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Conforme aqui noticiámos na quarta-feira, dia 19 de Novembro, a Campo Aberto havia escrito à Parque Escolar, EPE (e também à Direcção Regional de Educação do Norte) pedindo explicações sobre o abate de árvores ocorrido em Outubro na Escola Secundária Aurélia de Sousa, no Porto. A resposta da Parque Escolar chegou-nos poucos dias depois, com data de 21 de Novembro, assinada pelo seu presidente, Eng.º João Sintra Nunes. Foi com agrado que registámos a prontidão e a cordialidade da resposta, coisa a que não estamos de modo nenhum habituados no nosso trato com a administração pública. A carta era acompanhada por um CD contendo o projecto de paisagismo para a Aurélia de Sousa, projecto esse da autoria do Arq.º Daniel Monteiro.


A carta que enviámos à Parque Escolar pode ser lida aqui (PDF), e a carta que a Parque Escolar nos escreveu está aqui. Esta última, além de fazer considerações gerais sobre o projecto, remetia-nos ao Eng.º Luís Martins, da delegação nortenha da empresa, para explicações mais detalhadas. Como havia uma notória incongruência, no que toca ao número de árvores abatidas, entre o que constava do projecto e o que na realidade ocorreu, decidimos aproveitar o convite. Na sexta-feira, dia 28 de Novembro, uma delegação da Campo Aberto constituída por Bernardino Guimarães, José Carlos Marques, Maria Carvalho e Paulo Araújo encontrou-se na Escola Aurélia de Sousa com o Eng.º Luís Martins e o Arq.º Daniel Monteiro; também presente ao encontro esteve a Presidente da Comissão Executiva da escola.


O projecto de espaços verdes para a Aurélia de Sousa proclama princípios louváveis: diminuir a área impermeabilizada do recinto escolar, substituindo o asfalto por revestimento permeável; aumentar a área vegetalizada, usando arbustos em vez de relva para cobrir o solo; criar um espaço arborizado no pátio interior da escola, onde antes quase só havia asfalto. As justificações invocadas para alguns dos abates de árvores inicialmente previstos eram um ligeiro aumento da área construída e a necessidade de abrir espaço aéreo para que as árvores remanescentes pudessem desenvolver normalmente as suas copas. Na verdade, se a intervenção efectuada estivesse de acordo com os planos, talvez não tivessem aparecido queixas. Mas as árvores que rodeavam o campo de jogos no limite noroeste do recinto escolar, e que, segundo os planos, deveriam ter sido todas poupadas, foram, pelo contrário, todas abatidas. Foi o abate dessas árvores, em número de quase duas dezenas, que levou Bernardino Guimarães a escrever a crónica que trouxe o assunto a público. Das setenta árvores existentes na escola e referidas na carta da Parque Escolar, não terão sido poupadas mais de 20 – número esse que inclui já as 8 a transplantar.


[Eis alguns elementos do projecto para consulta em ficheiros PDF: plano de abates a realizar, plano de plantações, plano de transplantes. Por favor amplie os documentos no seu écran para ler as legendas na margem direita.]


Para a decisão dos abates foi invocado um fundamento técnico: o piso do campo de jogos irá ser rebaixado, e o muro em seu redor reconstruído; ambas as operações afectariam seriamente as raízes das árvores, pelo que foi decidido sacrificá-las na totalidade. Elas poderiam porventura ter sido poupadas se o campo de jogos fosse encurtado, mas desse modo ele ficaria aquém das medidas regulamentares.


Parece-nos que a explicação, embora tecnicamente aceitável, revela uma hierarquia de valores em que a árvore, afinal tão importante para o ambiente urbano, é sempre o elemento mais frágil. Não há dúvida de que a comunidade escolar terá, de futuro, um espaço mais inóspito a envolver o renovado edifício, mesmo que a Presidente da Comissão Executiva não tenha querido reconhecê-lo. Os moradores, que nunca foram consultados nem prevenidos sobre a intervenção, deixaram de ter verde e sombra nas traseiras de suas casas. Já não se ouvem os melros que se abrigavam nas árvores desaparecidas. As jovens árvores que forem plantadas só ao fim de algumas dezenas de anos (se as deixarem viver até lá) terão valor ambiental comparável ao daquelas que vieram substituir.


Queremos agradecer ao Eng.º Luís Martins e ao Arq.º Daniel Monteiro a amabilidade que mostraram ao receberem-nos na Escola Aurélia de Sousa e ao oferecerem-nos, logo a seguir, uma visita guiada às novas instalações da Escola Artística de Soares dos Reis.

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