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Plataforma associativa Convergir lança nova campanha de salvaguarda do último reduto do Porto

Numa altura em que a cidade do Porto sofre mais uma investida sobre as suas escassas zonas verdes, como se pode constatar pelas intervenções na Boavista, Rua 5 de Outubro, zona da Asprela e Bairro da Bouça, as notícias sobre o futuro do Parque Oriental dificilmente poderiam ser mais desanimadoras.

Estamos convictos de que a percepção de muitos políticos sobre o verdadeiro significado das zonas verdes virá, um dia, a ser semelhante ao nosso. Contudo, receamos que isso aconteça tarde de mais, numa altura em que pouco ou nada haverá a salvar, precisamente como resultado de opções erradas tomadas… hoje!

Para se entender a gravidade da situação, não é exagerado considerar que se está perante a última área livre do Porto de dimensões consideráveis, ou seja, o último reduto com potencial para uma nova ampla zona verde de que a cidade tanto carece. A mutilação do Parque Oriental possui um carácter simbólico extremamente relevante. O executivo responsável por esse acto ficará com a sua imagem indelevelmente manchada durante décadas por ter, cega e obcecadamente, tomado uma decisão que representa uma total ausência de visão de longo prazo. A opção será ainda mais absurda se for tomada pelo mesmo executivo que, num acto igualmente memorável mas diametralmente oposto, colocou o interesse público em primeiro lugar e devolveu aos cidadãos o Parque da Cidade.

A plataforma associativa Convergir lança novamente o repto ao poder político da Câmara Municipal do Porto: ainda vai a tempo de salvar o Parque Oriental! A sua destruição significa o rompimento unilateral do Contrato com a Cidade que Rui Rio firmou aquando da sua vitória eleitoral. Esta opção consciente, por parte do executivo, de contrariar explicitamente aquilo a que se propôs, é um facto da maior relevância política, no sentido mais nobre do termo.

Uma decisão arbitrária

Casos há em que existe um compromisso difícil de encontrar entre salvaguarda dos valores ambientais e desenvolvimento social pretendido. Esse não é o caso, contudo, do Parque Oriental. Não só a criação desta zona verde contribui directamente para os objectivos conhecidos da autarquia para o Vale de Campanhã, como todas as explicações publicamente apresentadas para a construção da Alameda de Azevedo carecem de um mínimo de fundamentação e, elas sim, são contraditórias com aqueles objectivos. A situação é caricata: o município prepara-se para tomar uma decisão que não é capaz de fundamentar e que agravará os graves problemas sociais existentes.

O executivo não pode ignorar os sucessivos alertas das associações cívicas a este respeito.

Os principais argumentos aduzidos a favor da Alameda de Azevedo são, todos eles, facilmente refutáveis:






O que diz o executivo

A realidade
A via é necessária para melhorar os acessos a Valbom e ao lugar de Azevedo O IC29 vai situar-se a escassa distância e assegurará uma excelente acessibilidade automóvel a Valbom, para o que ainda contribuirá o futuro traçado da Circunvalação. O lugar de Azevedo ficará bem servido com a construção da Colectora de Azevedo.
A via é necessária para permitir a passagem de autocarros

A via poderá vir a comportar a passagem do metro

A via terá o perfil de avenida urbana, e não de auto-estrada

O objectivo de facilitar o acesso ao transporte público é meritório, mas este poderá seguir vias alternativas como a Colectora de Azevedo, o futuro traçado da Circunvalação ou, por que não, uma faixa dedicada no IC29.

Não existe ainda qualquer estudo que apoie esta conclusão e os planos de expansão da rede do metro não lhe fazem qualquer alusão. O traçado do metro insere-se numa lógica de planeamento regional incompatível com opiniões algo desenraizadas e casuísticas.

Embora tratando-se de uma alteração positiva relativamente ao que estava inicialmente previsto, a melhoria em termos de impacto social e ambiental será pouco significativa.

O Parque Oriental como centro de desenvolvimento sustentado do Vale de Campanhã

Muito mais do que uma via, o Parque Oriental poderá constituir, assim o município o queira, a verdadeira alavanca para um desenvolvimento mais equilibrado do Vale de Campanhã. O Parque atrairá pessoas de todas as classes sociais, inclusivamente de outros concelhos. Alguns equipamentos culturais, como uma biblioteca, museu ou sala de conferências e exposições, reforçarão a atractividade do lugar, contribuindo para a revitalização da economia e tecido social locais. Aliás, o PDM prev ê, e bem, espaço para tais estruturas, que se deverão integrar cuidadosamente na paisagem. A Colectora de Azevedo, cujo traçado se deverá aproximar o mais possível da zona urbana existente, será uma alternativa aos actuais arruamentos sinuosos e estreitos, fomentando a coesão territorial e quebrando o actual isolamento do lugar de Azevedo.

A Alameda de Azevedo em nada poderá auxiliar à recuperação da zona. Pelo contrário, inviabilizará o desenvolvimento harmonioso, centrado na criação do Parque Oriental, que a plataforma Convergir propõe.


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