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Crónica de Bernardino Guimarães no JN de 10-nov-2009

A denúncia de graves atentados contra o rio Tinto na construção da linha de metro de Gondomar, apresentada por cidadãos agrupados no Movimento em Defesa desse rio, revelou novos casos de insensibilidade ambiental. O entubamento de rios e ribeiros não é prática que se possa considerar defensável. Necessário é, pelo contrário, renaturalizar os cursos de água e suas margens, tornar esses «corredores ecológicos» por excelência, acessíveis ao pleno usufruto público, cumprindo as suas funções naturais. O que se passa, pelos vistos, no rio Tinto parece recuperar atitudes e processos errados, comprovadamente lesivos do património natural e do próprio bem-estar das populações.

Mais doloroso é ainda constatar isso, tratando-se das obras de construção de mais um eixo essencial na expansão do Metro do Porto, indispensável e de inegáveis efeitos positivos, sociais e ambientais. Razão que deveria acrescer ao cuidado com que são olhadas e tratadas as realidades do meio que é afectado pelo novo traçado. Responsabilidade maior para uma empresa que pretende resultados excelentes em termos de boas práticas ambientais.

Segundo o movimento, as obras implicaram o entubamento do rio em diversos pontos e nomeadamente entre as ruas da Lourinha e das Perlinhas, perto da EB 2,3 da freguesia que leva o nome do rio. Terá havido incumprimento das leis, acusam os ambientalistas, na ocupação indevida de terrenos de reserva agrícola e ecológica, no próprio entubamento de troços do rio e ainda na alegada desconformidade entre o que determina a «Declaração de Impacte Ambiental» e o que foi feito no decorrer da obra.
A tudo isto respondeu a Metro do Porto negando quaisquer ilegalidades e explicando as razões técnicas que, segundo a empresa, terão «imposto» o entubamento de partes do rio.
Não foi sequer referido se existem alternativas concretas, viáveis, mais amigáveis para o rio Tinto e para o ambiente, que possam ser postas no terreno. O traçado da linha terá sido a melhor escolha? Mesmo que o tenha sido, ter-se-á feito o suficiente para evitar a degradação da paisagem e a mutilação do rio?

O rio Tinto, já estrangulado por diversas intervenções insensatas ao longo dos últimos anos, ocultado pela «urbanização» selvagem e poluído por esgotos urbanos e industriais, é bem o espelho dos maus tratos que foram e são infligidos ao património natural, à paisagem, aos ecossistemas vitais, verdadeiros crimes que reduzem a qualidade de vida das populações e comprometem o futuro.
A incapacidade na concretização da sua despoluição, entre ETARs de ficção e rede de saneamento terceiro-mundista (uma expressão que já nem se usa) –entre tantos outros atropelos a que sujeitaram o rio Tinto, – são razão para desgosto suficiente.
Que seja a obra de construção de uma infra-estrutura necessária e em si mesma benéfica a dar «o golpe de misericórdia», precisamente numa das zonas que mais precisa do rio, se quiser recuperar alguma qualidade ambiental e bases de ordenamento urbano, eis o que ninguém pode aceitar.

O esclarecimento cabal deste caso e, se possível, a inversão de práticas nefastas, parece ser o caminho mais indicado. O diálogo aberto e o estudo aprofundado, sem pôr em causa a construção da linha mas harmonizando a execução da mesma com a salvaguarda do rio e do seu entorno, talvez pudesse evitar males maiores. No que toca à Empresa do Metro do Porto, seria mesmo um serviço mais à comunidade. Reconhecer, e reparar erros cometidos não fica mal a ninguém, só enobrece os que querem servir o bem comum!
Bernardino Guimarães

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