praia, a que a população indígena Guarani deu o nome de Itaorna, o que significa Pedra Podre.

«A ideia do documentário surgiu durante a demonstração antinuclear «Vamos Brincar na Usina», em abril de 1989, em Angra dos Reis. O filme mostra aspectos impressionantes sobre a irresponsabilidade com que este projeto nuclear foi desenvolvido.» Aramis Millarch, Jornalista

Ficha Técnica
Título: Pedra Podre
Realização: Eva Lise Silva, Ligia Girão, Stela Grisotti, Walter Behr
Género: Documentário (cor)
Duração 26’ / cor
Áudio: português
Nacionalidade: Brasil
Ano de lançamento: 1990

7 dezembro de 2011, quarta-feira, 21:00

Césio 137, o pesadelo de Goiânia – Roberto Pires

Uma cápsula de chumbo foi encontrada por catadores nos escombros do Instituto Goiano de Radioterapia, na Cidade de Goiânia, em Goiás. Eles pensaram que podiam ganhar algum dinheiro com aquilo. Dias depois, começaram a passar mal e resolveram vender a cápsula para um ferro velho. Devair, dono do ferro velho, comprou a cápsula para aproveitar o chumbo e tentou abri-la, e descobriu que o material emitia uma luz azul à noite. A partir daí, passou a mostrar para amigos e familiares. Era o césio-137, que deixou centenas de contaminados e um número desconhecido de mortos (quatro mortes foram constatadas oficialmente).

Ficha Técnica
Título: Césio 137, o pesadelo de Goiânia
Realização: Roberto Pires
Género: Documentário (cor)
Duração: 95’
Áudio: português
Nacionalidade: Brasil
Ano de lançamento: 1989

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Categorias: Eventos & Visitas

Um comentário até agora.

  1. Campo Aberto Info | TRIPLO II diz:

    […] informações sobre o festival em http://www.campoaberto.pt/2011/12/04/perigo-nuclear-alternativa-solar/#informacao This entry was posted in Geral Blog by [ Luís Reis @ Edição Triplo II ]. Bookmark the […]

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