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(Nota da Campo Aberto: argumentos em alguns casos semelhantes poderiam ter salvado a Avenida dos Aliados. Mas infelizmente nessa altura foram poucos os arquitectos que se insurgiram contra uma obra que certamente de reabilitação tinha muito pouco.)

 

1 – Bom Sucesso faz sentido como mercado, mas não como centro comercial

A cidade do Porto precisa dos seus mercados para viver e se regenerar. A reabilitação de uma cidade faz-se na habitação, no espaço público e através do pequeno comércio de proximidade. A «alma do pequeno comércio popular» faz parte da alma desta cidade do Porto. Uma cidade cosmopolita precisa de mercados vivos. A zona da Boavista está saturada de centros comerciais, edifícios na grande maioria sem qualquer qualidade arquitectónica, estando alguns meio-ocupados, meio-abandonados há muito.

2- Transformar o mercado em centro comercial destrói a arquitectura do edifício

Inaugurado em 1952, o Mercado foi desenhado pelo colectivo ARS, a pedido do executivo camarário, para ser um «edifício que marque a sua época e o seu fim». Pelo contrário, o projecto actual reflecte uma visão fachadista da Arquitectura, destruindo o que o edifício tem de melhor, o magnífico espaço interior. Do que foi tornado público, sabemos que se pretende encher o interior com dois grandes volumes a cortar e ocupar o espaço central, quase encostados às suas fachadas envidraçadas. Fachadas concebidas como membranas transparentes de espaço e de luz de um lugar em forma de nave, vazio e sereno. O projecto pretendido adultera indelével e definitivamente este conceito, enchendo o interior com metros cúbicos de construção. É um atentado a um edifício modernista com um processo de classificação como património nacional já aprovado pelo IGESPAR e a aguardar conclusão. O que se está a preparar é não só a alteração do programa de mercado para centro comercial como a adulteração dum edifício histórico.

Não é mais concebível nesta cidade que se continue a apelidar de «reabilitação» este tipo de intervenções. Re-habilitar é «tornar a habilitar para…». Este mercado precisa sim de se tornar a habilitar como edifício e na sua funcionalidade de mercado, tal como consta dos requisitos que fundamentaram o processo de classificação. Pretendemos que o poder público tome em mãos um projecto de verdadeira reabilitação, resolvendo patologias construtivas, modernizando, enquadrando e rentabilizando o uso para mercado de frescos. Assim ficará digno de um uso público intenso, como já teve antes do abandono recente a que foi votado.

3 – Destruir um mercado para criar mais um centro comercial é empobrecer a qualidade e variedade da vivência urbana

Como profissionais de Arquitectura apelamos às instâncias públicas com a missão de defender o Património, nomeadamente ao Ministério da Cultura na pessoa da Sr.ª Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, e ao Instituto para a Gestão e Defesa do Património, IGESPAR, no sentido de se pronunciarem e intervirem neste processo, em coerência com a classificação patrimonial, impedindo a destruição do Mercado do Bom Sucesso. Como cidadãos empenhados pretendemos que o edifício do Mercado continue «a marcar a sua época», através do respeito pelo património construído e classificado e que continue «marcar o seu fim» de mercado tradicional de frescos, sempre actual numa cidade viva.

Álvaro Siza Vieira
André Tavares
Francisco Barata Fernandes
José Gigante
José Pulido Valente
Manuel Correia Fernandes
Manuel Fernandes de Sá
Nicolau Brandão
Nuno Brandão Costa
Paula Santos

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Categorias: Alertas, Património

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